JOAQUÍN CORCHERO/EUROPA PRESS
SEVILHA 10 jun. (EUROPA PRESS) -
O coordenador federal da Izquierda Unida (IU) e deputado eleito pelo grupo Por Andalucía, Antonio Maíllo, deu como certo nesta quarta-feira que o presidente interino da Junta e candidato do PP-A à reeleição, Juanma Moreno, tem “uma intenção clara de seguir o roteiro que lhe foi traçado por ‘Gênova’” — em referência à direção nacional do PP —, e que “mais cedo ou mais tarde” haverá um acordo entre o PP e o Vox na Andaluzia para possibilitar a investidura do líder “popular” que, segundo prevê o dirigente da IU, será “uma desgraça para os andaluzes”.
Foi o que declarou Antonio Maíllo em uma coletiva de imprensa no Parlamento andaluz no dia seguinte à primeira reunião que Moreno manteve com o Vox para discutir um possível acordo para a “governabilidade” da Andaluzia, conforme informaram posteriormente fontes tanto do PP-A quanto do Vox.
Antonio Maíllo considerou que um acordo entre o PP-A e o Vox nunca pode ser “um acordo razoável” como aquele que Moreno diz querer alcançar, porque o Vox é um partido de “extrema direita”, e o pacto que “mais cedo ou mais tarde vai se concretizar” na Andaluzia será “uma desgraça para os andaluzes”, segundo continuou a opinar.
O ex-candidato do Por Andalucía à Junta nas últimas eleições regionais de 17 de maio destacou que, diante desse pacto, seu espaço político deve estar “não apenas vigilante, mas muito preocupado com os acordos que venham a ser firmados em termos de governo”.
Maíllo lembrou que nesta quinta-feira, 11 de junho, “será constituída a Mesa” do Parlamento, e que essa sessão constitutiva do Parlamento da XIII legislatura dará “sinais”, acrescentou antes de chamar a atenção para o fato de que o PP-A, “como primeira força política” da Câmara regional após as eleições de 17 de maio, “não entrou em contato com o grupo Por Andalucía”, e tem conhecimento de que também não o fez “com nenhum outro grupo”.
Para os “populares”, “é mais fácil falar apenas com o Vox”, e se aproxima uma legislatura “em que se prevê pouco diálogo e pouco debate em termos de chegar a acordos”, comentou Maíllo, que destacou que “os acordos com a extrema direita são uma ameaça já concretizada em Aragão, Castela e Leão ou Extremadura, e o será na Andaluzia”.
Nesse ponto, ele quis transmitir uma mensagem a “muitas pessoas que, de boa vontade, nos pediram que abordássemos a hipótese de tentar evitar que o Vox entrasse no Governo” andaluz, para lhes indicar que, “como estão vendo pelos fatos, o Partido Popular tem muito claro que, em seu plano de ação, o Vox está incluído para participar dos governos, porque eles são o prelúdio" do "acordo" que o líder da IU acredita que ambas as formações tentarão selar "se conseguirem força nas eleições gerais de 2027".
Dessa forma, e em resposta às perguntas dos jornalistas, Maíllo descartou que na Andaluzia pudesse ocorrer um caso como o planteado pelo secretário-geral do PSOE da Extremadura, Álvaro Sánchez Cotrina, de apoiar os orçamentos regionais em troca de a presidente María Guardiola (PP) prescindir do Vox em seu governo.
“Isso faz parte do ecossistema da Extremadura”, comentou Maíllo, que destacou que o PP-A “nem sequer deu oportunidade para abrir esse debate porque Moreno” optou pelo “silêncio” e pelo “Vox”, de modo que “não entra em contato com os demais grupos”.
Por isso, Maíllo insistiu em interpelar “muitas pessoas de boa-fé que, na Andaluzia, nos pediram que fizéssemos algo da esquerda para impedir um acordo entre o PP e o Vox”, para ressaltar que já ficou claro que Moreno “tem a intenção clara de seguir o roteiro que ‘Génova’ lhe traçou, e que já o fazia desde 2018”, quando, após as eleições andaluzas de dezembro daquele ano, “foi o primeiro a fazer um pacto com o Vox” e a chegar a um “acordo com a extrema direita e com os ultranacionalistas”, conforme ele destacou.
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