MADRI, 8 ago. (EUROPA PRESS) -
O coordenador federal da Izquierda Unida (IU), Antonio Maíllo, afirmou que a presidente da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, “sairá mal” da polêmica em torno da compra de um apartamento de cobertura no bairro madrilenho de Chamberí e previu que essa crise representa “o início do fim de sua liderança”, ao acusá-la de ter “mentido para todo mundo” sobre a transação imobiliária.
Em entrevista concedida à Europa Press, Maíllo defendeu que a líder madrilenha “perdeu credibilidade” e considerou que a forma como ela lidou com essa polêmica marcará “o início do declínio de uma política entre os seus”.
Além disso, questionado se pede a renúncia de Ayuso com base nas informações conhecidas até o momento sobre a compra e venda do referido apartamento de cobertura, ele respondeu de forma categórica: “Absolutamente”. “Ela teria a única saída digna, que seria renunciar diante das mentiras constantes e das frivolidades”, afirmou.
Nesse sentido, o líder da IU acusou a presidente de Madri de não dizer a verdade em diversos aspectos relacionados à aquisição do imóvel. Assim, ele afirmou que “ela mentiu sobre a empresa e as operações da empresa, mentiu sobre o uso, mentiu sobre a operação de compra, mentiu sobre obras que não foram anunciadas e mentiu também sobre o destino final dos recursos da suposta venda para ajudar na recuperação dos danos causados pelos incêndios”.
“IGNORÂNCIA, MALÍCIA OU AMBAS AS COISAS”
Além disso, ele questionou a explicação oferecida pelo governo regional sobre o destino das receitas decorrentes da futura venda do imóvel, ao considerar que esses recursos não podem ser reatribuídos “simplesmente assim” no orçamento. “Ou isso demonstra muita ignorância ou demonstra maldade, ou as duas coisas”, afirmou.
Maíllo também criticou o fato de o Executivo de Madri ter acabado atribuindo a responsabilidade pela operação ao secretário de Presidência e qualificou de “indigna” toda a gestão da polêmica. “É uma afronta”, resumiu.
Por outro lado, explicou que a Izquierda Unida está analisando a operação por meio de suas equipes econômicas e jurídicas antes de decidir se tomará alguma medida. “Primeiro, vamos aguardar explicações políticas e, com base nessas explicações e em nossas próprias informações, comparando-as, tomaremos as decisões cabíveis”, destacou.
O ÁTICO DE 485 METROS QUADRADOS
A polêmica surgiu depois que a Comunidade de Madri confirmou a aquisição de um ático de 485 metros quadrados no distrito de Chamberí, em decorrência das obras de reforma da Real Casa de Correos, sede do governo regional.
Posteriormente, a presidente de Madri anunciou que o imóvel será finalmente colocado à venda, juntamente com outros quatro ativos, e garantiu que os mais de 20 milhões de euros que espera arrecadar serão destinados à reconstrução das áreas afetadas pelos incêndios.
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