JESUS HELLIN / STUDIOMEDIA19
MADRID 20 ago. (EUROPA PRESS) -
O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, também não compareceu nesta quinta-feira à comissão de Interior do Senado convocada pelo PP para discutir a crise em Ceuta, somando já duas ausências em uma semana na Câmara Alta, razão pela qual o PP denunciou um comportamento “antidemocrático” do Governo e acusou o presidente do Governo, Pedro Sánchez, de “incentivar” essas ausências em massa dos ministros.
Especificamente, o senador do PP e presidente da Comissão de Assuntos Internos, Fernando Martínez-Maíllo, criticou duramente Marlaska e todos os ministros do governo que não compareceram ao Senado de forma “coletiva”.
A esse respeito, ele defendeu a decisão do líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, de levar ao Supremo Tribunal a recusa de até três ministros em comparecer ao Senado para discutir a questão de Ceuta, alegando que já o fariam no Congresso.
No caso de Marlaska, o PP o convocou na semana passada para uma audiência extraordinária na Comissão de Assuntos Internos do Senado, mas, como já havia sido antecipado pelo governo, ele acabou não comparecendo e deixou a cadeira do convidado vazia.
Por isso, os “populares” o convocaram novamente nesta quinta-feira pela segunda vez, e Marlaska também não compareceu ao Senado nesta semana. “Ele teve a oportunidade de se retratar e não quis”, denunciou Maíllo, que insistiu em criticar o ato “de desobediência e rebeldia”.
O PP CRITICA O GOVERNO POR “NÃO ASSUMIR A RESPONSABILIDADE”
Nesse contexto, o PP defendeu que não existe uma “soberania popular de primeira” no Congresso e outra “de segunda” no Senado, mas sim uma representação bicameral de todos os espanhóis.
“Não assumir a responsabilidade nada mais é do que praticar a política da avestruz, esconder a cabeça debaixo da asa”, repreendeu o PP, que exigiu que o governo garanta os direitos dos cidadãos de Ceuta e dê uma resposta a uma situação que, em sua opinião, continua sem solução.
Além disso, o PP acusou o Executivo de não ter adotado medidas como a designação de um comando único ou a aplicação da Lei de Segurança Nacional e questionou se ele será capaz de cumprir seus compromissos de repatriação. Nesse sentido, exigiu “mecanismos extraordinários” e novos acordos com o Marrocos para agilizar os retornos.
VOX ACUSA SÁNCHEZ DE “ENTREGAR” PARTE DO TERRITÓRIO NACIONAL
Por sua vez, o Vox acusou o presidente do Governo, Pedro Sánchez, de protagonizar um “desafio aberto” ao Parlamento e advertiu que adotará “todas as medidas” ao seu alcance para que essa situação “não se imponha”.
Quanto à crise migratória, o partido de Abascal exigiu que se proceda “com caráter de urgência” ao repatriamento de todas as pessoas que entraram ilegalmente na Espanha e destacou que o Marrocos reivindica o retorno de seus cidadãos e que existe um instrumento bilateral para isso que, em sua opinião, o governo não está utilizando.
“O governo de Sánchez tolerou, com sua inação culposa, essa invasão”, concluiu o Vox, que acusou o Executivo de ter “entregado, sem resistência, parte do território nacional à estratégia invasora de uma potência hostil”.
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