Diego Radamés - Europa Press
MADRID, 16 abr. (EUROPA PRESS) -
O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, declarou que considera "curioso" o fato de o juiz Juan Carlos Peinado ter ido ao Palácio Moncloa nesta quarta-feira para interrogar o chefe de Justiça, Félix Bolaños, como testemunha no caso contra a esposa de Pedro Sánchez, Begoña Gómez, quando "nenhuma das partes" o solicitou. Ele também criticou o fato de que se trata de uma investigação na qual "não há um objeto claro e preciso".
Foi o que ele disse quando perguntado sobre a declaração de Bolaños, a quem o juiz intimou pela contratação de Cristina Álvarez como assessora da esposa do Presidente do Governo como funcionária temporária da Moncloa.
Marlaska sustentou que Bolaños foi depor "como corresponde, em cumprimento de um dever e com toda a vontade", às perguntas dos jornalistas quando visitava em Pozuelo de Alarcón as obras da futura sede do Quartel General do Serviço de Informação da Guarda Civil.
Dito isso, ele disse que "o curioso sobre essa declaração é que ela não foi solicitada por nenhuma das partes, nem mesmo pelas acusações".
O ministro demonstrou "todo o respeito pelas resoluções e pelo trabalho de todo o judiciário", mas ressaltou sua experiência de mais de 30 anos no judiciário, "muitos deles como juiz de instrução", para afirmar que o caso contra a esposa de Sánchez é "o paradigma do que não é uma investigação, ao contrário de 99,9% das instruções dos juízes deste país, que são realmente instruções verdadeiras".
Ele continuou mencionando que há "muitos casos abertos sem um objeto específico de investigação". "Acho que ninguém sabe ao certo o que está sendo investigado. Depois de um ano, nenhuma irregularidade foi observada, porque não há irregularidade", acrescentou.
E ele disse que a investigação "já foi desautorizada em elementos substanciais" pelo Tribunal Provincial de Madri, "limitando o objeto da investigação, devido à ausência de provas".
PEINADO "DESCONSIDEROU" A AUDIÊNCIA PROVINCIAL
Marlaska criticou o fato de que o juiz Peinado "desconsiderou essa indicação da superioridade" e, o que "é mais grave para um juiz de instrução", que "procedimentos tão importantes tenham sido anulados por violação de direitos fundamentais, aqueles que limitam os direitos, como entradas e buscas e interceptação de dispositivos eletrônicos dos investigados", como no caso do empresário Juan Carlos Barrabés - lembrou -, também acusado no caso.
"Portanto, acredito que se trata de uma investigação na qual não se observou nenhuma irregularidade, porque não há irregularidade, porque não há um objeto de investigação claro e preciso", insistiu.
E garantiu que acredita que ela está "fadada ao fracasso", por isso espera que, "nesse momento, aqueles que usaram a investigação e continuam a usá-la, como o Partido Popular, possam se desculpar".
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