Publicado 16/08/2026 07:10

Maíllo pede mais “determinação” ao PSOE em relação ao Orçamento, pois seria “uma farsa” apresentá-lo para depois não aprová-lo

O coordenador federal da IU, Antonio Maíllo, durante uma entrevista à Europa Press, em 6 de agosto de 2026, em Madri (Espanha). Antonio Maíllo Cañadas é um filólogo, professor do ensino médio e político espanhol que atualmente exerce o cargo de co
Diego Radamés - Europa Press

Incentiva a “intervir sem medo” no mercado imobiliário: “Cada imóvel turístico representa a supressão de um direito humano”

MADRID, 16 ago. (EUROPA PRESSS) -

O coordenador federal da Izquierda Unida, Antonio Maíllo, exigiu da ala socialista do governo mais “determinação” no Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2027, alertou que seria “uma farsa” apresentá-lo para depois não aprová-lo e exigiu que sejam incluídas medidas para “intervir sem medo” no mercado imobiliário.

“Todo governo que se preze precisa apresentar um Orçamento”, ressaltou Maíllo em entrevista à Europa Press, na qual lembrou que a IU vem solicitando, sem sucesso, nos últimos anos, que as contas públicas sejam levadas ao Parlamento. “Felizmente, já fomos ouvidos para 2027. Mas também afirmamos algo muito sério: que os Orçamentos são apresentados para serem aprovados e que seria uma fraude contra a sociedade apresentar um Orçamento sabendo de antemão que ele não seria aprovado”, afirmou.

Nesse contexto, Maíllo admite que, em seu partido, estão “cientes de que falta vigor nessa vontade de que os Orçamentos sejam elaborados e apresentados com o objetivo de serem aprovados” e reivindica que se “esgotem todas as vias” para que sejam aprovados. Em sua opinião, deve ser “um Orçamento tal que ninguém ouse se opor a ele, pois isso representaria um custo em termos políticos e eleitorais”.

NÃO BASTA CONSTRUIR, É PRECISO GERIR O “ENTRETANTO”

E define a habitação como a prioridade do que seriam as primeiras contas públicas da legislatura. “O grande desafio e a questão pendente é a habitação, e já não se trata de um planejamento de longo prazo com a construção de moradias públicas, mas sim do ‘enquanto isso’”, esclarece Maíllo, que insiste na necessidade de agir para garantir “preços acessíveis”.

Nesse contexto, ele considera imprescindível aproveitar o Orçamento para realizar “uma intervenção no mercado” que não apenas contemple a prorrogação dos aluguéis que o Governo pretende aprovar em setembro por meio de um novo decreto-lei, mas também uma moratória sobre os apartamentos turísticos.

Assim, ele reivindica “propostas de incentivos fiscais para a conversão de imóveis turísticos em moradias de uso não temporário, mas permanente”, de modo que “seja mais lucrativo para os proprietários voltar a ter imóveis para aluguel permanente, em vez de como imóveis turísticos”.

“Cada imóvel turístico representa a privação do direito humano à moradia de famílias ou de jovens que desejam se emancipar e, por isso, é preciso intervir no mercado sem medo”, enfatizou, apelando também à assinatura de acordos com as prefeituras para “superar os obstáculos à aplicação da Lei da Moradia que estão sendo criados pelas comunidades autônomas”.

Por outro lado, o líder da IU voltou a criticar o aumento dos gastos militares, ressaltando que, nesse ponto, os socialistas “não vão encontrá-los” e aproveitou para se orgulhar das reformas nas leis de dependência promovidas pelo ministro dos Direitos Sociais, Pablo Bustinduy, que “dobraram os recursos destinados à dependência, tirando máscaras e desculpas dos governos autônomos”.

NÃO VERIA MAL UMA REUNIÃO ENTRE SÁNCHEZ E PUIGDEMONT

Questionado se o presidente do Governo, Pedro Sánchez, deveria se reunir com o ex-presidente catalão Carles Puigdemont para garantir o apoio do Junts ao projeto orçamentário, Maíllo destacou que o líder dos pós-convergentes é “uma figura muito imprevisível” e que não acredita que seu apoio dependa de uma eventual reunião com o chefe do Executivo. “Acho que eles estão mais preocupados com a disputa contra a Aliança Catalã do que com a aprovação do Orçamento”, observou.

E insiste que “a chave da negociação” é apresentar um orçamento ao qual os parceiros tenham “muita dificuldade em dizer não” e, no caso do Junts, por exemplo, que tenham que explicar por que rejeitam, por exemplo, um aumento do investimento na Rodalies.

“Isso me parece mais determinante do que o ‘desempenho’ ou o simbolismo de uma reunião, sem que isso deixe de ser relevante, porque acredito que é preciso conversar com todo mundo”, acrescenta, convencido, além disso, de que Puigdemont “tem todo o direito de voltar para a Espanha”. “Acho um escândalo que a anistia não seja aplicada a ele, como foi aplicada aos demais, e, sobretudo, depois da reprimenda que a Justiça Europeia deu ao Supremo Tribunal”, acrescenta.

SÁNCHEZ ASSUMIRÁ A DEFESA DE ZAPATERO

Por outro lado, Maíllo se diz “absolutamente perplexo” com o caso que envolve o ex-presidente do Governo José Luis Rodríguez Zapatero, contra quem a Audiencia Nacional investiga por sua possível influência no resgate da companhia aérea venezuelana Plus Ultra durante a pandemia.

O líder da IU se declara especialmente surpreso com a questão das joias avaliadas em 1,3 milhão que Zapatero guardava em um cofre em seu escritório profissional e com o envolvimento da empresa de suas filhas que, em sua opinião, registrou um faturamento “absolutamente desproporcional às dimensões da empresa”.

Questionado se considera que Sánchez está errando ao insistir em demonstrar sua confiança na inocência de Zapatero e se acredita que essa postura está afetando o Governo como um todo, ele ressalta que “o problema” com Zapatero e também com a condenação do ex-ministro José Luis Ábalos por “corrupção” “é do PSOE” e, de qualquer forma, acrescenta que “é evidente que Sánchez assumirá a responsabilidade por suas declarações” sobre o ex-presidente.

“Zapatero, como qualquer pessoa, é inocente até que se prove o contrário. Mas, evidentemente, ele tem que dar muitas explicações sobre ações que causaram muitas surpresas em muitas pessoas que confiavam nele”, insiste o líder da IU.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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