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As organizações organizadoras condenam “a repressão” e estimam o número de participantes em “dezenas de milhares” na capital e “mais de um milhão” em toda a Argentina
MADRID, 16 out. (EUROPA PRESS) -
Pelo menos 31 pessoas foram detidas após os distúrbios ocorridos no final da quinta e massiva Marcha Federal Universitária, realizada nesta quinta-feira em Buenos Aires —com manifestações semelhantes em outras cidades da Argentina—, que reivindica o cumprimento da Lei de Financiamento Universitário e que foi palco de confrontos nos quais as forças de segurança lançaram gás lacrimogêneo e utilizaram caminhões de água.
Especificamente, a Polícia da Cidade de Buenos Aires deteve seis pessoas, todas após o término da marcha. A primeira, pouco depois das cinco da tarde (hora local), foi um adolescente de 14 anos que teria atirado pedras contra um veículo policial. Pouco depois, policiais da cidade de Buenos Aires prenderam mais cinco manifestantes, todos acusados de agressão e resistência à autoridade, com exceção do único menor de idade, de 17 anos, que fazia parte do grupo, conforme informou o jornal “La Nación”.
O mesmo jornal informa que, além disso, as autoridades nacionais prenderam outras 25 pessoas nos acessos à estação ferroviária do bairro de Constitución, na zona sul da cidade, segundo o Ministério da Segurança.
O ministério informou que um total de oito policiais ficaram feridos: quatro da Gendarmeria, dois da Polícia Federal e dois da Prefeitura Naval, enquanto a administração de Buenos Aires estimou em 90 milhões de pesos argentinos (53.000 euros) os danos causados pelos distúrbios, conforme divulgado pelo jornal “Clarín”.
Após as manifestações, a ministra da Segurança da Argentina, Alejandra Monteoliva, declarou nas redes sociais que “quem agredir nossos agentes, destruir bens públicos ou cometer crimes deverá responder perante a Justiça”, alegando que “na Argentina, ninguém está acima da lei”.
Nesse sentido, o ministério que ela dirige já indicou que está trabalhando em uma denúncia criminal contra as pessoas envolvidas nos distúrbios, às quais atribui os crimes de “resistência e agressão à autoridade; atentado à ordem constitucional; e dano agravado”, segundo o jornal “La Nación”.
A resposta policial, com gás lacrimogêneo e canhões de água, não ficou isenta de críticas, chegando a afetar as deputadas Cecilia Moreau, Agustina Propato e Carlos Castagneto, que se encontravam nas proximidades do prédio anexo da Câmara dos Deputados, atingidos pelos projéteis das forças de segurança, o que fez com que Moreau acabasse sendo atendida por equipe médica.
DEZENAS DE MILHARES DE PARTICIPANTES, SEGUNDO AS ORGANIZAÇÕES ORGANIZADORAS
Por sua vez, as principais organizações envolvidas protestaram contra a intervenção da tropa de choque, com destaque para a Frente Sindical das Universidades Nacionais, a Federação Universitária Argentina (FUA) e o Conselho Interuniversitário Nacional (CIN).
“Repudiamos veementemente a repressão e a violência que obrigaram a suspender o evento principal em Buenos Aires antes mesmo de ele terminar”, afirmaram em um comunicado conjunto, no qual declaram que as “quatro marchas absolutamente massivas” realizadas em ocasiões anteriores, a última delas no mês de maio passado, não foram “controladas pelas forças de segurança e nunca houve um único incidente”, da mesma forma que “em todo o país milhares de pessoas se manifestaram hoje pacificamente e sem problemas”.
A manifestação, na qual afirmaram ter reunido “dezenas de milhares de argentinas e argentinos”, decorria “dentro dos limites da democracia e do respeito às instituições” até a intervenção policial. “Foi o governo nacional que tomou a decisão de reprimir, ultrapassando todos os limites”, denunciaram, apontando diretamente para o governo de Milei.
No entanto, as organizações signatárias ressaltaram que “a teimosia e a violência não ofuscam a manifestação, que mais uma vez reuniu uma multidão em todo o país”, estimada em “mais de um milhão de pessoas em toda a Argentina”.
O protesto exige “o cumprimento da Lei de Financiamento Universitário, aprovada pelo Congresso e validada pela Justiça em diversas instâncias, mas que o Poder Executivo se recusa a cumprir há quase um ano”, ressalta o texto, que alega que “a resposta e a ação repressiva confirmam que o descumprimento da lei de financiamento não é um problema de disponibilidade de recursos, mas de vontade e decisão”. “Continuaremos até que a lei seja cumprida”, acrescenta.
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