M. Dylan - Europa Press - Arquivo
PALMA 27 fev. (EUROPA PRESS) - Duas das três embarcações desaparecidas com 81 pessoas a bordo, entre elas dois bebês e uma dezena de mulheres, que nos últimos dias haviam partido da Argélia com destino às Ilhas Baleares, foram localizadas pela Marinha argelina.
Por sua vez, um avião da Frontex e outro da Guarda Civil continuam as tarefas de busca para tentar localizar a terceira embarcação. Vale lembrar que os trabalhos se concentram no sul de Cabrera, após o alerta lançado pela ONG Caminando Fronteras.
O dispositivo de busca foi ativado na tarde desta quinta-feira, depois que a organização transmitiu essa informação à administração, que por sua vez foi comunicada pelos familiares das potenciais vítimas. Ao longo da quinta-feira, segundo informações da Delegação do Governo nas Ilhas Baleares, um avião da Frontex já realizou várias buscas para tentar localizar essas embarcações.
A busca concentra-se na zona sul de Cabrera, embora as equipes não disponham de coordenadas concretas para delimitar a operação.
DOIS BEBÊS E UMA DEZENHA DE MULHERES A organização Caminando Fronteras alertou nesta quinta-feira sobre o desaparecimento de pelo menos três embarcações com 81 migrantes, entre eles dois bebês e uma dezena de mulheres, que nos últimos dias haviam partido da Argélia com destino às Ilhas Baleares.
Os três desaparecimentos, sobre os quais alertaram os familiares das potenciais vítimas, ocorrem enquanto, ao longo desta semana, chegaram ao arquipélago 410 migrantes a bordo de 23 embarcações.
Segundo explicou à Europa Press a responsável da Caminando Fronteras, Helena Maleno, com base nas informações de que dispõem, duas dessas embarcações partiram da costa da Argélia no domingo passado. Uma delas transportava 29 pessoas de origem subsaariana e a segunda, outras 30 pessoas subsaarianas, entre elas três mulheres e dois bebês.
A terceira embarcação que foi dada como desaparecida partiu na terça-feira com 22 pessoas a bordo, entre elas sete mulheres. Todos eram nacionais da Somália, exceto um, de origem sudanesa. A organização está em contato com as famílias das potenciais vítimas, que entraram em contato com eles por não terem notícias do seu paradeiro, apesar de já terem passado alguns dias desde que partiram da Argélia, e oferecendo-lhes acompanhamento.
Também transmitiram esta informação à Salvamento Marítimo para que eventualmente possam realizar uma busca por estas embarcações. Por exemplo, forneceram o número de telefone de um dos migrantes que está a bordo da embarcação que partiu na terça-feira, que, no entanto, não dá sinal.
De acordo com o relatório “Monitoramento do direito à vida”, elaborado anualmente pela Caminando Fronteras, em 2025 pelo menos 1.037 migrantes desapareceram enquanto tentavam cruzar a conhecida rota argelina, que liga o país magrebino às Ilhas Baleares e ao leste da Península Ibérica.
O arquipélago, de acordo com a ONG, tornou-se a parte “mais perigosa” dessa travessia e é hoje um “laboratório da necrofrontiera”, ou seja, “um espaço em que convergem a criminalização, a necropolítica e a erosão progressiva do direito internacional, especialmente no que diz respeito à proteção do direito à vida”.
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