Gabriela Sardá Núñez - Europa Press
Os organizadores do protesto exigem “um reforço na fronteira e expulsões imediatas”, bem como o fim das “regularizações em massa”
CEUTA, 20 set. (EUROPA PRESS) -
Mais de mil moradores de Ceuta marcharam neste domingo do centro da cidade até a fronteira de Tarajal, em uma manifestação convocada pela Federação Provincial de Associações de Moradores (FPAV) para reivindicar a espanholidade de Ceuta e exigir medidas de proteção da fronteira diante da crise migratória.
O protesto, que reuniu manifestantes a pé e mais de uma centena de motociclistas, terminou nas proximidades do posto de fronteira com gritos dirigidos a Marrocos e à União Europeia, entre eles “Marrocos, canalha, isso é dos caballas” e “Europa, ouve, Ceuta é a sua luta!”.
A mobilização começou pouco depois das 11h45, quando cerca de 500 pessoas se reuniram nas proximidades da esplanada Juan Carlos I, atrás de uma faixa com o slogan “S.O.S. Ceuta invadida”. Os participantes exibiram bandeiras de Ceuta, da Espanha e da União Europeia.
Paralelamente, cerca de 120 motocicletas, com mais de 200 pessoas entre pilotos e acompanhantes, se reuniram na avenida Alcalde Sánchez Prado, aguardando o início do trajeto em direção à fronteira. Ao longo da marcha, mais motociclistas foram se juntando ao grupo.
Ambas as mobilizações se uniram pouco depois das 12h na estrada que leva ao Tarajal e seguiram juntas até as proximidades do posto de fronteira, onde os manifestantes se reuniram e os motociclistas desceram de suas motos para se juntar ao protesto a pé.
A marcha foi escoltada durante todo o trajeto por vários veículos da Polícia Nacional, além de contar com a presença da Guarda Civil e de militares. Os participantes dedicaram aplausos e gritos de agradecimento aos agentes das Forças e Órgãos de Segurança e aos membros das Forças Armadas destacados na cidade.
MENSAGENS À UE
A União Europeia ocupou um papel central nas mensagens transmitidas durante a mobilização, na qual os participantes entoaram várias vezes “Europa, ouve: Ceuta é a sua luta!”, em consonância com o conteúdo do manifesto elaborado pela FPAV.
Os responsáveis da FPAV, identificados durante o protesto com coletes amarelos, decidiram não ler publicamente o manifesto ao chegar à fronteira devido ao clima gerado entre os participantes.
Conforme explicaram à Europa Press, a pessoa encarregada de levar o documento sofreu um incidente alheio à manifestação que a impediu de chegar a tempo para a leitura, embora o texto tenha sido distribuído posteriormente à imprensa.
No documento, a federação afirma dirigir-se “à opinião pública, às instituições nacionais e à comunidade internacional” para “levantar a voz” em defesa da terra, dos cidadãos e da “integridade territorial” de Ceuta. A federação qualifica a situação de “invasão” e denuncia “uma violação sistemática de nossas fronteiras, colonizadas pela inércia alheia”.
A organização sustenta, ainda, que a segurança e a paz social de uma população foram abaladas; população essa que, em sua opinião, “se sente desprotegida diante da chantagem fronteiriça daqueles que utilizam os movimentos em massa de pessoas como arma de pressão geopolítica”.
O manifesto também inclui um agradecimento à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, por suas palavras de apoio a Ceuta durante sua intervenção no Parlamento Europeu por ocasião do debate sobre o Estado da União Europeia. “A fronteira de Ceuta é uma fronteira europeia. Porque Ceuta é Espanha. Ceuta é a Europa. E a Europa estará ao lado de vocês”, disse Von der Leyen.
Além disso, a federação cita a recente resolução do Parlamento Europeu sobre a instrumentalização da migração irregular como uma “ferramenta de guerra híbrida contra a integridade territorial” da Espanha e afirma que as instituições europeias tomaram conhecimento da situação de Ceuta.
Com base nessas considerações, a FPAV apresenta quatro exigências às autoridades espanholas e europeias: um “fortalecimento imediato da fronteira”, “expulsões imediatas”, o reforço da segurança nas ruas e o fim das “regularizações em massa”.
Em relação ao controle de fronteiras, a federação reivindica uma “mobilização permanente e inflexível das forças de segurança necessárias para garantir o controle absoluto da fronteira pelo Estado espanhol” e solicita a aplicação das “leis de emergência da UE para repatriar imediatamente aqueles que entrarem ilegalmente”.
“CEUTA NÃO É UM ACAMPAMENTO”
A federação exige, além disso, que se recupere a tranquilidade nos bairros, ressaltando que “Ceuta não é um acampamento”, e que se ponha fim às políticas que, segundo sua avaliação, possam gerar um “efeito de atração”.
A FPAV conclui seu manifesto afirmando que a população de Ceuta demonstrou “uma resiliência e uma serenidade extraordinárias” e adverte que “a paciência de seus cidadãos tem um limite”. “Exigimos segurança, exigimos respeito e exigimos que as palavras de apoio institucional se traduzam em ações concretas para proteger nossa terra”, conclui o documento.
A mobilização se insere no contexto dos sucessivos protestos realizados em Ceuta nas últimas semanas, em decorrência da crise migratória e da pressão sobre a fronteira.
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