MÁLAGA 10 mar. (EUROPA PRESS) - A diretora Bàrbara Farré apresentou nesta terça-feira “Mala bèstia” na 29ª edição do Festival de Málaga, filme que concorre na seção oficial. Este longa-metragem conta uma história fantástica sobre o medo do abandono na transição para a maturidade. “Mala bèstia” gira em torno de Atenea, uma menina que vive em um internato, agarrada à ideia de não crescer. Quando um casal decide acolhê-la, abre-se para ela a possibilidade de um lar que ela não está disposta a perder. Mas logo o medo de ser substituída despertará em Atenea um instinto que a levará a fazer o inimaginável. A coletiva de imprensa no cinema Albéniz contou com a presença da diretora Bàrbara Farré, acompanhada pelas atrizes Iria del Río e Maria Schwinning, além do diretor de fotografia e produtor Lucas Casanovas e do produtor Jofre Farré.
“Estou muito emocionada por estar aqui, por voltar a Málaga depois de muitos anos, porque estive aqui com meu primeiro curta-metragem”, começou explicando a diretora Bàrbara Farré. Não é uma obra fácil a que a cineasta barcelonesa trouxe para o Festival de Málaga. “É um filme que não nasceu de uma premissa muito clara que eu tinha em mente, mas sim uma história que de alguma forma chegou até mim, acho que para me ensinar algo, para que eu também pudesse fazer uma viagem interior”, confessou Farré. “Há algo na ambiguidade que acho muito atraente. A ambiguidade no sentido de não dar respostas claras”, reconheceu a diretora de 'Mala bèstia', um filme de fantasia que pode não parecer ser. O que 'Mala bèstia' relata é a jornada para a maturidade com toques de terror de sua protagonista. “Quando você cresce, sendo criança, não sabe muito bem a que se agarrar, não sabe muito bem o que está sentindo. O que você sabe é que seu corpo de menina está sendo expulso para se tornar o de uma mulher”, compartilhou Farré. “Transitar por todos esses sentimentos é o que me pareceu interessante. Não quero ficar com uma premissa clara, não quero ficar com uma ideia muito fixa. O que me interessa neste filme é o que ele faz sentir”, sublinhou a diretora catalã.
Quase todo o peso dramático deste filme de verdades veladas e insinuações aterrorizantes recaiu sobre Maria Schwinning, uma atriz quase estreante: “Eu já fiz um filme antes, mas é verdade, este é meu primeiro filme como protagonista. Foi um trabalho muito especial para mim”. “Foi muito bonito poder criar a personagem Atenea com Bàrbara. Passamos alguns meses trabalhando juntas, criando-a. E depois poder compartilhar toda essa experiência com atores maravilhosos como Iria", disse emocionada a jovem atriz valenciana, protagonista de 'Mala bèstia'. Sua mãe nesta ficção, a atriz Iria del Río, elogiou sua colega: "Para mim, trabalhar com Maria também foi um prazer. A forma como María enfrentou o projeto, creio eu, não corresponde à sua idade. Ela é muito madura e profissional, e eu também aprendi muito observando-a.” “É bonito quando você já passou por isso, já fez outras coisas e consegue vislumbrar e lembrar o que sentia quando estava lá pelas primeiras vezes”, explicou Iria del Río sobre a possibilidade de trabalhar com uma quase estreante.
Sobre a origem de 'Mala bèstia', a sua realizadora e argumentista contou as suas motivações: “A ideia surgiu do interesse que sempre tive em filmar a adolescência, em filmar o desconforto, o medo, o desejo”.
A partir dessa ideia inicial de rodar um filme sobre a adolescência, o caminho terminou no fantástico. “É um género que nem sempre está ligado a algo extraordinário, a algo imenso. Para mim, o fantástico pode ser uma simples emoção”. Embora Farré tenha tido em consideração algumas referências cinematográficas para “Mala bèstia”, a sua origem é mais literária. Em particular, no gênero da narrativa breve, e mais concretamente “em alguns contos de Silvina Ocampo”, que lhe foram mostrados pelo roteirista Alberto Dexeus, e nos quais descobriu “como ela tratava as meninas. Como mostrava em seus contos meninas que são incorretas em muitos sentidos e que podem ter uma parte de maldade às vezes”.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático