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Ela evita criticar o acordo, mas ressalta que as reservas de petróleo não pertencem a “um regime ilegítimo”
MADRI, 3 set. (EUROPA PRESS) -
A líder da oposição venezuelana e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, afirmou nesta quinta-feira que o acordo petrolífero com os Estados Unidos, anunciado pela presidente interina, Delcy Rodríguez, deve ser abordado com “transparência” e “legalidade”, ressaltando que isso só será possível e terá sucesso com um “governo democrático” em Caracas.
Em um vídeo publicado em suas redes sociais em resposta ao acordo firmado entre os Estados Unidos e a Venezuela para a venda de parte das reservas de petróleo do país, a líder da oposição ressaltou que o povo venezuelano sente “tristeza, raiva e aquele mal-estar tão recorrente na história” porque, conforme ela destacou, “alguém decida sobre o que é nosso, em nosso nome, sem nos consultar”.
Embora não tenha se oposto ao acordo, ela criticou que “ainda não se conhece o verdadeiro alcance” do mesmo. “Quem assina? O que realmente está sendo assinado? Quem investe o dinheiro? Quem dá as garantias? Como isso beneficia os venezuelanos?”, questionou ela, apontando para as “implicações” que esse pacto com Washington pode ter no futuro da Venezuela.
Dessa forma, a líder da oposição afirmou que qualquer acordo sobre as reservas energéticas venezuelanas — questão que ela própria levantou no passado para angariar o apoio dos Estados Unidos — deve se basear em “uma parceria sólida de benefício mútuo”. “Como sempre disse, ganha-ganha ou win-win”, destacou.
Machado aprofundou que esse acordo “exige um trabalho contínuo sob os princípios inegociáveis de transparência absoluta, legalidade e eficiência”. Em sua opinião, esse acordo só pode ocorrer “com a legitimidade e a estabilidade que um governo sério e democrático oferece”, em contraste com o “regime ilegítimo” de Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em janeiro passado e, desde então, tem demonstrado uma política de colaboração total com o presidente norte-americano, Donald Trump.
Dessa forma, ele criticou o fato de que o patrimônio natural da Venezuela “não pertence a um regime ilegítimo, mas ao povo venezuelano”. “É claro que os Estados Unidos são o principal parceiro de que a Venezuela precisa para desenvolver plenamente seu valor estratégico, mas os inimigos dos Estados Unidos na Venezuela estão hoje em Miraflores”, alertou, referindo-se aos líderes chavistas que permanecem no poder após a saída de Maduro.
“Justamente por isso, porque essa parceria entre a Venezuela e os Estados Unidos reveste-se de um fator estratégico, é que todos precisamos que as coisas sejam bem feitas”, afirmou.
Dessa forma, ele alertou, em uma mensagem implícita a Washington, que “somente com o apoio e o acompanhamento do povo”, por meio de um grande acordo nacional, um acordo desse tipo poderá ter sucesso, tanto para os Estados Unidos quanto para a Venezuela.
“Nós, venezuelanos, sabemos que não há desenvolvimento possível sem instituições sólidas e sem um governo eleito pelo voto popular. Essa é a única e verdadeira garantia de sucesso e estabilidade para qualquer investimento”, acrescentou.
PONTOS PARA UM ACORDO PETROLÍFERO
Assim, ele propôs que qualquer acordo na área petrolífera se insira em “um marco legal transparente”, com regras aprovadas publicamente por uma Assembleia Nacional “legítima”, “não por decreto nem a portas fechadas”. Ele também pediu que uma agência venezuelana independente de hidrocarbonetos seja “um regulador sério” e deixe de ser “juiz e parte” no setor petrolífero.
Machado propôs “licitações públicas e abertas”, com “regras claras” e “resultados transparentes” para, dessa forma, acabar com as “adjudicações por indicação”.
Juntamente com o acordo, deve vir “um regime tributário competitivo e estável” e um marco que “atraia o investidor”, acrescentou a líder da oposição, além de ter sugerido mecanismos de arbitragem internacional e elementos que proporcionem segurança jurídica aos atores envolvidos no setor.
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