Publicado 17/07/2025 06:17

Marlaska anuncia que os crimes de ódio caíram 13,8% e censura os "salvadores" que criminalizam os migrantes

Destaca a reação da Guardia Civil e de outras forças policiais para prender os autores da agressão em Torre Pacheco e evitar incidentes

O Ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, durante a reunião extraordinária da Comissão de Acompanhamento do Terceiro Plano de Ação para Combater os Crimes de Ódio 2025-2028, no Ministério do Interior, em 17 de julho de 2025, em Madri (Espanha).
Eduardo Parra - Europa Press

MADRID, 17 jul. (EUROPA PRESS) -

O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, saudou na quinta-feira a "boa notícia" de que os crimes de ódio cairão 13,8% na Espanha em 2024, de acordo com o relatório que será publicado na íntegra amanhã, embora tenha enfatizado que "não é coincidência" que os incidentes relacionados ao racismo e à xenofobia sejam os mais numerosos.

Marlaska elogiou o trabalho eficaz da Guardia Civil e das forças de segurança na prevenção de incidentes e na prisão das três pessoas envolvidas - a última das quais foi detida pela Ertzaintza no País Basco e está presa - no ataque "inaceitável" a um vizinho em Torre Pacheco (Múrcia), mas também criticou os "salvadores" e "políticos que descaradamente" criminalizam os migrantes e pedem ou apoiam a "caça" de estrangeiros.

Em um discurso na abertura da reunião extraordinária da Comissão de Acompanhamento do Terceiro Plano de Ação para Combater Crimes de Ódio, convocada como resultado dos incidentes em Torre Pacheco, o Ministro do Interior criticou o fato de a cidade de Múrcia ter visto "a estética e os métodos do terror" nos últimos dias.

"A Espanha não precisa de falsos salvadores, mas do trabalho silencioso, responsável e eficaz de profissionais como os das nossas Forças e Corpos de Segurança", disse ele.

DESCULPAS TAMBÉM CONTRA A DISTRIBUIÇÃO DE MENORES MIGRANTES

"Neste momento, não podemos colocar panos quentes ou recorrer a mais eufemismos: é xenofobia, é racismo; e nossa obrigação é denunciar e processar aqueles que atacam e violam nossos valores democráticos e constitucionais, incentivando o ódio com a estética e as formas de terror", continuou.

Marlaska relacionou a rejeição da distribuição de menores migrantes com incidentes recentes. "Vimos isso com os menores desacompanhados e a reação exacerbada das tribunas políticas, vimos isso em Alcalá de Henares e em Torre Pacheco", disse ele, para pedir que o ódio não ganhe terreno porque, enfatizou, "nenhuma estatística sustenta que o aumento da imigração se traduz em um aumento da criminalidade".

"Nunca há um motivo, é sempre uma desculpa, qualquer desculpa serve, para disseminar o ódio", lamentou Marlaska diante de representantes do Ministério do Interior, da Igualdade e da Federação Espanhola de Municípios e Províncias (FEMP), entre outras autoridades e comandantes da polícia.

Para isso, ele se referiu ao seu discurso de 24 de março na apresentação do Terceiro Plano de Ação para Combater os Crimes de Ódio, quando alertou sobre o discurso que "criminaliza os imigrantes e rotula as crianças como criminosas, colocando sob suspeita qualquer traço de diversidade".

SEM COMPLACÊNCIA

O Ministro do Interior reiterou que a Espanha é um país seguro - em comparação com outros países como Itália, Argentina ou EUA - e refutou o discurso anti-imigração da Vox e de "pregadores de extrema direita", apresentando dados como o fato de que os residentes estrangeiros na Espanha aumentaram em quase 54% entre 2011 e 2024, "e nesse período o crime caiu 7 pontos".

Marlaska garantiu que eles não serão "complacentes" com os bons dados da queda de 13,8% nos crimes de ódio no último ano, ressaltando que os especialistas do Ministério do Interior sabem que há uma alta subnotificação desse tipo de crime".

"Não é coincidência que os crimes de ódio racistas e xenófobos sejam os mais numerosos", acrescentou o ministro do Interior, ressaltando que o relatório a ser publicado amanhã incluirá pela primeira vez os crimes de ódio islamofóbicos, de acordo com as recomendações da Agência de Direitos Fundamentais da União Europeia.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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