Publicado 19/08/2026 10:17

Mais de 50% dos habitantes da África Ocidental e 45% dos marroquinos já pensaram em emigrar

De acordo com o Afrobarômetro, a Europa é o destino preferido para quem já pensou em deixar seu país

Archivo - Arquivo - Várias pessoas saem do Centro de Estadia Temporária de Imigrantes (CETI) de Ceuta, em 24 de fevereiro de 2026, em Ceuta (Espanha). Desde janeiro, mais de 500 usuários foram transferidos, embora as instalações continuem superlotadas.
Antonio Sempere - Europa Press - Arquivo

MADRID, 19 ago. (EUROPA PRESS) -

Mais de 50% dos habitantes dos países da África Ocidental e 45% dos marroquinos já pensaram, em algum momento, em deixar seus países em busca de um futuro melhor, tendo a Europa como principal destino, embora sem deixar de considerar a América do Norte, conforme revela uma pesquisa publicada pelo Afrobarômetro, que destaca as diferenças regionais dentro da África no que diz respeito às perspectivas de migração.

45% dos entrevistados nos 38 países onde foi realizado o estudo “African Insights 2026. Além das fronteiras: Perspectivas dos cidadãos em uma ordem mundial em transformação’, afirmaram ter considerado a possibilidade de se mudar para outro país, incluindo 25% que afirmam pensar nisso “muito”. A pesquisa foi realizada entre janeiro de 2024 e setembro de 2025.

O dado é especialmente significativo entre aqueles que vivem em países da África Ocidental — a região mais próxima das costas espanholas, principalmente do arquipélago das Canárias —, onde 57% admitem ter pensado nisso, com 34% ponderando essa possibilidade com muita frequência. Destaca-se aqui o caso da Gâmbia, onde o número chega a 68%, com 53% que pensam “muito” em emigrar — o maior índice em todo o continente.

GÂMBIA, LIBÉRIA, GUINÉ-BISSAU

A porcentagem daqueles que pensam com frequência em emigrar também é especialmente significativa na Libéria (51%), na Guiné-Bissau (49%), em Gana (44%), em Cabo Verde (40%) e na Serra Leoa (38%), enquanto no Senegal, um dos países de onde frequentemente partem embarcações precárias rumo às Ilhas Canárias, o número é de 29%.

No que diz respeito ao Norte da África, a outra região mais próxima das costas europeias, o estudo, consultado pela Europa Press, inclui apenas dados de Marrocos e da Mauritânia, países de origem das embarcações com destino à Espanha, bem como da Tunísia, de onde partem embarcações rumo à Itália, mas deixa de fora outros países, como a Argélia ou a Líbia.

Nesse caso, a média é de 36%, com apenas 16% afirmando pensar em emigrar com frequência. Embora haja mais tunisianos que pensam muito em deixar seu país — 26% —, o total de marroquinos que, de alguma forma, consideram tentar a sorte fora do reino alawita chega a 45% — muito (16%), um pouco (11%) ou ligeiramente (18%)—, em comparação com os 36% dos habitantes do primeiro país. No que diz respeito à Mauritânia, os números são baixos, com 29% que já pensaram nisso, embora apenas 7% pensem com frequência em deixar o país.

A perspectiva de emigrar está menos presente na mente daqueles que vivem na África Oriental, com 16% que afirmam pensar “muito” em fazê-lo; na África Meridional, com 23%; ou na África Central, com 24%.

Conforme destaca o Afrobarômetro, o número de pessoas que ponderam deixar seu país sofreu um “aumento substancial” quando comparado ao resultado da rodada realizada entre 2016 e 2018 em 31 dos países analisados nesta ocasião. Assim, o número de pessoas que pensam muito em emigrar passou de 18% para 25%, com um aumento de 24 pontos em países como Gâmbia ou Gana.

JOVENS E COM NÍVEL DE ENSINO SUPERIOR SÃO OS QUE MAIS PENSAM NISSO

Por outro lado, a pesquisa confirma que são os mais jovens e aqueles com maior nível de escolaridade os mais propensos a emigrar. Assim, é três vezes mais provável que aqueles com idades entre 18 e 35 anos pensem seriamente em deixar seu país do que aqueles com mais de 55 anos — 32% contra 11% —. O índice é especialmente elevado entre os jovens da Gâmbia (62%), da Libéria (59%), de Gana (55%), da Guiné-Bissau (53%) e da Tunísia (51%).

No que diz respeito ao nível de escolaridade, o percentual daqueles com ensino superior que pensam mais em emigrar é de 31%, contra 18% dos que não possuem escolaridade, 20% dos que têm apenas o ensino fundamental e 29% dos que possuem o ensino médio. Por gênero, há mais homens (28%) do que mulheres (23%), enquanto também se observa um interesse maior entre aqueles que residem em áreas urbanas (29%) do que em áreas rurais (20%).

Embora a diferença em relação à situação econômica daqueles que pensam em emigrar seja de apenas 7 pontos (20% entre aqueles que não sabem o que é a pobreza e 27% entre aqueles que a sofrem em toda a sua crueza), o estudo constata que a motivação econômica é o principal argumento para deixar o próprio país.

Assim, quando questionados sobre o motivo que os levaria a emigrar, 50% respondem que seria a busca por emprego, enquanto 29% afirmam que o fariam para fugir da pobreza ou de problemas econômicos. A isso somam-se 4% que afirmam que o fariam por motivos educacionais, 3% que o fariam por razões políticas, como democracia e liberdades, e 3% que citam viagens e turismo.

A EUROPA COMO DESTINO FINAL

No que diz respeito ao local para o qual estariam dispostos a emigrar, o Afrobarômetro também constata diferenças em nível regional, embora a Europa surja como o principal destino almejado. O Velho Continente é a opção citada por 32% dos entrevistados, seguido de perto pela América do Norte, com 28%, enquanto 16% se voltam para outros destinos, como o Oriente Médio, a Ásia, a América Latina ou a Oceania.

Em contrapartida, 22% indicam que iriam para outro país de sua região (17%) ou para outro país africano (5%), um dado que sofreu uma clara queda em relação à pesquisa realizada entre 2016 e 2018. Na época, o dado nos 31 países pesquisados era de 36%, enquanto agora a média de todos eles se situa em 26%.

Nesse período, o interesse pela América do Norte passou de 21% para 28%, embora os autores do estudo ressaltem que a pesquisa foi realizada em grande parte antes do início, em janeiro de 2026, do segundo mandato de Donald Trump nos Estados Unidos, enquanto a disposição de emigrar para a Europa subiu dois pontos, chegando a 29%.

Nesse aspecto, também fica evidente a diferença regional, com maior interesse em emigrar para o Velho Continente entre aqueles que vivem mais próximos. Especificamente, essa é a opção preferida por 49% dos norte-africanos entrevistados e por 39% dos habitantes da África Ocidental, à frente da América do Norte, com 28% e 34%, respectivamente.

A Europa é o destino preferido de 59% dos marroquinos, 56% dos tunisianos e 25% dos mauritanos, enquanto esse número chega a 75% no caso dos originários da Guiné-Bissau ou a 61% entre os de Cabo Verde, entre outros.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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