Jesús Hellín - Europa Press
O partido Podemos critica o fato de os três primeiros lugares do Eurovision terem sido conquistados por candidatos “financiados com fundos israelenses”
MADRID, 17 maio (EUROPA PRESS) -
Cerca de 1.300 pessoas, segundo dados da Delegação do Governo, se manifestaram em Madri neste domingo para pedir o “boicote” e o fim das relações com Israel, coincidindo com o 78º aniversário da Nakba.
A manifestação começou pouco depois das 12h em Atocha e terminou em Callao sob o lema “Não à Nakba, Não ao genocídio, Não à guerra, Não à censura", e foi organizada pela Rede Solidária Contra a Ocupação e a Colonização da Palestina (RESCOP), pela Associação Hispano-Palestina de Jerusalém, pelo movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) de Madri e pela No Somos Delito, entre outros.
Durante o percurso, os participantes, muitos deles vestidos com kufiyas, carregaram bandeiras palestinas e entoaram cantos e slogans como “que ninguém te conquiste, Palestina resiste” ou “onde estão, não se veem, as sanções a Israel”. Além disso, os participantes pediram ao presidente do Governo, Pedro Sánchez, que feche a embaixada de Israel na Espanha.
A manifestação contou com a presença da secretária política do Podemos e eurodeputada Irene Montero, que denunciou que “há 78 anos, Israel arrasou suas cidades, arrasou suas aldeias, destruiu suas casas, expulsou-os de suas aldeias e de suas cidades”, referindo-se aos sobreviventes da Nakba palestina.
Montero destacou que a situação dos refugiados palestinos permanece inalterada até hoje, já que “Israel continua bombardeando impunemente o Líbano, bombardeando Gaza, cometendo um genocídio, um plano de extermínio de todo o povo palestino”.
Da mesma forma, a secretária política do Podemos enfatizou que “todas essas pessoas e sobreviventes, que somam quase 6 milhões de refugiados e refugiadas palestinos”, continuam impedidos de “voltar para suas casas” após quase oito décadas. “O mundo fica mais perigoso se normalizarmos um genocídio”, afirmou Montero, ao mesmo tempo em que convocou a retomada da mobilização cidadã “para quebrar novamente o silêncio”.
CANDIDATURAS À EUROVISÃO “FINANCIADAS” POR ISRAEL
A secretária política do Podemos criticou o fato de que, na final do Festival da Eurovisão realizada neste sábado, na qual Israel ficou em segundo lugar com 343 pontos — 123 do júri profissional e 220 do voto do público —, as três candidaturas que ficaram em primeiro lugar, Bulgária, Israel e Romênia, “são financiadas com fundos israelenses”.
“A própria organização do Eurovision reconheceu que Israel manipula o voto do público e que há irregularidades no voto do público. Acredito que o boicote a Israel é a única coisa que se pode fazer e é extremamente urgente que acabemos já com a cumplicidade da Europa com o Estado terrorista de Israel”, afirmou a líder sobre uma das edições mais polêmicas do Eurovision devido à participação de Israel e da qual cinco países se retiraram, entre eles a Espanha.
Nesse sentido, Montero pediu o fim das relações comerciais, militares e diplomáticas “até que Israel pare, seja desarmado e a Palestina possa ser livre do rio ao mar”.
"Não vamos parar, não apenas até que o genocídio termine, mas até que a ocupação termine e até que cada palestino e palestina, cada sobrevivente da Nakba e cada descendente, cada filho e filha da Nakba possam retornar legitimamente aos seus países", expressou.
EXIGEM O FIM DAS RELAÇÕES COM ISRAEL
A porta-voz da campanha pelo Fim do Comércio de Armas com Israel, Laura Ferre, exigiu o embargo de armas a Israel, considerando que o comércio atual é “ilegal e moralmente inaceitável”, conforme afirmou em declarações à Europa Press durante a manifestação. “Estamos comemorando o 78º aniversário da Nakba. Exigimos que a Espanha cumpra a legalidade e imponha um embargo de armas a Israel", declarou.
Nadwa Abu-Ghazaleh, do BDS Madrid, concordou com ela e enfatizou ainda que a situação continua "tão grave" quanto há dois anos, "com bombardeios constantes e um bloqueio que impede a entrada de ajuda humanitária". Outros participantes, como Ana, da Global Sumud Flotilla, e Raquel, da Marea Palestina, denunciaram o aumento dos assentamentos ilegais e a “violência contínua” contra os palestinos.
No manifesto da convocação, as organizações signatárias exigiram “coerência” do governo. “Deve pôr fim a todas as relações militares, econômicas, culturais, acadêmicas e diplomáticas com Israel. Os dados mais recentes do Centre Delàs demonstram que as relações em matéria de armamento entre a Espanha e Israel praticamente não diminuíram”, afirma o documento.
“O ‘Não à guerra’ deve traduzir-se num embargo de armas a Israel, no fim de todas as relações com o Estado genocida e no fechamento de todas as bases militares americanas”, insistiram as organizações convocantes no documento.
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