Publicado 06/01/2026 05:39

Machado confirma que não fala com Trump desde outubro e elogia o ataque dos EUA à Venezuela

Archivo - Arquivo - María Corina Machado, líder da oposição venezuelana e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, durante um protesto em Caracas em janeiro de 2025 (arquivo).
Jesus Vargas/dpa - Arquivo

Ele argumenta que Trump merece o Prêmio Nobel da Paz e enfatiza que a operação dos EUA "é um grande passo para uma transição".

MADRID, 6 jan. (EUROPA PRESS) -

A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, confirmou que não falou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde o dia em que foi anunciado que ela recebeu o Prêmio Nobel da Paz, embora tenha aproveitado a oportunidade para aplaudir a ofensiva dos EUA contra a Venezuela, na qual o presidente do país sul-americano, Nicolás Maduro, foi capturado, e para elogiar as "ações históricas" do ocupante da Casa Branca.

"Falei com Trump em 10 de outubro, o dia em que o prêmio foi anunciado, mas não desde então", disse em uma entrevista à rede de televisão americana Fox News, na qual aproveitou para lembrar que "dedicou" seu prêmio a Trump porque "na época achei que ele o merecia".

"Muitas pessoas, a maioria das pessoas, disseram que era impossível conseguir o que ele fez no sábado, 3 de janeiro. Se eu achava que ele merecia em outubro, imagine agora", explicou. "Acho que ele mostrou ao mundo o que significa. O dia 3 de janeiro entrará para a história como o dia em que a justiça derrotou a tirania", disse ele.

Ele enfatizou que a captura de Maduro durante a operação militar mencionada, que incluiu bombardeios e o envio de tropas terrestres e deixou dezenas de mortos na Venezuela, "é um marco". "Não é apenas uma coisa tremenda para o povo venezuelano e nosso futuro. Acho que é um grande passo para a humanidade, a liberdade e a dignidade humana", argumentou.

Machado, portanto, aproveitou a oportunidade para transmitir, "em nome do povo venezuelano", sua "gratidão" a Trump por "sua visão corajosa, suas ações históricas contra esse regime narcoterrorista, para começar a desmantelar essa estrutura e levar Maduro à justiça".

Nesse sentido, destacou que "30 milhões de venezuelanos estão agora mais perto da liberdade" e que "os Estados Unidos também são agora um país mais seguro", enquanto continuou dizendo que gostaria de dizer "pessoalmente" a Trump que "o povo venezuelano, já que este prêmio (o Prêmio Nobel da Paz) pertence ao povo venezuelano, quer dá-lo a ele e compartilhá-lo com ele".

"O que ele fez é histórico, é um passo enorme em direção a uma transição democrática", disse a líder da oposição, que destacou que "uma Venezuela livre significa um aliado de segurança" para os Estados Unidos. Ela também afirmou que a derrubada do atual governo significaria "desmantelar o nó criminoso da América e transformá-lo em um escudo de segurança" e "transformar a Venezuela no nó energético da América".

APELOS POR UMA TRANSIÇÃO

Machado insistiu que a queda do "chavismo" abriria as portas para a "abertura dos mercados" ao "investimento estrangeiro" e a uma "sociedade aberta" na qual reina o Estado de Direito, antes de enfatizar que isso também significaria que o país sul-americano se tornaria "o principal aliado dos Estados Unidos" na região.

Por outro lado, ele criticou a decisão das autoridades venezuelanas de decretar um estado de comoção externa após o ataque dos EUA, uma medida que inclui um mandado de busca e prisão imediato para qualquer pessoa que promova ou apoie o ataque das Forças Armadas dos EUA contra o país sul-americano.

"É muito alarmante", disse Machado, que argumentou que "a transição deve avançar" e criticou a atual presidente encarregada do país, Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo na segunda-feira, uma vez que a constituição estipula que a pessoa que ocupa a vice-presidência deve assumir a posição de chefe de Estado em caso de vacância do cargo.

"Rodríguez é um dos principais arquitetos da tortura, da perseguição, da corrupção e do tráfico de drogas", disse ele, antes de descrever o político como "o principal aliado e elo de ligação com a Rússia, a China e o Irã". "Não é uma pessoa em quem os investidores internacionais devam confiar", disse ele, antes de garantir que a oposição "venceria com mais de 90% dos votos" se fossem realizadas "eleições livres e justas".

DISCURSO DE TRUMP

Os comentários de Machado foram feitos dias depois que o próprio Trump descartou a ideia de trabalhar com ela em uma transição após a captura de Maduro, que compareceu a um tribunal de Nova York na segunda-feira, argumentando que ele "não tem o apoio ou o respeito (necessário) dentro do país".

Fontes citadas pelo jornal norte-americano "The Washington Post" indicaram que a decisão de Trump de afastar a líder da oposição decorre de seu desconforto com a aceitação do Prêmio Nobel da Paz por ela, que o presidente reivindicou repetidamente para si.

Machado recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2025 por seu papel de oposição na Venezuela e, nas últimas semanas, defendeu repetidamente a necessidade de os EUA lançarem ataques militares contra o país sul-americano para derrubar Maduro e iniciar um processo de transição.

A líder da oposição, cuja candidatura para as eleições de 2024 foi rejeitada - o que fez com que Edmundo González fosse escolhido como candidato - viajou para Oslo em dezembro para receber o prêmio e não retornou ao país desde então, embora tenha garantido em várias ocasiões que o fará "o mais rápido possível", embora ainda não esteja claro quando a viagem será realizada.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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