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MADRI, 29 jun. (EUROPA PRESS) -
O governo do Iraque informou nesta segunda-feira a prisão de 21 pessoas como parte da operação anticorrupção iniciada no fim de semana na capital do país, Bagdá, e que, até o momento, resultou em 47 detidos, entre eles vários deputados supostamente ligados a uma grande rede de corrupção revelada pelo ex-vice-ministro do Petróleo, Adnan al Jumaili.
“Os mandados de prisão resultaram na detenção de 21 pessoas envolvidas, enquanto outras continuam foragidas e as autoridades competentes prosseguem com sua busca”, afirmou o porta-voz do Executivo, Haider al Abudi, em uma coletiva de imprensa divulgada pela agência de notícias iraquiana Shafaq.
Abudi defendeu a operação, que continua em andamento, como parte das “obrigações constitucionais de proteger os recursos públicos” e, nesse sentido, destacou que “os esforços anticorrupção atuais diferem dos do passado”. “Os esforços anticorrupção não vão parar por aqui e continuarão perseguindo todos os envolvidos e recuperando os recursos públicos”, garantiu ele, antes de se gabar de uma operação “sem precedentes” no país.
Assim, o porta-voz do Executivo anunciou a criação de uma “conta especial” onde serão depositados os fundos recuperados daqueles que participaram de casos de “enriquecimento ilícito”, o que, segundo ele, é uma “ordem” do primeiro-ministro, Ali al Zaidi, ao ministro das Finanças do país, Falé al Sari.
Quanto à operação iniciada no fim de semana na Zona Verde de Bagdá, o distrito fortificado que abriga as principais embaixadas e instituições do governo do Iraque, ele destacou que a operação foi realizada com base nas “confissões” de Al Jumaili, preso no mês passado sob a acusação de desvio ilegal de recursos arrecadados em até quatro grandes refinarias do país e de financiamento ilegal de partidos políticos.
“As investigações revelaram uma rede de indivíduos envolvidos na (...) desvio de fundos públicos”, relatou ele, ao mesmo tempo em que tentou dissociar a operação da visita do primeiro-ministro Zaidi a Washington, prevista para meados de julho.
O chefe do Executivo, por sua vez, indicou que a recente onda de prisões é “apenas a primeira fase” dos “esforços” das novas autoridades iraquianas para combater a corrupção e recuperar os recursos desviados.
Nesse sentido, ele enfatizou que o povo “confiou” ao governo a missão de “salvaguardar” seus interesses e que, portanto, “não haverá tolerância alguma” para cumprir essa missão. “A situação não pode mais ser ignorada (...) O Iraque suportou décadas de guerras, instabilidade e luta contra o terrorismo”, lamentou Zaidi durante uma reunião do Conselho de Ministros, na qual defendeu o “rumo fundamentalmente diferente” de seu Executivo em relação aos governos anteriores, ao “garantir seu controle exclusivo sobre as armas e o uso da força, e impedir que indivíduos corruptos explorem as instituições estatais para roubar recursos públicos”.
O Iraque é um país-chave na guerra entre o Irã, os Estados Unidos e Israel, dada a enorme influência de Teerã sobre Bagdá. Os Estados Unidos exigiram do novo governo duas prioridades: limitar a influência das milícias pró-iranianas e empreender, de uma vez por todas, uma “limpeza” contra a corrupção.
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