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A nova marcha "No Kings" (Sem Reis) denunciará os esforços de "coroação" do presidente.
Os republicanos condenam uma tática de adiamento em meio à paralisação do governo e um exercício de "ódio contra a América"
MADRID, 17 (EUROPA PRESS)
Milhões de pessoas, segundo os organizadores, percorrerão as ruas de mais de 2.500 cidades dos Estados Unidos neste sábado na segunda edição da marcha "No Kings", que esperam que seja a maior manifestação contra o que descrevem como a deriva autoritária que a segunda administração Trump está estabelecendo no país, cujos apoiadores condenaram como uma manifestação de "ódio contra a América" e uma nova obstrução democrata em meio à paralisação do governo.
Trump abordou precisamente essa questão nesta sexta-feira em uma entrevista ao canal econômico Fox News, na qual apontou diretamente para o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer. "Não há mais nada que ele possa fazer. Todo mundo está batendo nele", denunciou o presidente, como já havia feito horas antes o presidente da Câmara dos Deputados, o republicano Mike Johnson.
"Fomos informados de que os democratas não vão continuar negociando a reabertura do governo até que essa manifestação ocorra, porque não são capazes de enfrentar sua base raivosa", indicou Johnson, antes de descrever a manifestação como uma demonstração de ódio liderada por simpatizantes do movimento islâmico palestino Hamas e do grupo "antifa", os grupos antifascistas que o governo Trump descreveu como uma organização terrorista.
A porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, não deu a mínima para o que acontecerá amanhã: "Quem se importa", disse ela.
O fato é que Johnson está parcialmente certo em sua crítica. Os organizadores da marcha denunciaram que "ele está ficando sem desculpas para manter o governo fechado", mas eles entendem que esse bloqueio é um sintoma do autoritarismo que está sendo exibido por Trump e Johnson, que não estão exatamente fazendo o impossível para renegociar a reabertura com o partido democrata.
"Em vez de reabrir o governo, em vez de preservar a assistência médica para todos, em vez de reduzir o custo para as famílias trabalhadoras, Johnson decidiu atacar milhões de americanos que estão se reunindo em paz para dizer que a América pertence ao povo, não aos reis", diz a coalizão de organizadores, que reúne autoridades do Partido Democrata e mais de 200 organizadores cívicos progressistas, incluindo sindicatos.
WASHINGTON D.C. SERÁ TINGIDA DE AMARELO
Os organizadores aconselharam os manifestantes a usarem amarelo, escolhido por sua afinidade simbólica com os protestos pró-democracia de 2019 em Hong Kong. "Com essa cor, nos alinhamos a um contexto histórico: uma bandeira otimista e visível que carrega o peso da luta democrática e da dissidência não violenta", explicam em seu site, "e um lembrete de que o poder deve emanar do povo, não de coroas".
A marcha principal, como foi o caso da primeira edição em junho, ocorrerá em Washington D.C., atualmente sob o comando de um contingente da Guarda Nacional para, de acordo com a Casa Branca, conter o crime na capital do país. Para os críticos, esse é mais um episódio do esforço da Casa Branca para consolidar seu poder por meio de intimidação e silenciar a dissidência.
Em junho, os organizadores estimaram que cinco milhões de pessoas participaram daquele dia de protestos, mas preveem um comparecimento ainda maior neste fim de semana, com marchas particularmente significativas em Nova York, São Francisco, Boston, Atlanta, Chicago, Kansas e Honolulu, que se estenderão internacionalmente com manifestações em Londres, Paris, Frankfurt e, na Espanha, em Madri (Puerta del Sol), Barcelona (Plaza de Sant Jaume), Sevilha (Plaza Nueva - Monumento a San Fernando) e Málaga (Plaza de la Marina).
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