Publicado 14/07/2025 02:56

Lula reúne ministros e autoridades por quatro horas para responder às tarifas de Washington

Presidente da Suprema Corte defende a justiça e a democracia brasileiras em carta aos críticos de Trump

O principal assessor econômico da Casa Branca desassocia Brasília dos critérios gerais para a imposição de tarifas

Archivo - BRASILIA, 31 de janio de 2025 -- O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva participa de uma coletiva de imprensa no Palácio do Planalto em Brasília, capital do Brasil, em 30 de janeiro de 2025. O Brasil responderá adequadamente se os Est
Europa Press/Contacto/Lucio Tavora - Arquivo

Presidente da Suprema Corte defende a justiça e a democracia brasileiras em carta aos críticos de Trump

O principal assessor econômico da Casa Branca desassocia Brasília dos critérios gerais para a imposição de tarifas

MADRID, 14 jul. (EUROPA PRESS) -

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, realizou uma reunião neste domingo que durou até quatro horas com funcionários de vários ministérios, do Banco Central e do Senado para discutir a resposta do país às novas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com base em grande parte no julgamento do ex-líder Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

A reunião ocorre em um momento em que o governo brasileiro está trabalhando em um decreto sobre reprocidade tarifária que detalhará os critérios para a resposta de Brasília e moldará eventuais negociações, de acordo com o portal de notícias brasileiro UOL.

O Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente brasileiro, contou com a presença de: Carlos Fávaro, ministro da Agricultura; Gleisi Hoffmann, ministra das Relações Institucionais; Fernando Haddad, ministro da Fazenda; Geraldo Alckmin, vice-presidente do Brasil e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Maria Laura da Rocha, a "número dois" do Ministério das Relações Exteriores; Sidônio Palmeira, porta-voz da presidência; Miriam Belchior, secretária da Casa Civil, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central.

Um dos objetivos do Brasil, paralelamente à negociação de tarifas, é encontrar novos mercados para seus produtos, como destacou a Presidência da República, fazendo alusão a exportações fundamentais para o país, como café, petróleo e carne, um dos produtos cuja venda Lula negociou em uma viagem com empresários ao Japão e ao Vietnã em março.

Por sua vez, Alckmin explicou na inauguração de um viaduto em São Paulo, horas antes da reunião, que o governo vai "trabalhar para reverter essa situação, porque essa tarifa não faz sentido (e) também prejudica o consumidor americano". "Entendemos que ela é inadequada, que não se justifica", disse ele, ressaltando, como Lula fez na quinta-feira, que recorrerão à Organização Mundial do Comércio (OMC).

"Os Estados Unidos têm um superávit comercial conosco, tanto em serviços quanto em bens. O Brasil não é um problema para os Estados Unidos. Os Estados Unidos têm um déficit na balança comercial. E o Brasil e os Estados Unidos têm integração produtiva", defendeu o vice-presidente. "Temos 200 anos de amizade com os Estados Unidos. Portanto, não se justifica e o mundo econômico precisa de estabilidade e previsibilidade", completou.

O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL DEFENDE O SISTEMA DE JUSTIÇA DO PAÍS

O presidente da Suprema Corte do Brasil, Luís Roberto Barroso, também se manifestou sobre o assunto, publicando uma carta no domingo intitulada "Em defesa da Constituição, da Democracia e da Justiça", na qual enfatizou que, ao contrário da ditadura militar que governou o país entre 1964 e 1985, hoje "ninguém está sendo perseguido (mas) a justiça está sendo feita, com base em provas e respeitando o debate".

Na missiva, ele delineou o que defendeu como uma "reconstrução serena dos fatos relevantes da história recente do Brasil e" das ações do alto órgão judicial. "Os processos penais em curso, por diversos crimes contra o Estado Democrático de Direito, observam rigorosamente o devido processo legal, com absoluta transparência em todas as fases do julgamento. Sessões públicas, transmitidas pela televisão, acompanhadas por advogados, pela imprensa e pela sociedade", ressaltou, afirmando que "a Suprema Corte julgará de forma independente e com base em provas. Se houver provas, os culpados serão responsabilizados. Se não houver provas, eles serão absolvidos. É assim que funciona o estado democrático de direito".

O Sr. Barroso concluiu com um apelo para que "nos apeguemos aos valores e princípios que nos unem: soberania, democracia, liberdade e justiça". "Assim como as demais instituições do país, o Judiciário está ao lado daqueles que trabalham pelo Brasil e está aqui para defendê-lo", argumentou.

As autoridades norte-americanas também se referiram ao confronto tarifário com o Brasil, que o diretor do Congresso Econômico Nacional (NEC) da Casa Branca, Kevin Hassett, abordou em entrevista à ABC News, na qual destacou que a tomada de decisões sobre esse assunto "normalmente não é sobre um país específico, mas com o Brasil é". Suas ações surpreenderam o presidente em alguns momentos e ele deixou isso claro para eles.

"O que tenho dito à maioria dos países é que se trata realmente de colocarmos as tarifas em ordem, e acho que essa tarifa para o Brasil é muito mais alta por causa da frustração do presidente com Bolsonaro", disse Hassett, que mencionou a "raiva e frustração" de Trump em relação ao julgamento do ex-presidente de extrema-direita, em uma tentativa de vinculá-lo ao argumento de "emergência nacional" que a Casa Branca tem usado para justificar suas tarifas com base em seu déficit comercial com dezenas de países do mundo, embora esse não seja o caso da América do Sul.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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