Publicado 12/06/2026 08:59

Mbacke, imigrante senegalês, a León XIV: "Continue lembrando ao mundo que por trás de cada imigrante há um sonho"

O Papa Leão XIV durante um encontro com migrantes no Centro Las Raíces, em 12 de junho de 2026, em San Cristóbal de La Laguna, Santa Cruz de Tenerife, Ilhas Canárias (Espanha). O Papa Leão XIV visita o Centro de Acolhimento de Emergência e Encaminhamento
Alejandro J. Rosa/ACFI/Europa Press/Pool - Europa

LA LAGUNA (TENERIFE), 12 (EUROPA PRESS)

Mbacke Ndiaye, um jovem senegalês de 20 anos que chegou às Ilhas Canárias em uma embarcação artesanal em setembro de 2024, agradeceu nesta sexta-feira ao Papa Leão XIV por não ter “desviado o olhar” diante dos migrantes e por se empenhar em defender sua dignidade e a acolhida por parte das sociedades.

“Continue lembrando ao mundo que por trás de cada imigrante há um sonho, uma mãe que reza e uma pessoa que merece uma oportunidade”, comentou ele no encontro com migrantes na Praça do Cristo de La Laguna, onde conseguiu que Leão XIV se animasse com a dança viral do ‘six-seven’ e lhe presenteou com uma camiseta.

Ele disse que é mais um dos jovens que migram “sozinhos” e buscam apenas “uma oportunidade” e, nesse sentido, valorizou especialmente o trabalho realizado pela Fundação Bom Samaritano, onde encontrou algo mais do que “teto e comida”, mas respeito, “respeito, paciência” e pessoas que lhe disseram “você vale, você consegue”.

Além disso, ele indicou que lá se aprende espanhol, culinária, agricultura, marcenaria, reparos e costura, e isso o faz “sentir” que tem “um lugar e uma família”. “Tenerife me ensinou que a irmandade existe, além do laço de sangue”, explicou.

Ele disse que agora se concentra em “retribuir” o que recebeu e em “trabalhar com honestidade e estudar com esforço” para ajudar sua família, e leu um poema no qual defendeu como a fé os “levanta” nos momentos difíceis.

“Carregamos dor, as barreiras se erguem, mas há determinação. A terra é de todos, não há divisão. E mesmo que nos vejam como estranhos, sabemos que o mundo é para ser compartilhado. Trazemos cultura, trazemos valor, somos sementes de um mundo melhor”, explicou.

Khalid Allad, marroquino de 24 anos, contou que chegou às costas das Canárias em 2020 “em busca de uma oportunidade para construir um futuro” em uma viagem de barco que “não foi nada fácil”.

Na verdade, ele tentou duas vezes e, na primeira, morreram 20 pessoas; e quando voltou para casa, seu pai o “abraçou chorando” porque havia sonhado que a sua embarcação viraria no mar. “Aquela tragédia deixou uma marca muito profunda na minha vida”, explicou.

Embora seu pai o tivesse proibido de tentar novamente e ele “tivesse medo”, decidiu partir sem a permissão dele e desembarcou em Tenerife; quando estava prestes a ficar “na rua”, conheceu a Fundação Dom Bosco, que se tornou uma “segunda família”.

De fato, conseguiu seu primeiro emprego e começou a sentir que estava construindo seu futuro com as “próprias mãos”, pois depois continuou com outros empregos no campo e na cozinha de um restaurante.

“Hoje me sinto especialmente feliz”, destacou, pois trabalha no Colégio Salesiano como parte da equipe de manutenção e monitor do refeitório escolar. “Gosto de trabalhar com eles; agora, todas as manhãs, quando saio de casa, vou trabalhar feliz”, afirmou.

Nesse sentido, ele comentou que a convivência com a Fundação Dom Bosco e a comunidade salesiana foi um “presente de Deus”, pois aprendeu o “valor” da solidariedade, da convivência no esporte e do cuidado com a natureza.

“Santo Padre, quando olho para trás, lembro-me da dor das dificuldades do caminho, mas também agradeço a todas as pessoas que me ajudaram. Hoje sinto que nas Canárias não só encontrei um lugar para trabalhar e contribuir, mas também para viver com dignidade, fazendo parte dessa comunidade”, explicou.

SEM TETO DA NOITE PARA A MANHÃ

Thalía, migrante de origem colombiana, lembrou que chegou às Canárias há três anos, deixando para trás sua família e seu filho, mas com “ilusão, sonhos e esperança”, embora “a realidade tenha sido outra”.

No início, conseguiu morar com um irmão, mas “as circunstâncias mudaram” e, “de um dia para o outro, ficaram sem um teto onde ficar”, o que acontece com a maioria dos migrantes.

Em meio a essa situação, ela conseguiu acesso aos serviços da Cáritas, que lhes proporcionaram “um teto”, mas também “uma oportunidade de acolhimento, de esperança”, para “conseguir, pouco a pouco”, sua independência e recuperar a “dignidade”.

Ela também valorizou o papel da Igreja como “motor” que a ajudou a se integrar na ilha e, posteriormente, com o apoio da Fundação Dom Bosco, iniciou seu processo de formação para adquirir ferramentas básicas e poder trabalhar.

“Meu processo não termina com minha independência e estabilidade. Continuo no caminho de retribuir o amor e o apoio que, de alguma forma, me foram oferecidos”, observou, de tal forma que se tornou voluntária da Cáritas.

“Agradeço a Vossa Santidade, Santo Padre, por lembrar ao mundo, com sua voz, que está ao lado daqueles que caminhamos por estas terras e que cada vida é uma oportunidade de encontro”, comentou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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