Publicado 23/03/2026 12:45

Mais de 54% dos cidadãos italianos rejeitam a reforma judicial de Meloni, segundo resultados preliminares

23 de março de 2026, Roma, Itália: A primeira-ministra Giorgia Meloni vota no referendo constitucional sobre a justiça. Roma, 23 de março de 2026
Europa Press/Contacto/Francesco Fotia

MADRID 23 mar. (EUROPA PRESS) -

Mais de 54% dos cidadãos italianos votaram contra a reforma judicial promovida pelo governo da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, no âmbito do referendo realizado durante dois dias no país, segundo resultados preliminares.

De acordo com os dados divulgados pelo Ministério do Interior italiano, 54,54% dos cidadãos rejeitaram a reforma judicial, contra 45,69% que apoiaram a iniciativa, com metade dos votos apurados, sendo a taxa de participação de 58,51% nos dois dias de consulta popular.

As seções eleitorais fecharam nesta segunda-feira por volta das 15h (hora local), após dois dias de votação. A questão que os cidadãos italianos tiveram de responder diz respeito a uma reforma dos artigos 87, 102, 104, 105, 106, 107 e 110 da Constituição.

A reforma, extremamente complexa e com aspectos muito técnicos, propõe, em linhas gerais, separar as carreiras de juízes e promotores em dois órgãos distintos, com dois conselhos superiores da magistratura separados, que funcionem de forma autônoma, e um novo órgão disciplinar comum para os magistrados.

Um dos pontos mais controversos é que alguns membros do Conselho Superior da Magistratura — composto por 33 membros, dos quais 20 são eleitos pelos próprios magistrados e outros dez pelo Parlamento — sejam selecionados por sorteio, um mecanismo defendido pelo Governo para pôr fim ao chamado “faccionalismo”.

Os críticos da medida argumentam que o sorteio eliminaria a representatividade sem garantir a imparcialidade, gerando assim uma forte assimetria entre os cargos eleitos pelo Parlamento e aqueles eleitos pelos magistrados, que não terão legitimidade e serão mais suscetíveis a influências políticas.

A oposição afirma ainda que a separação de carreiras é um problema inexistente, uma vez que a mudança de um cargo para outro só é permitida uma vez e durante os primeiros dez anos de carreira, com a condição de se transferir para outro distrito judicial ou região a fim de garantir a imparcialidade.

Por outro lado, transformar os promotores em um órgão independente — regulado por seu próprio conselho superior — acarretaria, na opinião de seus detratores, o risco de afastá-los de uma cultura profissional compartilhada com os juízes e poderia torná-los, assim, figuras mais semelhantes a agentes de polícia, dando lugar a uma lógica de resultados, com preferência por obter mais prisões e condenações.

A medida também não consegue mitigar as ineficiências do sistema judicial, segundo afirma a oposição, uma vez que multiplica os custos e a burocracia, atribuindo as mesmas funções que um único órgão desempenha a três diferentes.

A oposição a Meloni também levanta dúvidas sobre a convocação do referendo, uma vez que, se o governo quisesse intervir para separar as carreiras judiciais, bastaria propor uma lei ordinária. A consulta, além disso, é um referendo confirmatório no qual não é necessário atingir nenhum quórum para que seja válido.

A legislação — proposta por Silvio Berlusconi durante seu mandato como primeiro-ministro no contexto do escândalo “Mãos Limpas” — já havia sido aprovada pelo Parlamento em outubro de 2025; no entanto, por se tratar de uma reforma constitucional, precisava ser aprovada por consulta popular, uma vez que não obteve dois terços dos votos na Câmara.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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