MARTA FERNÁNDEZ JARA - EUROPA PRESS
MADRID, 17 jun. (EUROPA PRESS) -
O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, lembrou nesta quarta-feira no Congresso que “nem a UCO nem a UDEF proferem sentenças” e que não recebeu nenhuma denúncia judicial sobre possíveis interferências, além de afirmar que seu papel é garantir a neutralidade em investigações como o “caso Leire Díez”, onde se investiga um “escândalo envolvendo fatos muito graves, mas alheios ao Governo e ao Ministério do Interior”.
“Não é a UCO que profere sentenças, não é a UDEF que profere sentenças; elas atuam sob a direção de promotores e juízes, e serão os promotores e juízes que decidirão. Nem a UCO, nem a UDEF, nem ninguém deve fazê-lo”, afirmou Marlaska em uma sessão de controle que coincidiu com o depoimento do ex-presidente do Governo José Luis Rodríguez Zapatero na Audiencia Nacional, e um dia após a comparecimento no Senado da diretora da Guarda Civil, Mercedes González.
O deputado do PP, Miguel Tellado, pediu a Marlaska que renunciasse por permitir que “a cúpula da Guarda Civil conspire contra a própria Guarda Civil”, em alusão aos relatórios da UCO que apontam para pressões sobre os investigadores e a divulgação de informações confidenciais após as reuniões entre Leire Díez e Mercedes González, algo que esta última negou ao se distanciar da suposta trama.
Por sua vez, o deputado do Compromís vinculado ao Sumar, Alberto Ibáñez, pediu para “democratizar” as Forças e Corpos de Segurança do Estado e “parar de tomar café com quem não se deve”, em referência aos encontros entre Mercedes González e Leire Díez. Nos corredores do Congresso, ele também questionou o fato de Mercedes González ter apagado suas mensagens com Leire Díez.
“As escândalos estão sendo investigados, sim, um escândalo e fatos muito graves, é verdade, mas, evidentemente, alheios ao Governo, alheios ao Ministério do Interior”, comentou sobre o ‘caso Leire Díez’, referente a uma suposta trama para anular processos judiciais e prejudicar juízes, promotores e a própria UCO.
OS AGENTES NÃO CONDENAM
Marlaska respondeu às críticas lembrando que o papel da UCO ou da UDEF — que é quem investiga Zapatero — não é “condenar ninguém”, uma vez que se baseiam na “neutralidade”. “São os juízes que deverão, se for o caso, condenar e julgar as provas”, ressaltou.
O ministro defendeu que, ao contrário do que ocorreu com o governo do PP de Mariano Rajoy, seu papel se limita a garantir que ninguém “utilize” nem “instrumentalize” as Forças e Corpos de Segurança do Estado.
“Não creio que o senhor tenha ouvido de nenhum agente da Guarda Civil e, especificamente, da UCO, que tenha havido qualquer interferência, muito pelo contrário”, afirmou Marlaska em resposta a Tellado, que acusou o ministro de perder a honra “por ação e por necessidade do P.S. de encobrir criminosos e tirar membros do ETA da prisão”.
Em sua réplica, Marlaska lembrou que os agentes da UCO, caso sejam pressionados, “dispõem dos canais regulamentares” para denunciar o fato, mas “nunca mencionaram nada a esse respeito”. “Além disso, quando questionados internamente, eles manifestaram exatamente o contrário: respeito pelo seu trabalho”, indicou.
Nesse sentido, ele negou ter recebido reclamações dos juízes. “Não recebi nenhuma reclamação nesse sentido por parte das autoridades judiciais. Você acha que, se houvesse algo, eles não teriam agido? Sejamos todos sérios aqui”, disse ele.
Ele também lembrou que acabaram de aprovar 150 novas vagas para a UCO, cujo quadro de pessoal foi reforçado, assim como o da Polícia Nacional, para “combater a criminalidade, especialmente a corrupção”.
AGRESSÃO A PROFESSORA EM VALÊNCIA
Em resposta ao Sumar, Marlaska reiterou o que já havia dito no Senado sobre o inquérito aberto contra um policial nacional que empurrou uma professora durante um protesto em Valência em defesa da educação pública.
Mais especificamente, o ministro afirmou que não tem nenhum problema em reconhecer que, em sua opinião, foi uma atuação “alheia aos princípios da proporcionalidade”, mas que se tratou de um caso isolado e que é preciso respeitar a investigação judicial em andamento.
O deputado Alberto Ibáñez pediu ao ministro que não negasse que há policiais que “não tratam da mesma forma” uma professora da rede pública de ensino quanto à ex-líder do PP, Esperanza Aguirre, ou “um homem branco quanto a um homem negro, um neonazista, um torcedor radical de futebol ou um ativista pró-Palestina, em comparação com Rafa Mir ou com as jovens vítimas de abuso”.
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