Europa Press/Contacto/Abdullah Tepeli
MADRID 6 jul. (EUROPA PRESS) -
As autoridades da Turquia prenderam mais de cem pessoas que participavam, no domingo, de uma marcha contra a OTAN na capital, Ancara, em vista da cúpula que a Aliança Atlântica realizará nesta semana, conforme denunciou o Partido Comunista Turco (TKP), que afirmou que sete de seus membros ficaram feridos durante os protestos.
A manifestação foi convocada apesar das restrições impostas pelas autoridades em vista da referida cúpula —que ocorrerá nos dias 7 e 8 de julho—, incluindo proibições de manifestações e reforços de segurança em vários pontos da cidade, que também sofreu o fechamento de várias ruas e rodovias como parte desse dispositivo.
De acordo com informações coletadas pelo jornal turco “Cumhuriyet”, a polícia bloqueou o caminho da marcha e, posteriormente, atacou os participantes, que entoavam slogans como “OTAN assassina, fora do nosso país”. Os policiais utilizaram gás lacrimogêneo contra os presentes, sem que haja, até o momento, um balanço oficial de feridos.
O TKP indicou, em uma mensagem nas redes sociais, que sete de seus membros “receberam fortes golpes na cabeça devido à violência policial”, antes de acrescentar que alguns deles apresentam “fraturas”. “Estamos acompanhando de perto o estado de nossos camaradas feridos e detidos. Libertem imediatamente os detidos”, enfatizou.
A marcha em Ancara foi acompanhada por outra manifestação em Istambul, onde os manifestantes marcharam do Centro Cultural Ataturk, na Praça Taksim, em direção ao Palácio de Dolmabahçe, empunhando bandeiras nas quais se lia ‘Fora a OTAN, confiscem as bases. Abaixo o imperialismo’.
O secretário-geral do TKP, Kemal Okuyan, dirigiu-se também aos manifestantes em Istambul para pedir “que o honrado, patriótico e revolucionário povo da Turquia se levante” para conseguir a saída da OTAN. “Não aceitemos a humilhação nem façamos parte de acordos de guerra suja”, disse o político.
O governo turco não se pronunciou sobre as manifestações, que ocorreram horas depois de as autoridades anunciarem a prisão de cerca de 40 pessoas suspeitas de “terrorismo”, incluindo jornalistas, professores universitários e militantes de grupos de esquerda, em uma operação direcionada em parte contra o grupo Caminho Revolucionário (DEV YOL), sucessor do histórico Partido-Frente Popular de Libertação da Turquia (THKP-C) — fundado na década de 1970 e considerado uma organização terrorista por Ancara —.
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