VALÊNCIA 25 jun. (EUROPA PRESS) -
O instituto de pesquisa em saúde Incliva, do Hospital Clínico Universitário de Valência, realizou um estudo sobre o controle do colesterol que adota uma abordagem longitudinal para analisar dinamicamente essa variável ao longo do tempo e sua relação com os resultados clínicos dos pacientes. De acordo com esse estudo, manter o colesterol sob controle a longo prazo reduz o risco cardiovascular após um infarto.
Os resultados da pesquisa, publicados na revista científica American Journal of Preventive Cardiology, trazem uma nova perspectiva sobre o controle do colesterol LDL (c-LDL), conhecido como “colesterol ruim”, um dos principais objetivos de prevenção após sofrer um infarto ou um evento coronariano agudo, explica o centro de pesquisa.
Apesar de haver recomendações muito firmes a esse respeito nas diretrizes de prática clínica (manter valores inferiores a 55 mg/dl) e de se dispor de tratamentos hipolipemiantes (para reduzir os níveis de lipídios no sangue) muito potentes, inúmeros estudos realizados mostram que o controle do c-LDL na prevenção cardiovascular secundária é abaixo do ideal. No entanto, a grande maioria dos estudos registra um valor específico de c-LDL em um determinado momento, sem levar em conta sua natureza dinâmica e sua variabilidade ao longo do tempo.
O ponto de partida desta pesquisa foi justamente coletar não apenas uma medição de c-LDL em um momento específico, mas todas as medições de c-LDL nos pacientes desde a internação por síndrome coronariana aguda até o presente. Para isso, foram coletadas um total de 6.547 medições de c-LDL em 636 pacientes, o que equivale a uma mediana de 14 por paciente.
Essa abordagem permitiu estudar o colesterol como uma variável longitudinal e dinâmica ao longo do tempo, o que proporcionou uma visão mais completa de sua evolução. Dessa forma, observou-se que apenas em uma de cada quatro medições realizadas o c-LDL foi inferior a 55 mg/dl.
Além disso, constatou-se que a trajetória longitudinal do c-LDL se associou de forma muito intensa ao risco de morte por causas cardiovasculares durante o acompanhamento, sobretudo com o passar do tempo após o evento (no caso deste estudo, a partir do terceiro ano após a internação), o que reflete a importância do controle inadequado e prolongado do c-LDL nesses pacientes.
O estudo foi coordenado pelos doutores Enrique Santas e Rafael de la Espriella, do Grupo de Pesquisa em Insuficiência Cardíaca do Incliva, coordenado pelo doutor Julio Núñez. Também participaram o Grupo de Pesquisa em Cardiologia Clínica do instituto, coordenado pelo Dr. Juan Sanchis, e os serviços de Cardiologia, Bioquímica Clínica e Patologia Molecular do Clínico de Valência, sob a coordenação de seu chefe de serviço, o Dr. Enrique Rodríguez. Núñez, Sanchis e De la Espriella fazem parte do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede em Doenças Cardiovasculares (CiberCV), do Instituto de Saúde Carlos III.
CONTROLE DO “COLESTEROL RUIM”
“Nosso estudo apresenta duas conclusões importantes. Em primeiro lugar, observamos que o controle do c-LDL em nossa população continua sendo abaixo do ideal, sendo necessário implementar iniciativas que permitam melhorá-lo. Em segundo lugar, fica demonstrado que o impacto prognóstico do controle inadequado do c-LDL é fundamentalmente importante quando já passou algum tempo desde o evento, situação em que, muitas vezes, o paciente já está fora do ‘radar’ da cardiologia. Nesse cenário, acreditamos que seja fundamental trabalhar em colaboração com a atenção primária para coordenar os níveis de atendimento, reforçar a adesão, evitar a inércia terapêutica e conseguir manter um controle ideal ao longo do tempo”, explica o Dr. Enrique Santas.
O aspecto “mais inovador” desta pesquisa é a abordagem longitudinal e a metodologia estatística, uma vez que a variável c-LDL foi avaliada como uma variável dinâmica ao longo do tempo, aplicando-se metodologias estatísticas adequadas para realizar esse tipo de análise, “que é complexa”. Para isso, os pesquisadores realizaram um grande esforço para obter todas as medições ao longo do tempo, que totalizaram mais de 6.000.
O projeto foi realizado graças ao financiamento do CiberCV e a uma bolsa de pesquisa sem restrições da Daiichi-Sankyo.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático