Publicado 20/04/2026 06:44

Machado defende a aposta de Trump na "liberdade" da Venezuela e clama por um "caminho eleitoral"

Ela afirma que é do interesse dos EUA ter um "aliado da democracia e não do comunismo" e compara a queda de Maduro à queda do Muro de Berlim

20 de abril de 2026, Madri, Madri, ESPANHA: MARIA CORINA MACHADO, líder da oposição venezuelana, em turnê pela Europa, exortou os venezuelanos em Madri a fazerem as malas: “Hoje começamos o caminho de volta para casa.”
Europa Press/Contacto/Ignacio Lopez Isasmendi

MADRID, 20 abr. (EUROPA PRESS) -

A líder da oposição e Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, elogiou nesta segunda-feira a aposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao “arriscar a vida de seus cidadãos” pela “liberdade” da Venezuela, ressaltando que agora espera um calendário eleitoral e afirmando que é do interesse de Washington ter em Caracas um “aliado da democracia e não do comunismo”.

“Sempre agradeceremos e lembraremos o único chefe de Estado que arriscou a vida de seus cidadãos pela liberdade do nosso país, e esse é Donald Trump e o Governo dos Estados Unidos”, afirmou a líder da oposição venezuelana em um café da manhã informativo do Fórum Europa em Madri, ao ser questionada sobre seu gesto de entregar a Trump a medalha do Prêmio Nobel durante sua visita a Washington.

Sobre as relações com Washington, que deixou Delcy Rodríguez como líder interina após a captura do presidente Nicolás Maduro na operação militar de 3 de janeiro passado para julgá-lo nos Estados Unidos, a opositora demonstrou confiança no plano político proposto pela Administração Trump para, após uma fase de estabilização, realizar eleições que restaurem a democracia na Venezuela.

Após a captura de Maduro, Machado defendeu que o plano norte-americano implica o “desmantelamento da estrutura criminosa e a abertura do mercado e da sociedade” na Venezuela. Isso passa por “eleições limpas e livres”, indicou ela, ressaltando que a oposição vencerá essas eleições quando forem convocadas.

Da mesma forma, referiu-se ao sistema chavista como um ator que “acredita nos valores iranianos” e que olha para “o Irã, a Rússia, o Hezbollah e o Hamas”, além de ter questionado a capacidade econômica das autoridades venezuelanas com Rodríguez para ajudar no retorno da diáspora venezuelana ao país.

“Do ponto de vista mais pragmático, convém ao governo dos Estados Unidos ter um aliado da democracia, da liberdade e dos mercados abertos, e não do comunismo e do socialismo chavista. Somos nós, e eles sabem disso”, resumiu ele sobre o apoio de Washington.

Assim, ele avaliou que estão sendo dados “passos importantes” para aumentar a pressão sobre Caracas para que avance na via democrática e minimizou o apoio de Trump a Rodríguez, enfatizando que ele apenas “está cumprindo instruções” e que o futuro da Venezuela “não depende exclusivamente das instruções que vêm de fora”, mas que, nesse processo, a chave será “o que a sociedade venezuelana é capaz de fazer”. “Temos autonomia e precisamos exercê-la”, afirmou.

Dessa forma, o Prêmio Nobel da Paz insistiu na necessidade de uma “via eleitoral” para “canalizar as angústias” do povo venezuelano de “maneira cívica e pacífica”. Assim, ele destacou que a transição democrática deve oferecer garantias aos cidadãos “que querem voltar” e aos investidores “que veem na Venezuela uma oportunidade sem igual no planeta”.

ESTENDE A MÃO AO EXÉRCITO

Sobre a posição da cúpula militar na Venezuela no processo em curso no país, Machado denunciou que as Forças Armadas se encontram em uma “situação deplorável” e que os próprios militares “passam fome” e estão sob uma “estrutura de terror”, com dezenas de altos comandos presos.

Dessa forma, ela estendeu a mão ao poder militar venezuelano para “libertá-lo” e integrá-lo ao processo de “transição e reconstrução”. “Nos altos escalões da instituição militar, sabem que essa força que existe no povo exigindo uma transição também existe dentro dos quartéis, e que, para seu próprio bem, é preciso facilitar que essa transição ocorra, estabelecendo um programa eleitoral com uma data clara”, afirmou ela, para reiterar a “oportunidade histórica” das Forças Armadas de demonstrar ao país que respeitarão o “exercício da soberania popular e que estão do lado da sociedade e da democracia”.

Sobre o futuro relacionamento com a União Europeia, a opositora venezuelana expôs que o país pode ser um “fornecedor significativo de energia” em um momento em que os conflitos colocam em risco o abastecimento de petróleo e gás. “Não há outro com o potencial de crescimento que a Venezuela”, sublinhou.

A QUEDA DE MADURO SERÁ COMO A “QUEDA DO MURO DE BERLIM” NA AMÉRICA LATINA

Segundo ela, o processo iniciado na Venezuela com a queda de Maduro e o plano para desmantelar a estrutura “criminosa e corrupta” no país tem um alcance regional, razão pela qual ela previu “ondas expansivas de democracia e liberdade na América Latina”.

“Isso tornará este processo e este momento equivalentes ao que foi a queda do Muro de Berlim para a Europa, mas agora para as Américas”, afirmou, após insistir no efeito que a perda de um parceiro como Maduro tem para Cuba.

“A mudança do regime na Venezuela também trará liberdade e democracia para Cuba, para a Nicarágua, e fortalecerá as bases democráticas de toda a região”, previu a líder da oposição. Embora tenha destacado a influência que Havana exerceu na instaurada do sistema na Venezuela durante a era de Hugo Chávez, ela opinou que agora o impacto é o contrário. “Hoje, a queda do regime cubano não implica a queda do regime venezuelano; pelo contrário, funciona assim”, disse ela, garantindo que o destino político da ilha dependerá do futuro da Venezuela.

UNIDADE DA OPOSIÇÃO E RETORNO À VENEZUELA

Ao ser questionada sobre seu anunciado retorno à Venezuela, após deixar o país em dezembro passado para ir à Noruega receber o Prêmio Nobel da Paz, Machado insistiu que o processo democrático na Venezuela “se acelerou”, mas evitou definir uma data para seu retorno.

“Temos pela frente momentos promissores e, quando me perguntam quando, eu digo: senhores, há três meses era impensável o que está acontecendo hoje e esses processos se aceleram se fizermos o que nos cabe”, explicou ela, para argumentar que, mais do que as ações de um líder ou de um determinado chefe de Estado, o que se deve questionar é o papel de “cada um aqui hoje e dentro da Venezuela”.

Em relação à unidade da oposição no país, a líder do Vente Venezuela reivindicou as primárias de 2023, nas quais a oposição organizou eleições internas nas quais ela se impôs com grande autoridade. “Quando fomos às primárias, para mim essa foi a decisão política que marcou, que foi o ponto de inflexão no destino dessa luta, e eu reconheço todos os partidos políticos que acompanharam esse processo”, indicou ela, para ressaltar que tudo o que veio depois, com a inelegibilidade de Machado e de outros líderes da oposição, bem como as eleições de julho de 2024, fortaleceu a unidade das formações da oposição.

De qualquer forma, a líder da oposição quis encerrar com uma mensagem de otimismo, ao salientar que a democracia “não se herda”, mas sim “se vive, se constrói, se defende, se sofre, se padece e se desfruta” “A liberdade não é gratuita se não for cara”, sublinhou ela, antes de enfatizar que a Venezuela “será livre e democrática para sempre” e afirmar que a luta busca uma solução definitiva para a crise no país sul-americano.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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