Publicado 01/03/2026 08:08

Mayor Oreja considera a regularização "em massa" um "absurdo": podem criar-se "guetos" como em Londres, Paris ou Marselha.

O ex-ministro do Interior Jaime Mayor Oreja durante uma entrevista concedida à Europa Press, coincidindo com o lançamento do seu livro “Una verdad incómoda” (Espasa).
FERNANDO SÁNCHEZ-EUROPA PRESS

Acusa o governo de “fraude constitucional” para proteger o aborto e desafia a reformar o artigo 15, dissolver as Câmaras e realizar um referendo MADRID 1 mar. (EUROPA PRESS) -

O ex-ministro do Interior Jaime Mayor Oreja considera uma “absurdo” a regularização extraordinária de imigrantes aprovada pelo governo — que qualifica de “massiva” —, alegando que podem ser criados “guetos” na Espanha, como ocorreu em Londres, Paris ou Marselha. Ele também se opõe a que o governo proteja o aborto na Carta Magna e entende que é uma “fraude constitucional” fazê-lo pelo artigo 43, desafiando a reforma do artigo 15 relativo à defesa da vida, a dissolução das Câmaras e a realização de um referendo.

Mayor Oreja fez estas declarações numa entrevista concedida à Europa Press, por ocasião da publicação do seu livro “Uma verdade incômoda. Testemunho de uma época: contra o silêncio e a mentira" (Espasa), no qual faz uma retrospectiva de seus anos na política, incluindo suas experiências como ministro do Interior, a luta contra o terrorismo e uma reflexão sobre o que ele considera um "processo" iniciado na Espanha a partir do pacto do governo de José Luis Rodríguez Zapatero com a ETA, que pretende acabar com a Constituição de 1978.

Quanto à regularização extraordinária de imigrantes, Mayor Oreja lembra que, quando ele estava no Executivo de José María Aznar, foram feitas duas regularizações “massivas”, uma em 1999 e outra em 2000, por se verem obrigados, segundo explica, por uma proposta de lei feita pela CiU apoiada pelo PSOE.

No entanto, ele esclarece que há duas grandes diferenças em relação àquela época. Por um lado, que então “havia um milhão de imigrantes, hoje haverá onze”. E, por outro, que “havia um boom econômico” em que a maioria dos imigrantes já tinha contrato de trabalho, o que, no fundo, expõe, já normalizava sua situação.

No entanto, ele acredita que agora, dado o volume de imigrantes que a Espanha já tem, está convencido de que pode acabar acontecendo aqui o que aconteceu em outros países vizinhos, com a criação de “guetos” nos arredores das cidades. MUITOS BISPOS COMPARTILHAM SUA OPINIÃO Em sua opinião, “uma regularização em massa nessas circunstâncias é um disparate”. “Com o volume de imigrantes que temos, vendo o que aconteceu na França, o que está acontecendo em Paris, o que está acontecendo em Marselha, o que está acontecendo em Londres, o que está acontecendo nos países onde (há) uma imigração péssima” e onde foram criados “guetos nos arredores”, ele considera que a Espanha teria que levar “muito a sério a regularização” e fazê-la “não por lei, mas por contratos de trabalho”. O ex-ministro defendeu, a esse respeito, que sua posição é compartilhada por muitos bispos e reduz o apoio da Igreja à regularização extraordinária, ao presidente da Conferência Episcopal, ao mesmo tempo em que alertou que é preciso se afastar do “politicamente correto” nessa questão.

Mayor Oreja também opinou sobre o anúncio do governo de que quer blindar o aborto na Constituição. Ele descartou, a esse respeito, que tenha sido uma manobra por causa do anúncio da visita do Papa Leão XIV, que estará na Espanha entre os dias 6 e 12 de junho. “Não creio que seja precisamente por causa da viagem do Papa, porque isso só serve para mobilizar ainda mais os católicos”, precisou. GOVERNAM OS ENGENHEIROS SOCIAIS Neste contexto, considerou que esta proposta faz parte do projeto da esquerda porque, na sua opinião, quem governa são os “engenheiros sociais”. “Não há ministérios, há linhas de engenharia social”, exclamou, antes de apontar que o que estão tentando fazer é “mudar a consciência dos espanhóis”, dizendo que o moderno é a eutanásia, o aborto, o gênero ou a memória histórica.

De qualquer forma, ele fica “triste” ao ver como o governo sempre precisa “dividir” as instituições, lembrando que, com essa questão, também dividiu o Conselho de Estado, que a aprovou por 16 votos contra 4, depois de ter feito o mesmo com a Procuradoria Geral, o Tribunal Constitucional ou o Tribunal de Contas.

Quanto à forma como essa reforma pode ser realizada, ele acredita que se trata de uma “fraude constitucional”, pois tentam “alterar” a Carta Magna por um artigo que não expressa o direito à vida, mas sim o 43, que são, segundo ele, os direitos “prestacionais” à saúde ou ao meio ambiente.

No entanto, ele apontou que “a vida é defendida pelo artigo 15” e desafia o governo a reformá-lo, para o que teria que dissolver as Câmaras e fazer um referendo. Este último, precisou, “significa não cometer uma fraude constitucional”.

No entanto, Jaime Mayor Oreja considerou que o debate sobre o aborto e o direito à vida durará muito tempo e ocorrerá como com a “escravidão”: “Hoje, o aborto é uma moda dominante, a escravidão era uma moda dominante”. Ele lembra, a esse respeito, que foram a Igreja Católica e os reis católicos que tiveram que dizer que todos são iguais. Na sua opinião, chegará um momento em que se dirá do aborto o mesmo que agora se diz da escravidão: como é que podia haver escravos, pessoas de outra condição humana.

“O mesmo acontece com o aborto, matar uma pessoa como solução para o problema é um disparate, essa pessoa não é a mesma pessoa que sua mãe, a mãe não tem o direito de matar uma pessoa diferente”, exclamou Mayor Oreja na entrevista à Europa Press. Por isso, ele acredita que “daqui a 100 anos” a sociedade terá vergonha de ter tido o aborto como fórmula para resolver algumas situações.

“Mas hoje não é assim, hoje é uma moda dominante. Hoje, o aborto é supostamente um direito, ou seja, o que está no Código Penal refletido quase como um crime, agora se transforma em um direito”, recriminou o ex-ministro, que atribuiu o aborto à “cultura woke”.

Nisso, ele garantiu concordar com Julián Marías, que afirmava que a maior tragédia do século XX tinha sido a legalização do aborto, apesar de no século passado ter havido duas guerras mundiais. Ele acredita que “essa batalha será vencida, mas levará tempo”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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