Publicado 21/09/2025 21:54

Maduro culpa as "notícias falsas" pelo confronto com os EUA em carta a Trump

CARACAS, 15 de setembro de 2025 -- O presidente venezuelano Nicolas Maduro discursa em uma coletiva de imprensa em Caracas, Venezuela, em 15 de setembro de 2025. Maduro disse na segunda-feira que os canais de comunicação entre os Estados Unidos e a Venezu
Europa Press/Contacto/Meng Yifei

MADRID 22 set. (EUROPA PRESS) -

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, atribuiu o confronto entre Washington e Caracas a "notícias falsas" em uma carta ao seu homólogo norte-americano, Donald Trump, na qual defendeu o fato de as autoridades venezuelanas terem "destruído mais de 70%" da "pequena porcentagem" de drogas "produzidas na Colômbia" e transportadas através de seu território.

"As acusações absolutamente falsas de vínculos com máfias e gangues de narcotraficantes por parte das altas autoridades legítimas da Venezuela ocuparam o centro do palco", disse ele sobre o que descreveu como "a pior das notícias falsas que foram lançadas contra nosso país para justificar uma escalada para um conflito armado que causaria danos catastróficos a todo o continente", de acordo com a carta divulgada no domingo via Telegram pela vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, e datada de sábado, 6 de setembro.

Por meio de um infográfico que cita dados do relatório mundial sobre drogas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), o governo venezuelano argumentou que 87% das "drogas produzidas na Colômbia" são transportadas ao longo da costa sul-americana do Pacífico para "os Estados Unidos e a Europa". Também aludiu a 8% da produção colombiana que sai da costa do Caribe e da Guajira colombiana, com um destino não especificado, mas que, na ilustração, aponta para os Estados Unidos.

Por fim, reconheceu que 5% das drogas produzidas no país vizinho "estão sendo tentadas para serem transferidas" de seu território, embora, segundo ele, seu destino seriam as ilhas do Caribe e a Europa.

"Este ano já neutralizamos e destruímos mais de 70% da pequena porcentagem que tenta cruzar a extensa fronteira com a Colômbia, que tem mais de 2.200 quilômetros de extensão. Destruímos 402 aeronaves do tráfico internacional de drogas, de acordo com os procedimentos da lei venezuelana", enfatizou, em defesa do "histórico impecável da Venezuela na luta contra o tráfico internacional de drogas ilícitas".

Maduro defendeu, assim, a posição de seu governo em relação ao narcotráfico, assegurando que havia discutido essa questão com o enviado especial dos EUA para a Venezuela, Richard Grennell, em uma carta na qual destacou o funcionamento "impecável" do canal diplomático estabelecido entre Caracas e Washington por meio do emissário norte-americano, aludindo ao acordo para a transferência de migrantes para a Venezuela como um momento satisfatório nas relações bilaterais.

O líder venezuelano demonstrou ao seu homólogo norte-americano seu desejo de "juntos derrotarmos essas notícias falsas que enchem de ruído uma relação que tem que ser histórica e pacífica, como sempre imaginou nosso Libertador Simón Bolívar", de acordo com a carta na qual também enfatizou que "no decorrer desses primeiros meses de seu segundo governo, sempre buscamos a comunicação direta para abordar e resolver qualquer questão que surja entre nossos dois governos".

"Eu disse publicamente, em muitas ocasiões, que reconheço o trabalho impressionante que o senhor está fazendo para acabar com a guerra que herdou em outras regiões do mundo", disse ele, lembrando a declaração da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), que ratificou a América Latina e o Caribe como um território de paz na quinta-feira, 4 de setembro. "Eu o convido, Presidente, a preservar a paz por meio do diálogo e do entendimento em todo o hemisfério", diz a carta.

O governo venezuelano, por meio de seu vice-presidente, decidiu tornar pública a carta neste domingo, assumindo "a responsabilidade de publicá-la em sua totalidade", citando vazamentos parciais do documento na imprensa norte-americana.

"A ameaça militar contra a Venezuela, o Caribe e a América do Sul deve cessar, e a proclamação da Zona de Paz da CELAC deve ser respeitada", disse Rodríguez, afirmando que "a Venezuela, em perfeita unidade popular, militar e policial, continuará a defender seu direito à soberania, à paz e ao legado sagrado de nosso Libertador Simón Bolívar".

A publicação dessa carta ocorreu apenas um dia depois que Trump advertiu a Venezuela de consequências "incalculáveis" se não aceitar o retorno dos imigrantes deportados, que ele descreveu como "os piores do mundo", declarações às quais Maduro respondeu que "chega de ameaças".

Na recente escalada de tensões entre os dois países, a Venezuela acusou os Estados Unidos de desencadear uma "guerra não declarada" no Caribe e exigiu uma investigação da ONU sobre os ataques a barcos supostamente carregados de drogas pelas forças armadas dos EUA, que já deixaram pelo menos 14 pessoas mortas nas últimas semanas.

Washington, por sua vez, enviou vários navios de guerra para o Caribe, na costa da Venezuela, e enviou caças F-35 para Porto Rico.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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