Publicado 13/08/2026 11:37

Marlaska descarta a possibilidade de Marrocos suspender as extradições com a Espanha, apesar da ameaça do ministro da Justiça

Ele afirma, durante sua visita a Ceuta, que a cooperação com Rabat nessa área “foi, é e será excepcional”

O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, atende à imprensa na Delegação do Governo, em 13 de agosto de 2026, em Ceuta (Espanha). Marlaska voltou a Ceuta para realizar várias reuniões e analisar a evolução da situação
Gabriela Sardá Núñez - Europa Press

MADRID, 13 ago. (EUROPA PRESS) -

O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, descartou a possibilidade de as autoridades marroquinas suspenderem o acordo de extradição com o Marrocos, apesar de o ministro da Justiça do país vizinho ter ameaçado fazê-lo.

“Não consigo vislumbrar nenhuma questão relacionada ao que estão me dizendo”, afirmou em declarações à imprensa nesta quinta-feira, durante sua visita a Ceuta, ao ser questionado sobre as declarações do ministro da Justiça marroquino, Abdellatif Ouahbi, que na véspera disse que se cogitava suspender esse acordo bilateral, por considerar que não há reciprocidade entre as políticas migratórias dos dois países.

Nesse sentido, Ouahbi reclamou que eles impedem a entrada de imigrantes, marroquinos e de outros países, enquanto a Espanha “anuncia que está disposta a receber a todos”; em uma crítica à regularização em massa aprovada recentemente pelo governo de Pedro Sánchez.

ACALMA O CONFLITO COM RABAT

“A cooperação e a coordenação em matéria de extradições com o Reino de Marrocos, bem como na cooperação judicial, sempre foram, são e serão extraordinárias e excepcionais”, respondeu Marlaska, tentando acalmar o conflito com Marrocos, durante sua segunda visita à cidade autônoma após a crise migratória de 30 de julho passado.

Nesse sentido, o ministro do Interior destacou que, antes de se tornar ministro, trabalhou como juiz na Câmara Criminal da Audiencia Nacional, responsável pelo “processamento de todas as extradições”, e, portanto, sabe em primeira mão que Marrocos colaborava nessa matéria.

Ao ser questionado novamente sobre as ameaças proferidas por Rabat, ele reiterou que as relações bilaterais em todas as esferas “são absolutamente estreitas e baseadas na lealdade”. “Não consigo vislumbrar nenhuma questão relacionada ao que estão me dizendo”, observou.

RESPOSTA “EXTRAORDINÁRIA” EM CONJUNTO COM MARROCOS

Assim, ele continuou elogiando a atitude de Marrocos durante esta crise, apesar das acusações de passividade contra as autoridades marroquinas, que permitiram a entrada constante de pessoas durante 24 horas.

Em consonância com a versão oficial repetida pelo governo, ele destacou que a chegada de migrantes em 30 de julho foi um fato “excepcional”, mas que a resposta conjunta também foi “extraordinária” e permitiu que a maioria dos que haviam cruzado a fronteira retornasse nos dias seguintes.

Essa resposta rápida, insiste ele, é consequência de uma relação “de confiança e lealdade” com o Marrocos que, segundo ele, foi forjada nos últimos anos. Desde que está no governo, diz ele, tem testemunhado como essa relação de colaboração e cooperação foi “consolidada”, o que permitiu “desincentivar a migração irregular” e “desmantelar um número significativo de redes criminosas” de tráfico ilegal de migrantes e, portanto, “que muitas pessoas perdessem a vida nessa travessia”.

NEGA RISCO DE TERRORISMO

Por outro lado, o ministro do Interior negou categoricamente que exista risco de terrorismo após a entrada em massa de Ceuta vinda do Marrocos, na qual mais de 70 mil pessoas entraram em apenas um dia. No entanto, ele garantiu que estão “alerta” e “monitorando todas as pessoas que entraram”.

A esse respeito, ele também elogiou a cooperação com o Marrocos que, segundo enfatizou, é “impecável” na luta contra o terrorismo. “É isso que me permite afirmar que não há nenhum risco de terrorismo decorrente dos acontecimentos que vivemos no último dia 30 de julho”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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