Gabriela Sardá Núñez - Europa Press
CEUTA 18 set. (EUROPA PRESS) -
Mais de 2.000 migrantes retornaram aos assentamentos nas praias de Trampolín e Benítez, em Ceuta, após a lotação máxima do centro de acolhimento provisório instalado no porto da cidade ter sido atingida.
A Secretaria de Meio Ambiente, Serviços Urbanos e Habitação suspendeu a limpeza e a desinfecção das praias, que estavam previstas para quando os migrantes fossem removidos. A prefeitura se recusou a ordenar a limpeza dos acampamentos enquanto ainda houver milhares de pessoas dentro deles.
Até a transferência desta sexta-feira, estimava-se que mais de 4.000 pessoas em situação irregular habitavam os barracos nas praias. Desse total, apenas 1.700 puderam ser acolhidas no acampamento de Muelle de Poniente durante uma operação marcada por tensão na primeira fase e por ordem no acesso ao interior, uma vez que o agrupamento foi estabelecido longe do centro de acolhimento.
A entrada dos migrantes nas instalações próximas ao Porto ocorreu aproximadamente entre 9h30 e 12h. Ao meio-dia, as pessoas que aguardavam atrás do cordão policial formado junto ao polígono industrial que leva ao porto — para organizar o traslado — e que não conseguiram acessar o local começaram a voltar para seus assentamentos.
Nos barracos de Benítez, os migrantes que retornaram começaram a vasculhar as cabanas deixadas vazias por aqueles que conseguiram garantir uma vaga no centro de acolhimento. Eles as pegam para levá-las para suas próprias barracas ou para vendê-las.
Na praia de Benítez, um dos migrantes começou a vender os cobertores que encontrou sem dono após a transferência em massa.
Os acampamentos de ambas as praias voltaram a ser ocupados por, pelo menos, 2.000 migrantes. Além dos marroquinos que retornaram após terem ficado de fora do acampamento do Porto, também chegaram ao Trampolín e a Benítez migrantes que não moravam ali, mas em outras áreas nas montanhas.
De acordo com fontes consultadas por esta agência, os migrantes acreditam que as duas praias são a etapa prévia para serem acolhidos em instalações provisórias. E, para eles, ter acesso aos recursos de acolhimento os aproxima mais da regularização de sua situação.
Os migrantes continuam com esperança de que lhes seja concedido o asilo, apesar de o governo ter insistido que o asilo será negado a todos os marroquinos que não tenham direito à proteção internacional. Por exemplo, aqueles que alegarem motivos econômicos. E, segundo fontes policiais consultadas pela Europa Press, a maioria dos migrantes alega esses motivos.
Com o transferência de hoje, o governo nacional já disponibilizou 6.000 vagas de acolhimento provisório para os migrantes que chegaram a Ceuta durante a entrada em massa dos dias 30 e 31 de julho. A Cidade Autônoma estima que ainda haja mais de 5.000 nas ruas.
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