Publicado 14/05/2025 03:55

Macron diz que a UE está "aberta" a repensar os acordos de associação com Israel

Presidente da França, Emmanuel Macron (arquivo)
Europa Press/Contacto/Julien Mattia

O presidente francês chama o bloqueio israelense à ajuda em Gaza de "vergonhoso" e pede aos EUA que pressionem por um novo cessar-fogo

MADRID, 14 maio (EUROPA PRESS) -

O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que está "aberto" para a União Europeia (UE) repensar a validade dos acordos de associação com Israel e chamou o bloqueio israelense de ajuda à Faixa de Gaza de "inaceitável", que ele descreveu como "vergonhoso", embora tenha se recusado a descrever o que está acontecendo no enclave palestino como "genocídio".

Macron disse em uma entrevista à emissora de televisão francesa TF1 que Paris já tomou "decisões" diante da postura israelense, incluindo a recusa em "enviar equipamentos de combate". "Tornamos as coisas muito difíceis", disse ele, antes de observar que a questão da suspensão dos acordos de associação está em discussão.

"Essa questão é para os europeus, e está aberta. Meu colega holandês e outros levantaram a questão de saber se as discussões e os acordos de cooperação que existem com Israel devem continuar. Eu digo, com toda a consciência, que não podemos fingir que nada está acontecendo. Precisamos aumentar a pressão sobre essa questão", explicou.

O líder francês, que argumentou que "não está nas mãos de um líder político" avaliar se a situação em Gaza equivale a um genocídio, uma questão que ele deixa para os "historiadores", ressaltou, no entanto, que na Faixa há "um drama humanitário que é inaceitável". "É um drama e é horrível", disse ele.

Ele relembrou sua visita oficial em abril à cidade egípcia de El Arish, perto da fronteira com Gaza, e disse que viu "mulheres e crianças feridas". "Uma mulher teve a coluna quebrada e passou seis meses sem atendimento médico. Vi mulheres com cicatrizes que não haviam cicatrizado dizendo que queriam voltar para Gaza", disse ele.

"Foi uma das piores coisas que já vi até agora. Também vi toda a ajuda que a França e muitos outros países enviaram e que estava em El Arish, bloqueada pelos israelenses. O que o governo de Benjamin Netanyahu (primeiro-ministro israelense) está fazendo hoje é inaceitável.

"A crise humanitária que existe hoje (em Gaza) é a mais grave que vimos desde outubro (de 2024)", explicou Macron, defendendo a posição da França sobre essa questão como "constante", ao mesmo tempo em que reiterou sua condenação aos "ataques terroristas" de 7 de outubro de 2023.

TRABALHANDO PARA UMA SOLUÇÃO "POLÍTICA

Ao fazer isso, Macron enfatizou que a França "reconheceu o direito de Israel de se defender, mas como uma democracia". "Nossa luta desde 7 de outubro de 2023 tem sido para libertar todos os reféns (...) e desmilitarizar o Hamas", argumentou, antes de continuar dizendo que a França vem defendendo há meses que "a solução não é atacar Gaza indiscriminadamente".

"Em outubro (de 2024), eu pedi um cessar-fogo. Em novembro, organizamos a primeira conferência humanitária para Gaza em Paris. Lutamos incansavelmente para acabar com esse conflito", disse o líder francês, que ressaltou a importância dos Estados Unidos em pressionar pela reativação do cessar-fogo, acordado em janeiro e rompido por Israel em 18 de março, quando relançou sua ofensiva contra o enclave.

"Precisamos dos Estados Unidos, porque quem realmente tem influência é o presidente (Donald) Trump", disse ele. "Usei palavras muito duras, fiquei com raiva de Netanyahu. A França sozinha, mesmo com os outros países europeus, pode exercer toda a pressão do mundo, mas não depende de nós, depende das armas americanas", disse ele.

Ele ressaltou que está trabalhando "muito próximo" de Trump para transmitir a ele que Washington pressionou pelo cessar-fogo de janeiro, que "salvou muitas vidas". "Desde março o cessar-fogo foi rompido e todas as rotas humanitárias foram fechadas", lamentou, antes de reiterar que a situação é "terrível", já que em Gaza "não há água, não há remédios, os feridos não podem ser retirados e os médicos não podem entrar".

"O que eles (as autoridades israelenses) estão fazendo é uma vergonha", disse ele, acrescentando que é necessário "lutar sem reservas" para conseguir a "reabertura" das passagens de fronteira e a entrada de ajuda humanitária. "Primeiro, porque é uma questão de vidas", ressaltou Macron, insistindo que, depois disso, é necessário trabalhar para conseguir "a desmilitarização do Hamas, a libertação dos reféns e a construção de uma solução política".

"A única maneira de conseguir isso é que haja um Estado da Palestina e um Estado de Israel vivendo lado a lado, reconhecendo-se mutuamente e reconhecendo o direito de todos de viver em segurança", disse ele, ao mesmo tempo em que destacou que "não se pode falar sobre a guerra na Ucrânia se não se fala sobre Gaza, porque não há dois pesos e duas medidas". "Não se pode negar o direito de um povo e negar o direito de outro", disse ele.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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