Publicado 08/07/2026 13:14

Meloni afirma que a Itália está comprometida com os 5% em defesa, mas com seus “prazos e prioridades”

Ela afirma que não se arrepende de suas decisões, apesar do desentendimento com Trump, e que não age por “conveniência eleitoral”

24 de junho de 2026, Berlim: Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália, está dando uma coletiva de imprensa na Chancelaria Federal durante a cúpula E5 das principais nações europeias, antes da próxima cúpula da OTAN. Foto: Kay Nietfeld/dpa
Kay Nietfeld/dpa

ANCARA, 8 jul. (EUROPA PRESS) -

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou nesta quarta-feira que a Itália está comprometida em cumprir a meta estabelecida pela OTAN de atingir 5% do PIB em gastos com defesa até 2035, mas deseja fazê-lo seguindo seu próprio ritmo e suas próprias prioridades, ao mesmo tempo em que deixou claro que age sempre motivada pelo “interesse nacional” e não pela relação pessoal que possa ter com outros líderes, em referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A Itália, disse Meloni na coletiva de imprensa ao final da cúpula da Aliança Atlântica em Ancara, é atualmente o país aliado com mais tropas destacadas no exterior —3.000 militares— e já destina 2,8% do PIB à “defesa e segurança”, 0,71% a mais do que no ano anterior.

Esse aumento reflete a “visão mais ampla” que a Itália tem em relação à “segurança nacional e à resiliência estratégica”, defendeu a primeira-ministra, que, em seguida, destacou que seu governo deseja “respeitar os compromissos” e o fará, mas “de forma sustentável”.

“Ou seja, estabelecendo nós mesmos os prazos, as formas e as prioridades, com base no contexto e em nossas possibilidades”, ressaltou.

Além disso, ela reiterou mais uma vez, em consonância com a posição também defendida pelo governo espanhol, que hoje em dia falar de segurança “não significa apenas falar de defesa no sentido tradicional do termo, embora isso seja obviamente importante, mas significa também falar de proteção de infraestruturas críticas, de segurança energética, de segurança cibernética e, portanto, da segurança dos dados, das famílias, das empresas e das administrações públicas”.

“Chegou a hora de a Europa garantir sua própria segurança por conta própria, não para fazer um favor a alguém, mas para não depender de ninguém”, destacou. “É, portanto, uma questão de soberania, antes mesmo de ser uma questão de defesa”, acrescentou.

DESACORDOS COM TRUMP

No que diz respeito aos recentes desentendimentos com Trump, entre outras coisas por não permitir o uso de bases italianas na operação militar contra o Irã, Meloni deixou claro que age sempre motivada pelos interesses da Itália. “E, portanto, não me arrependo absolutamente de nada do que fiz”, afirmou.

A primeira-ministra italiana garantiu que sua estratégia se baseia “no interesse italiano e europeu”, que nada mais é do que “a unidade e o fortalecimento da unidade ocidental”. “Não mudei de ideia sobre isso, independentemente de como minhas relações pessoais possam oscilar”, afirmou ela, insistindo que se trata de uma “estratégia ditada pela convicção e não pela conveniência eleitoral”.

Essa estratégia, acrescentou ela, não foi adotada com a chegada de Trump, com quem admitiu haver “afinidades em alguns temas, desde a imigração até a cultura ‘woke’, e por isso acreditava que seria mais fácil”. “As coisas estão ocorrendo como vocês viram, mas não mudo de ideia sobre qual é o interesse italiano”, acrescentou.

Nesse sentido, Meloni defendeu que seu governo manteve uma “linha muito clara desde o início do conflito no Irã e continua mantendo-a”. “Respeitamos nossas obrigações, como sempre fazem os países sérios”, mas “afirmamos que não participaríamos dos ataques no Irã e não estamos participando nem participaremos dos ataques no Irã”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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