CEUTA, 9 ago. (EUROPA PRESS) -
Mais de 15.000 ceutianos participaram neste domingo de uma manifestação convocada pelas Quatro Culturas, as principais confissões religiosas da cidade, segundo números fornecidos pelos organizadores. Estiveram presentes cidadãos que professam o cristianismo, o islamismo, o hinduísmo e o judaísmo. Seus representantes exigiram “respostas” das autoridades espanholas e europeias e uma “atenção urgente” diante da crise migratória.
A manifestação ocorreu na Praça da Constituição sob o lema “Chega. Ceuta não desiste”. Os manifestantes defenderam a “convivência” e a unidade de Ceuta, empunhando bandeiras da Espanha e de Ceuta e entoando slogans relacionados à situação migratória e à defesa da identidade espanhola da cidade.
O evento contou com a presença do presidente da cidade autônoma, Juan Vivas, do Partido Popular, e de membros de seu governo, bem como de representantes do Ceuta Ya!, do PSOE e do Movimento pela Dignidade e pela Cidadania (MDyC). O partido Vox não participou da manifestação.
Os representantes das Quatro Culturas leram um manifesto no qual exigiram do Governo da Espanha, das instituições europeias e das demais administrações públicas uma resposta à situação pela qual Ceuta está passando.
O presidente da Comunidade Hindú e porta-voz do comitê organizador, Ramesh Chandiramani, foi o responsável por ler o texto. Antes de sua intervenção, os presentes guardaram um minuto de silêncio em memória das vítimas da entrada em massa registrada no último dia 30 de julho, 83 delas apenas em águas espanholas.
SITUAÇÃO “EXTRAORDINARIAMENTE CRÍTICA”
As Quatro Culturas manifestaram sua vontade de ser “parte da solução” e defenderam que a manifestação foi realizada para expressar o que une os ceutianos “acima de qualquer diferença de credo, cultura, origem ou tradição”.
Assim, destacaram que Ceuta passou por “uma situação extraordinariamente crítica” após o que definiram como “uma violação da integridade territorial”.
Os representantes religiosos exigiram “meios suficientes, recursos humanos e materiais, atenção prioritária às nossas fronteiras e uma resposta estável” que permita garantir a segurança, a assistência humanitária, a proteção dos serviços públicos e o bem-estar dos cidadãos.
Insistiram que sua reivindicação não surgiu “da rejeição a ninguém, mas da responsabilidade para com todos” e apontaram a defesa da convivência como um dos principais objetivos da mobilização.
PRESERVAR A SEGURANÇA E A COESÃO SOCIAL
Nesse contexto, exigiram que as medidas adotadas permitam proteger a dignidade das pessoas, garantir a segurança da população, preservar a coesão social e evitar que a falta de recursos gere “tensão, medo ou confronto”. “Ceuta não pode enfrentar sozinha uma situação que ultrapassa amplamente suas capacidades e que afeta toda a Espanha e a Europa”, destacaram no manifesto.
Os representantes das confissões religiosas também apelaram aos “valores de paz, fraternidade, solidariedade, justiça e ajuda ao próximo” que, segundo destacaram, são compartilhados por suas respectivas tradições. E concluíram com um apelo à “responsabilidade, compromisso e respostas” às autoridades, à “solidariedade” da sociedade espanhola e à “serenidade, confiança e unidade” dos ceutianos.
UMA MARCHA ESPONTÂNEA
Assim que o ato oficial foi encerrado, boa parte dos participantes iniciou uma marcha espontânea em direção à Praça dos Reis, onde fica a sede da Delegação do Governo.
Os participantes exigiram a renúncia do delegado do Governo em Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano, e entoaram slogans contra o Executivo central e seus responsáveis políticos.
Entre os slogans, ouviram-se pedidos para que o delegado “assuma a responsabilidade” e abandone seu gabinete, além de críticas ao presidente do Governo, Pedro Sánchez, e ao ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.
A Polícia Nacional montou um dispositivo de segurança nas imediações da Delegação do Governo, com vários veículos policiais e agentes da tropa de choque, e restringiu o acesso ao prédio.
Os participantes também exigiram o retorno dos migrantes que permanecem em Ceuta após a entrada em massa e proferiram slogans contra a presença irregular de estrangeiros na cidade.
A manifestação foi encerrada depois que os participantes permaneceram por mais de meia hora na Praça dos Reis, sem que o delegado do Governo tivesse saído da sede.
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