Publicado 21/05/2026 12:03

A manobra de Rufián abala a esquerda: Comuns solicita uma reunião, IU manifesta reservas e Sumar elogia a iniciativa

O porta-voz do ERC no Congresso, Gabriel Rufián, durante um colóquio organizado pelo Clube Siglo XXI, em 20 de maio de 2026, em Madri (Espanha). l.
Ricardo Rubio - Europa Press

O Podemos demonstra sua disposição de colaborar, mas respeitando os prazos do ERC, enquanto Colau e Bustinduy comemoram a busca pela unidade

MADRID, 21 maio (EUROPA PRESS) -

Vários partidos e líderes da esquerda alternativa apoiaram a iniciativa do porta-voz do ERC no Congresso, Gabriel Rufián, de se candidatar para liderar uma ampla frente se isso contribuir para a unidade, embora o Comuns e a IU exijam que ele esclareça e concretize o alcance de sua proposta.

A formação liderada por Antonio Maíllo não esconde suas reticências em relação à fórmula do dirigente republicano, já que o porta-voz parlamentar da IU, Enrique Santiago, não vê um projeto nacional para o país e alerta contra os “egos desmedidos” e o “risco das hiperlideranças”.

Por sua vez, o Podemos voltou a se mostrar disposto a explorar uma chapa eleitoral entre Rufián e a ex-ministra da Igualdade Irene Montero — ambos participaram de um evento em Barcelona —, embora tenha optado pela prudência depois que o deputado se candidatou como possível candidato, demonstrando respeito pelo ERC, que até o momento se distanciou de hipotéticas alianças com a esquerda nacional.

Após as eleições andaluzas de 17 de março, Rufián vem defendendo que este é o momento da esquerda soberanista e que deve se envolver na liderança da reorganização desse espaço político ao lado dos partidos estatais. No entanto, nesta quarta-feira, ele deixou claro pela primeira vez que estava disposto a liderar uma candidatura se isso contribuísse para forjar uma frente unificada da esquerda.

Uma sacudida no tabuleiro que ocorre após o tropeço que representaram as eleições na Andaluzia para a esquerda estatal, estagnada em cinco cadeiras e “ultrapassada” por uma formação como a Adelante, que defende o enraizamento territorial, enquanto os partidos da Sumar no governo continuam reforçando sua aliança eleitoral, mas sem candidato nem marca eleitoral.

RUFIÁN PRECISA ESCLARECER SUAS INTENÇÕES

Os Comuns, por exemplo, aceitaram o desafio de Rufián e o instaram a convocar uma reunião para que ele detalhe seus planos e esclareça se sua iniciativa significa que se emancipou do ERC, conforme comentou a presidente da formação no Parlamento, Jéssica Albiach. Dessa forma, ela enfatizou que o ERC se distanciou dessa proposta e rejeita alianças com a esquerda nacional.

A ex-prefeita de Barcelona, Ada Colau, considerou “maravilhoso” que Rufián se candidate, mas insistiu que “é preciso sentar-se já e começar a definir qual poderia ser essa fórmula para criar um espaço onde ninguém fique de fora”. Ela também sugeriu que o líder republicano tem “algum pequeno problema em casa”, aludindo novamente à postura da direção do ERC.

IU NÃO QUER “EGOS DESMEDIDOS” NEM UMA ESQUERDA “FRAGMENTADA”

As principais suspeitas em relação ao movimento de Rufián foram expressas pela IU, que está disposta a estudar sua proposta, mas o insta a esclarecê-la, alertando que, à primeira vista, não vêem um projeto nacional para o país como expôs Enrique Santiago.

Além disso, a IU rebateu que a esquerda nacional não é o problema, em clara alusão à mensagem nas redes sociais do próprio porta-voz do ERC após as eleições de 17 de maio, e advertiu que se opõe aos “egos desmedidos” e ao “risco de hiperlideranças”.

Antes de Rufián se mostrar aberto a liderar uma possível frente de esquerda, o coordenador federal da IU, Antonio Maíllo, proclamou que a posição de sua formação é federal e que iria combater a tentação de criar uma “esquerda fragmentada”, ao considerar que esse modelo deixa o caminho livre para o PSOE nas eleições gerais. Maíllo também declarou que a IU negocia propostas com organizações políticas e não com pessoas.

Do lado do Más Madrid, admitiram que é “inegável” que o porta-voz do ERC no Congresso, Gabriel Rufián, é um trunfo eleitoral e afirmaram que “tudo o que contribua para ganhar cadeiras à direita é bem-vindo”, nas palavras de sua porta-voz na Assembleia Regional, Manuela Bergerot.

Dentro da coalizão que constitui o parceiro minoritário do Executivo, a avaliação mais otimista vem do Movimento Sumar, que saudou o passo dado por Rufián e destacou que era uma “obrigação” de todos “construir frentes amplas”.

Enquanto isso, a secretária-geral do Podemos, Ione Belarra, continuou a alimentar a possibilidade de uma colaboração eleitoral com Rufián, baseada na parceria com Irene Montero, mas em um tom mais cauteloso e apelando para que agora fosse necessário respeitar os prazos do próprio porta-voz e do ERC. O coportavo do Podemos, Pablo Fernández, explicou que o rearmamento do espaço passa pela construção de uma esquerda estatal e plurinacional, uma aposta iniciada pelo Podemos.

PASSO “CORAJOSO”

Entre os líderes políticos que avaliaram como uma boa notícia as intenções de Rufián está o ministro dos Direitos Sociais, Pablo Bustinduy, que considerou positiva sua proposta de unir a esquerda para formar um projeto viável e sólido para as próximas eleições gerais.

Por sua vez, o porta-voz adjunto do Sumar no Congresso e deputado do Compromís, Alberto Ibáñez, classificou como “passo corajoso” a manobra do líder do ERC, a quem considera um “bom líder”. Ele também apelou à prudência para que as direções dos partidos assimilem a proposta, pois às vezes “têm dificuldade em entender as reivindicações da rua”.

Outro que avaliou positivamente a iniciativa do republicano foi o ex-ministro e ex-líder da IU, Alberto Garzón, para quem seria até mesmo “desejável” que ele pudesse se candidatar à liderança do espaço, já que agora é o principal trunfo político, goste-se ou não, e sua liderança pode ser fundamental para alcançar a unidade da esquerda.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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