Publicado 07/10/2025 10:15

Lula e Trump passam de desprezo e ataques a "excelente química" em apenas alguns meses

Archivo - Arquivo - HANDOUT - 28 de julho de 2025, Brasil, São João da Barra: O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participa da inauguração da usina termoelétrica GNA II no Porto de Assú. Foto: Ricardo Stuckert/Agência Brasil/dpa - ATTENTI
Ricardo Stuckert/Agencia Brazil/ DPA - Arquivo

Do círculo de Bolsonaro, eles observam com surpresa essa reaproximação depois que Trump comprou o discurso sobre uma suposta perseguição à oposição.

MADRID, 7 out. (EUROPA PRESS) -

Há duas semanas, o protocolo das Nações Unidas fez com que os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump, se redescobrissem em apenas alguns minutos na octogésima Assembleia Geral - houve uma "excelente química", disse a Casa Branca - em uma cena impensável meses atrás, na qual mostraram suas profundas diferenças e não da melhor maneira.

O relacionamento começou a desandar antes mesmo de Donald Trump retornar à Casa Branca em janeiro deste ano. Durante a campanha presidencial, Lula deixou claras suas preferências e declarou publicamente seu apoio aos democratas, após um período de boas relações entre Washington e o Brasil.

O retorno abrupto de Trump, com ameaças de sanções e tarifas sobre tudo o que aparecesse nos mapas, e as simpatias do magnata pelo ex-presidente Jair Bolsonaro acabaram por confirmar uma crise diplomática com poucos precedentes próximos em mais de 200 anos de boas relações.

Ao longo dessas décadas, o Brasil e os Estados Unidos se comportaram como importantes aliados em inúmeras questões, apesar das diferenças ideológicas entre as respectivas administrações, mas as ameaças tarifárias colocaram em risco essa cordialidade histórica.

Lula reprovou Trump por agir como se acreditasse ser o "imperador do mundo" e acredita que por trás desse "ataque à soberania" do Brasil - junto com a Índia enfrenta as tarifas mais agressivas - está a sombra do clã Bolsonaro, com um de seus filhos tendo fugido para os Estados Unidos e fazendo proselitismo para essas medidas coercitivas.

Essas suspeitas foram confirmadas depois que Trump apontou suas sanções para o juiz responsável pelo processo de golpe contra Bolsonaro, Alexandre de Moraes, e acabou confirmando na Assembleia Geral da ONU que as medidas impostas ao Brasil são uma resposta a essa suposta perseguição à oposição.

Enquanto as diferenças se aprofundavam, nos bastidores, o Itamaray - Ministério das Relações Exteriores do Brasil - trabalhava na reaproximação que finalmente ocorreu, aproveitando uma certa flexibilidade que foi imposta a Trump, que vê como as coisas não estão funcionando como ele esperava no início de seu mandato.

Um compromisso diplomático ao qual ele não teve escolha a não ser aderir depois que o mercado interno dos EUA está sofrendo com a queda das exportações do Brasil, um de seus maiores fornecedores, e que causou, entre outros efeitos, a "falta de café", como o próprio Trump reconheceu a Lula por telefone.

O fato de ter sido Trump quem ligou para Lula, depois de ter chegado a dizer que seriam os brasileiros os mais interessados em conversar com ele, pode ser um sinal dessa mudança de paradigma do presidente americano, que até agora se caracterizou por irritar quase todo mundo.

BOLSONARISMO, COM O PÉ ESQUERDO

O telefonema de segunda-feira, com a promessa de um encontro pessoal em breve, deixa para trás o impasse diplomático em que a oposição brasileira, especialmente os núcleos próximos a Bolsonaro, havia visto inicialmente como uma oportunidade eleitoral com vistas às eleições presidenciais do ano que vem.

No entanto, a condenação de Bolsonaro, a acusação contra seu filho Eduardo por tentar impedir a investigação dos Estados Unidos e o trabalho diplomático de Itamaray para resolver a crise tornaram ainda mais incerto o caminho de uma oposição que não conseguiu encontrar um candidato adequado para enfrentar Lula.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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