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Critica o PP por ceder ao populismo em detrimento do “bom senso” e alerta que a “cegueira estratégica” trará “tensões recorrentes”
MADRI, 10 set. (EUROPA PRESS) -
O governo marroquino advertiu nesta quinta-feira que não permitirá ser usado como “bode expiatório” na disputa política na Espanha, criticando o fato de continuar sendo apontado em relação à entrada maciça de migrantes em Ceuta, quando não há nenhuma prova que comprove sua responsabilidade, bem como o fato de que aqueles que entraram ilegalmente ainda não tenham sido repatriados, apesar de sua disposição em readmitir esses migrantes.
Em um longo comunicado, exatamente um dia após a divulgação, pelo governo, dos relatórios do CNI, da Polícia e da Guarda Civil sobre os acontecimentos do final de julho em Ceuta, o Ministério das Relações Exteriores marroquino aproveitou para criticar duramente, em particular, o PP, embora sem mencioná-lo expressamente, alertando que a “cegueira estratégica” só pode causar “tensões recorrentes”.
Após lamentar a instrumentalização do reino para fins de política interna na Espanha, Rabat considera “especialmente lamentável que partidos históricos, com experiência na gestão governamental, tenham caído nesse terreno pantanoso onde a retórica populista e desmedida se impõe ao bom senso”.
Da mesma forma, lamenta que “instituições legislativas e judiciais respeitáveis se envolvam em iniciativas infelizes que preparam o terreno para o desacordo”, em aparente alusão à medida tomada nesta quinta-feira pelo Congresso dos Deputados de dar luz verde à lei que concederá a nacionalidade aos saharauis, faltando apenas a aprovação do Senado.
Para o reino alauí, “esses desvios, nos quais o discernimento cede lugar ao simplismo e a análise objetiva à acusação, fazem parte de uma estratégia do medo prejudicial a todos”.
NEM TRUQUE ELEITORAL NEM BODE EXPIATÓRIO
Dito isso, o Ministério das Relações Exteriores deixa claro que “o Reino de Marrocos se recusa a ser utilizado como trunfo eleitoralista e também não aceita se tornar bode expiatório de acertos de contas políticos” na Espanha, ao mesmo tempo em que adverte que a vizinhança entre os dois países é “uma realidade imutável”.
“São os responsáveis políticos que, por meio de sua coragem e visão de longo prazo, transformam (a vizinhança) em um ativo para o futuro”, afirma o departamento liderado por Naser Burita, alertando que, ao contrário, “a cegueira estratégica transformará esse capital em uma fonte de desconfiança crônica e tensões recorrentes”.
No que diz respeito aos acontecimentos em Ceuta, Rabat considera que foram “lamentáveis” e reconhece que exigem “uma análise aprofundada para definir suas circunstâncias, identificar as interferências, denunciar as manipulações e, acima de tudo, garantir que não se repitam”.
Assim sendo, após destacar que Marrocos optou soberanamente por uma relação de “boa vizinhança” com a Espanha, o que se traduziu em “resultados tangíveis” nos âmbitos econômico, de segurança e migratório, o governo marroquino considera necessário, “longe de qualquer polêmica”, responder a uma série de questões.
“Por que se mantêm as críticas contra o Marrocos quando nenhum dado, nenhum fato nem nenhum relatório aponta qualquer envolvimento das autoridades marroquinas?”, questiona o Ministério, após a divulgação dos diversos relatórios das forças e órgãos de segurança, nos quais Rabat não é responsabilizada, embora se fale de “passividade” e “negligência” na atuação de 30 de julho.
Da mesma forma, questiona-se o motivo pelo qual os migrantes em situação irregular que entraram na época em Ceuta e ainda permanecem lá não foram repatriados, apesar de o governo marroquino “ter se comprometido oficialmente a readmiti-los” e, no caso dos menores desacompanhados, por que eles continuam “longe de suas famílias, quando o Marrocos solicitou repetidamente seu retorno”.
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