Jesús Hellín - Europa Press
MADRID, 5 jul. (EUROPA PRESS) -
A ministra da Defesa, Margarita Robles, afirmou que a Espanha é um “aliado confiável, responsável e sério” dentro da OTAN e garantiu que, apesar do que diga o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os comandantes da Aliança Atlântica “sabem que a Espanha está cumprindo” seus compromissos.
“Quando o presidente Trump fala, não se refere apenas à Espanha. O que há é uma irritação com a Europa. Podemos ir [a Ancara] de cabeça erguida. Os comandantes militares da OTAN sabem que a Espanha cumpre e estão cientes de nossas mobilizações, tanto em pessoal quanto em recursos e capacidades”, garantiu a ministra em entrevista concedida neste domingo ao ‘El País’, divulgada pela Europa Press, na qual ela anuncia que, nas próximas semanas, apresentará ao Conselho de Ministros um plano com 15 novos programas militares para garantir que, neste ano, os gastos com defesa atinjam novamente os 2%.
Robles respondeu assim depois que Trump criticou a Espanha nos últimos meses por seu nível de gastos com defesa. “Todos os países da Aliança Atlântica sabem que isso não é verdade”, afirmou ela, antes de destacar que a Espanha conta com quase 3.000 militares mobilizados em missões da OTAN, é o principal contribuinte para a Força de Resposta Rápida, o segundo para a Polícia Aérea do Báltico e o quarto para as mobilizações navais. “Não se trata de declarações, mas de fatos”, ressaltou.
Nesta terça-feira, Robles participará da cúpula da OTAN em Ancara (Turquia) “de cabeça erguida” e minimizou as avaliações de outros países, garantindo que “elas não correspondem à realidade”. “Temos respeito por todos os países, é claro que pelos EUA, mas devemos nos sentir muito orgulhosos do compromisso da Espanha”, destacou.
Em relação ao fortalecimento da defesa europeia, Robles defendeu que a Europa “precisa se preparar para assumir um papel mais importante caso os Estados Unidos reduzam sua presença no continente”, embora tenha admitido que “isso não é fácil”. Nesse contexto, lamentou especialmente a situação do programa europeu do futuro sistema aéreo de combate (FCAS), ao considerar que a indústria de defesa europeia “muitas vezes não está à altura das circunstâncias”.
Sobre a anunciada revisão do destacamento militar norte-americano na Europa, a ministra sinalizou que o governo não tem conhecimento de que isso possa afetar as bases de Rota e Morón. “Os Estados Unidos afirmaram que vão reduzir sua presença na Europa. Não é algo novo, vem do governo Biden e até mesmo do governo Obama, mas o presidente Trump tornou isso mais explícito. Não temos notícias de que essa redução possa afetar a Espanha. Na semana passada, estive em Rota com comandantes americanos, e há uma perspectiva de futuro para continuarmos trabalhando lá”, afirmou.
Nesse sentido, ela ressaltou que a Espanha é um país “sério e responsável” que não precisa de “guardiões nem que ninguém lhe dê lições”. Questionada sobre a situação no Oriente Médio, Robles indicou que a Espanha participa “sempre” de missões de paz, embora tenha esclarecido que a situação no Estreito de Ormuz “não é de paz” porque “infelizmente ainda há ataques”.
DIRETORA DA GUARDA CIVIL
Com relação à investigação que envolve a diretora da Guarda Civil, ela pediu que se respeite a presunção de inocência e que se deixe a Justiça agir.
“Não cabe a mim manter a confiança na direção da Guarda Civil. A Guarda Civil pertence ao Ministério do Interior”, declarou.
Ao mesmo tempo, reiterou seu compromisso com a “tolerância zero com a corrupção” e rejeitou a existência de dois pesos e duas medidas nos tribunais, insistindo que “uma justiça lenta não é justiça”, mas também não o é “a justiça paralela”.
Por fim, a ministra rejeitou as críticas sobre a atuação da Unidade Militar de Emergências (UME) durante a tempestade em Valência, afirmando que aqueles que sustentam que a UME chegou antes à Venezuela do que à emergência valenciana “sabem que estão mentindo” e qualificou essas afirmações de “mesquinhez”.
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