Álex Zea - Europa Press - Arquivo
MADRID, 24 abr. (EUROPA PRESS) -
O coordenador federal da IU, Antonio Maíllo, saudou o cancelamento pelo governo do contrato de compra de munição com Israel e enviou uma mensagem ao Ministro do Interior, Fernando Grande Marlaska, para tirar conclusões sobre seu futuro: "Obviamente, quando você é retificado, você tem que olhar para ele".
Ele também advertiu que, para que o governo funcione "bem", o PSOE deve assumir que é "plural" e que não pode haver uma ala que seja a "matriz", a ala socialista, que pensa que o outro parceiro está "emprestado", em referência a Sumar, porque a dinâmica do "unilateralismo" seria um "erro".
Foi o que ele disse em declarações ao 'La Sexta', coletadas pela Europa Press, depois de confirmar o acordo do governo para rescindir a compra pelo Interior de 15 milhões de balas a uma empresa israelense por 6,6 milhões, após negociações entre o PSOE e a Sumar diante do forte embate levantado por essa licitação.
A COMPRA DE BALAS DE ISRAEL NÃO ERA UMA QUESTÃO DE NUANCE: NÃO PASSAMOS POR ESSA ETAPA.
O líder da IU expressou sua satisfação e considera que a crise do governo terminou, já que o acordo entre os dois parceiros é suspender não apenas esse contrato, mas também qualquer formalização de outros contratos de armas pendentes.
Ontem ele advertiu que, se o ministro não corrigisse sua posição, teria que se afastar, sinalizando sua renúncia, enquanto o porta-voz parlamentar da IU, Enrique Santiago, não descartou a opção de deixar o governo se a compra de munição de Israel não fosse cancelada.
Maíllo explicou que não havia outra saída para o cancelamento porque, para a IU, a compra de balas de Israel não era uma questão de "nuances" ou de "compromisso", mas um assunto sério, e eles não iriam passar por isso.
Ele admitiu que esse confronto com o PSOE foi a crise mais séria da legislatura porque não foi apenas mais um desacordo, mas uma "violação flagrante" do acordo de coalizão por "deslealdade" por parte do Ministério do Interior.
"Felizmente, ao retificar essa questão, colocamos um ponto final", disse Maíllo em tom conciliador, que também agradeceu ao presidente do governo, Pedro Sánchez, pela "sensibilidade" demonstrada.
No entanto, ele exigiu que, em questões nucleares, como gastos com defesa, deve haver "muita lealdade" entre os parceiros do governo, já que "o unilateralismo não é um bom caminho", como foi visto nessa questão, com a aprovação do investimento de mais de 10 bilhões de euros em defesa e com a posição do ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, sobre o Saara, endossando o plano de autonomia de Rabat para a área.
Dessa forma, ele confrontou que a IU tem um modelo de segurança alternativo que propõe ao resto das forças políticas e sociais e que não apóia a política de "rearmamento" na UE. "Se o Partido Socialista renunciou a esse modelo em favor do rearmamento, nós não o compartilhamos", concluiu.
SIRA REGO: SEU FUTURO ESTÁ SEMPRE LIGADO AO QUE A UE DECIDIR
Por sua vez, a Ministra da Juventude e da Infância e a cota da IU no governo, Sira Rego, defendeu o fato de que o cancelamento do contrato de balas para uma empresa israelense foi a coisa certa a fazer, e admitiu que havia um forte mal-estar entre todos os partidos de Sumar sobre essa questão, que foi uma violação flagrante dos acordos dentro do governo.
Questionada sobre se estaria disposta a deixar o governo caso não houvesse retificação por parte do Interior, Rego enfatizou que Sumar está no governo para exercer pressão sobre o cumprimento dos compromissos acordados.
Dessa forma, ela disse que pertence à IU e que qualquer decisão sobre o futuro e as posições institucionais corresponde às organizações políticas.
"Somos uma organização que tomou coletivamente a decisão de estar no governo de forma coletiva e participativa (...) Sou uma mulher que acredita que é preciso mandar obedecendo e, portanto, também estou vinculada ao que diz a militância da minha organização política, a Izquierda Unida", concluiu.
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