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MADRID 2 abr. (EUROPA PRESS) -
O presidente da França, Emmanuel Macron, pediu nesta quinta-feira que se “esteja à altura” dos compromissos assumidos na OTAN, após as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar o país da Aliança Atlântica, insistindo que esse tipo de questionamento “esvazia de conteúdo” a organização.
“Acredito que organizações e alianças como a OTAN valem pelo que não é dito, ou seja, pela confiança que existe por trás delas”, alertou o presidente francês em declarações feitas na Coreia do Sul, onde se encontra em visita no âmbito de uma turnê asiática.
Nesse sentido, lamentou que “se a cada dia se gera dúvida sobre o compromisso, a organização fica vazia de conteúdo”. “Quando se assina um acordo, quando se entra em uma aliança, quando se acredita que é importante defender a segurança dos aliados, é preciso estar à altura dos compromissos assumidos”, insistiu.
Macron ressaltou que os pactos em matéria de segurança se demonstram com as próprias ações e não com declarações. “Não é algo que se deva afirmar todas as manhãs, nem para dizer que se fará ou que não se fará. Não se diz nada, e no dia em que há um problema, está-se lá”, assinalou, e ressaltou que a França demonstrou isso com seus parceiros dos países do Golfo, onde o país mantém uma presença militar reforçada.
“Eles foram atacados, e nós estávamos lá. É assim que deve ser feito, e não de outra forma. Não estou aqui para comentar os comentários. Acho que se fala demais e em demasiadas direções”, aprofundou, em resposta às declarações de Trump, que em uma entrevista afirmou estar “mais do que considerando” a saída da OTAN, após aprofundar as críticas aos aliados por não apoiarem Washington na guerra no Irã.
Tudo isso apesar de, segundo a Casa Branca, os aliados europeus terem mais em jogo no Estreito de Ormuz do que os Estados Unidos. Em relação à guerra, Macron destacou que “o mundo precisa de estabilidade” e de “um retorno à paz” e evitou avaliar as mensagens de Trump de que a ofensiva durará mais algumas semanas, apesar de Washington estar perto de atingir seus objetivos.
“Não tenho muito a comentar”, refletiu, após ressaltar que os americanos decidiram lançar a operação junto com os israelenses “por conta própria”, pelo que voltou a dissociar a França da ofensiva contra Teerã. “Depois, podem lamentar não receber ajuda em uma operação que decidiram sozinhos. Não é nossa operação. O que queremos é que haja paz o mais rápido possível e que se estabeleça um quadro diplomático”, enfatizou.
Nesse sentido, e sem entrar em confronto direto com Trump, que zombou de Macron após dizer que “sua esposa o trata extremamente mal”, em referência ao suposto tapa que a primeira-dama da França, Brigitte Macron, lhe teria dado em maio de 2025, ao chegar ao Vietnã, o líder francês pediu seriedade, uma vez que a crise de segurança mundial “não é um espetáculo”. “Estamos falando de paz e de guerra. Estamos falando da vida de homens e mulheres”, indicou.
Assim, ele destacou os riscos econômicos que a comunidade internacional enfrenta devido à guerra no Irã: “todos pagamos as consequências”. “Por isso é preciso ser sério. E quando se quer ser sério, não se diz todos os dias o contrário do que se disse no dia anterior. Talvez também não seja preciso falar todos os dias”, concluiu.
ABERTURA A NOVAS ALIANÇAS
Em relação à sua mensagem em Tóquio de que as estratégias econômicas europeias e japonesas devem convergir “sem depender de nenhuma potência hegemônica” e à denúncia de que há potências que tomam decisões de grande alcance sem consultar seus aliados, Macron declarou que percebe “inquietação e dúvida” em seus interlocutores diante das situações “imprevisíveis” que enfrentam no cenário internacional.
“A convicção que está crescendo agora, tanto entre os responsáveis políticos quanto entre os responsáveis econômicos, é a necessidade de diversificar as parcerias”, sublinhou, para reiterar que a Europa e a França devem ser vistas como “parceiros a serviço da ordem internacional, previsíveis e confiáveis”.
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