Antonio Sempere - Europa Press - Arquivo
MADRID, 19 ago. (EUROPA PRESS) -
Mais de 50% dos habitantes dos países da África Ocidental e 45% dos marroquinos já pensaram, em algum momento, em deixar seus países em busca de um futuro melhor, tendo a Europa como principal destino, embora sem deixar de considerar a América do Norte, conforme revela uma pesquisa publicada pelo Afrobarômetro, que destaca as diferenças regionais dentro da África no que diz respeito às perspectivas de migração.
45% dos entrevistados nos 38 países onde foi realizado o estudo “African Insights 2026. Além das fronteiras: Perspectivas dos cidadãos em uma ordem mundial em transformação’, afirmaram ter considerado a possibilidade de se mudar para outro país, incluindo 25% que afirmam pensar nisso “muito”. A pesquisa foi realizada entre janeiro de 2024 e setembro de 2025.
O dado é especialmente significativo entre aqueles que vivem em países da África Ocidental — a região mais próxima das costas espanholas, principalmente do arquipélago das Canárias —, onde 57% admitem ter pensado nisso, com 34% ponderando essa possibilidade com muita frequência. Destaca-se aqui o caso da Gâmbia, onde o número chega a 68%, com 53% que pensam “muito” em emigrar — o maior índice em todo o continente.
GÂMBIA, LIBÉRIA, GUINÉ-BISSAU
A porcentagem daqueles que pensam com frequência em emigrar também é especialmente significativa na Libéria (51%), na Guiné-Bissau (49%), em Gana (44%), em Cabo Verde (40%) e na Serra Leoa (38%), enquanto no Senegal, um dos países de onde frequentemente partem embarcações precárias rumo às Ilhas Canárias, o número é de 29%.
No que diz respeito ao Norte da África, a outra região mais próxima das costas europeias, o estudo, consultado pela Europa Press, inclui apenas dados de Marrocos e da Mauritânia, países de origem das embarcações com destino à Espanha, bem como da Tunísia, de onde partem embarcações rumo à Itália, mas deixa de fora outros países, como a Argélia ou a Líbia.
Nesse caso, a média é de 36%, com apenas 16% afirmando pensar em emigrar com frequência. Embora haja mais tunisianos que pensam muito em deixar seu país — 26% —, o total de marroquinos que, de alguma forma, consideram tentar a sorte fora do reino alawita chega a 45% — muito (16%), um pouco (11%) ou ligeiramente (18%)—, em comparação com os 36% dos habitantes do primeiro país. No que diz respeito à Mauritânia, os números são baixos, com 29% que já pensaram nisso, embora apenas 7% pensem com frequência em deixar o país.
A perspectiva de emigrar está menos presente na mente daqueles que vivem na África Oriental, com 16% que afirmam pensar “muito” em fazê-lo; na África Meridional, com 23%; ou na África Central, com 24%.
Conforme destaca o Afrobarômetro, o número de pessoas que ponderam deixar seu país sofreu um “aumento substancial” quando comparado ao resultado da rodada realizada entre 2016 e 2018 em 31 dos países analisados nesta ocasião. Assim, o número de pessoas que pensam muito em emigrar passou de 18% para 25%, com um aumento de 24 pontos em países como Gâmbia ou Gana.
JOVENS E COM NÍVEL DE ENSINO SUPERIOR SÃO OS QUE MAIS PENSAM NISSO
Por outro lado, a pesquisa confirma que são os mais jovens e aqueles com maior nível de escolaridade os mais propensos a emigrar. Assim, é três vezes mais provável que aqueles com idades entre 18 e 35 anos pensem seriamente em deixar seu país do que aqueles com mais de 55 anos — 32% contra 11% —. O índice é especialmente elevado entre os jovens da Gâmbia (62%), da Libéria (59%), de Gana (55%), da Guiné-Bissau (53%) e da Tunísia (51%).
No que diz respeito ao nível de escolaridade, o percentual daqueles com ensino superior que pensam mais em emigrar é de 31%, contra 18% dos que não possuem escolaridade, 20% dos que têm apenas o ensino fundamental e 29% dos que possuem o ensino médio. Por gênero, há mais homens (28%) do que mulheres (23%), enquanto também se observa um interesse maior entre aqueles que residem em áreas urbanas (29%) do que em áreas rurais (20%).
Embora a diferença em relação à situação econômica daqueles que pensam em emigrar seja de apenas 7 pontos (20% entre aqueles que não sabem o que é a pobreza e 27% entre aqueles que a sofrem em toda a sua crueza), o estudo constata que a motivação econômica é o principal argumento para deixar o próprio país.
Assim, quando questionados sobre o motivo que os levaria a emigrar, 50% respondem que seria a busca por emprego, enquanto 29% afirmam que o fariam para fugir da pobreza ou de problemas econômicos. A isso somam-se 4% que afirmam que o fariam por motivos educacionais, 3% que o fariam por razões políticas, como democracia e liberdades, e 3% que citam viagens e turismo.
A EUROPA COMO DESTINO FINAL
No que diz respeito ao local para o qual estariam dispostos a emigrar, o Afrobarômetro também constata diferenças em nível regional, embora a Europa surja como o principal destino almejado. O Velho Continente é a opção citada por 32% dos entrevistados, seguido de perto pela América do Norte, com 28%, enquanto 16% se voltam para outros destinos, como o Oriente Médio, a Ásia, a América Latina ou a Oceania.
Em contrapartida, 22% indicam que iriam para outro país de sua região (17%) ou para outro país africano (5%), um dado que sofreu uma clara queda em relação à pesquisa realizada entre 2016 e 2018. Na época, o dado nos 31 países pesquisados era de 36%, enquanto agora a média de todos eles se situa em 26%.
Nesse período, o interesse pela América do Norte passou de 21% para 28%, embora os autores do estudo ressaltem que a pesquisa foi realizada em grande parte antes do início, em janeiro de 2026, do segundo mandato de Donald Trump nos Estados Unidos, enquanto a disposição de emigrar para a Europa subiu dois pontos, chegando a 29%.
Nesse aspecto, também fica evidente a diferença regional, com maior interesse em emigrar para o Velho Continente entre aqueles que vivem mais próximos. Especificamente, essa é a opção preferida por 49% dos norte-africanos entrevistados e por 39% dos habitantes da África Ocidental, à frente da América do Norte, com 28% e 34%, respectivamente.
A Europa é o destino preferido de 59% dos marroquinos, 56% dos tunisianos e 25% dos mauritanos, enquanto esse número chega a 75% no caso dos originários da Guiné-Bissau ou a 61% entre os de Cabo Verde, entre outros.
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