PRESIDENCIA DE VENEZUELA - Arquivo
MADRID 9 mar. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse no sábado que a decisão do governo de Donald Trump de suspender a licença que permitia à petroleira norte-americana Chevron operar no país latino-americano "prejudicou as comunicações" e os voos de deportação de venezuelanos.
"Agora temos um pequeno problema lá, porque com o que eles fizeram eles danificaram as comunicações que havíamos aberto. E eu estava interessado (...) porque queria levar todos os venezuelanos que estão presos injustamente e perseguidos lá, apenas por serem migrantes", disse o presidente no canal estatal do país por ocasião do Dia Internacional da Mulher.
Nesse sentido, Maduro defendeu que eles "estavam preparados" para a deportação dos migrantes venezuelanos, embora a posição assumida pelo governo Trump "tenha afetado as viagens": "Já tínhamos programado com nossos aviões trazer nossos irmãos migrantes".
"Ser migrante não é um crime (...). É triste e lamentável que existam essas questões de perseguição contra seres humanos, que a única coisa que fizeram foi ir em busca de um futuro econômico melhor como resultado das sanções que eles mesmos fizeram contra nosso país", disse ele.
Maduro, que assumiu o poder em janeiro após eleições que a oposição descreveu como fraudulentas, argumentou que os Estados Unidos "deram um tiro no próprio pé". "Porque eles estão sancionando uma empresa americana que trabalha aqui há 100 anos", acrescentou.
"Se dependesse de nós, e vou dizer com mais clareza, se dependesse de mim, como presidente, se dependesse do alto comando político-militar da Revolução Bolivariana, se dependesse de nosso povo, essa empresa Chevron continuaria trabalhando na Venezuela por mais cem anos", afirmou.
A Venezuela realizou eleições presidenciais no final de julho, após as quais o partido governista reivindicou a vitória de Maduro contra uma oposição liderada por María Corina Machado e com Edmundo González como candidato, que denunciou fraude na contagem dos votos.
Embora González tenha recebido o apoio de grande parte da comunidade internacional, no final foi Maduro quem tomou posse para um novo mandato perante as instituições do Estado, enquanto a oposição teve que deixar o país e Machado sofreu vários episódios de perseguição.
O Departamento do Tesouro dos EUA informou que a empresa petrolífera terá apenas um mês, a partir de terça-feira, 4 de março, para encerrar suas atividades no país latino-americano.
No final do mês passado, o presidente dos Estados Unidos anunciou a suspensão, a partir de 1º de março, das concessões que seu antecessor no cargo, Joe Biden, concedeu ao petróleo da Venezuela.
Trump defendeu a medida com o argumento de que o regime de Nicolás Maduro não cumpriu as condições eleitorais, além de não ter ajudado a deportar de volta para a Venezuela os "criminosos violentos" nos Estados Unidos.
Biden concedeu à empresa petrolífera americana Chevron uma licença em novembro de 2022 para retomar a produção de petróleo na Venezuela, em uma medida que suspendeu as sanções decretadas pelos EUA em 2019 que interromperam a perfuração.
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