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Ele cita o exemplo do colonialismo espanhol no século XIX como um precedente para a "subjugação" que Washington está tentando impor agora.
MADRI, 9 nov. (EUROPA PRESS) - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, escreveu aos participantes da cúpula entre a UE e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) pedindo-lhes que usem essa reunião para proclamar um "ato de firmeza" contra a política sistemática de intervenção dos Estados Unidos; o "ressurgimento" da Doutrina Monroe que orientou a política externa dos EUA no século XIX e boa parte do século XX.
A cúpula deste domingo em Santa Marta (Colômbia) é marcada pela dificuldade de seus participantes em encontrar uma posição comum condenando os ataques militares dos EUA contra supostos barcos de drogas no Caribe, que já deixaram 70 mortos e foram denunciados por ONGs como "execuções extrajudiciais", bem como pelas ameaças feitas à Venezuela pelo presidente Donald Trump, que descartou Maduro e ameaçou claramente ordenar uma intervenção militar contra o país.
"Quando atos armados e letais ocorrem sob a justificativa de "segurança" ou "combate ao crime", e esses atos envolvem execuções no mar, o direito internacional é transgredido e a vida humana é pisoteada", lamentou Maduro, ausente da cúpula, em uma carta publicada por seu ministro das Relações Exteriores, Yvan Gil.
"Não aceitamos que, sob eufemismos como 'segurança' ou 'luta contra o narcotráfico', tentem impor a velha Doutrina Monroe, que busca transformar nossa América em um cenário para invasões e golpes de 'mudança de regime' para roubar nossas imensas riquezas e recursos naturais. Rejeitamos veementemente o ressurgimento da Doutrina Monroe", disse Maduro.
O presidente venezuelano, recorrendo à história, usou o colonialismo espanhol como precedente para a situação que está denunciando agora, citando a expedição liderada pelo general Pablo Morillo em 1815 e seu cerco a Cartagena das Índias, durante a independência da Colômbia, como "lições de violência imperial contra a liberdade americana".
"Hoje, dois séculos depois, as formas do cerco mudaram, mas não sua essência", advertiu Maduro na carta, daí a necessidade de fazer dessa cúpula "não um exercício ritual, mas um ato de firmeza: proclamemos a defesa incondicional de nossa América como uma Zona de Paz".
"Rejeitemos categoricamente qualquer militarização do Caribe, exijamos a investigação independente das execuções denunciadas pelos mecanismos de direitos humanos da ONU e estabeleçamos mecanismos regionais de cooperação humanitária e defesa coletiva que garantam a proteção de nossas águas, nossas costas e nossas comunidades", pediu Maduro.
Por fim, o presidente venezuelano retirou sua condenação ao "bloqueio criminoso e desumano imposto contra o povo e o governo da República de Cuba, uma agressão sustentada que viola flagrantemente o direito internacional e a Carta das Nações Unidas, bem como sua inclusão, também pelos EUA, assim como o bloqueio, em "uma lista espúria de países que supostamente patrocinam o terrorismo".
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