Publicado 29/05/2026 14:05

Lula rejeita que os EUA classifiquem grupos criminosos do Brasil como terroristas: "Não somos uma república das bananas"

Archivo - Arquivo - 20 de abril de 2026, Baixa Saxônia, Hanôver: O presidente do Brasil, Lula da Silva, discursa durante uma coletiva de imprensa conjunta com o chanceler alemão Friedrich Merz (não aparece na foto) no Palácio de Herrenhausen, em Hanôver.
Michael Kappeler/dpa - Arquivo

MADRID 29 maio (EUROPA PRESS) -

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, rejeitou nesta sexta-feira a recente decisão do governo dos Estados Unidos de incluir em sua lista de grupos terroristas as duas maiores organizações criminosas do país e alertou que, dessa forma, está se abrindo a possibilidade de uma intervenção militar.

“Estou muito triste com a notícia”, reagiu ele à medida do Departamento de Estado de incluir o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) em sua lista de grupos terroristas, uma exigência que o pré-candidato da oposição Flávio Bolsonaro apresentou ao presidente Donald Trump nesta semana, durante sua visita a Washington.

Lula destacou que foram aprovadas várias leis para combater o crime organizado e que não vão tolerar que sejam tratados como “crianças” ou como uma “república das bananas”. Além disso, ele ressaltou que as armas com as quais esses grupos se reabastecem vêm dos Estados Unidos, em cujo território muitos desses criminosos têm permissão para lavar o dinheiro obtido ilegalmente.

“O Brasil está disposto a trabalhar para combater o crime organizado e vamos começar pelo estado de Delaware, onde se lava dinheiro de brasileiros”, denunciou ele em um evento da Petrobras no estado de Sergipe, informa o portal G1.

“Eles não são os terroristas que Trump quer, Trump quer Osama bin Laden (...) e nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá”, afirmou Lula, em alusão a alguns envolvidos na trama golpista de 2022, que se encontram nos Estados Unidos aguardando a resolução de seus pedidos de asilo.

É o caso do ex-chefe da Agência de Inteligência do Brasil, Alexandre Ramagem, detido brevemente há um mês por agentes do Serviço de Controle de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). “Ele está escondido lá”, disse Lula, que também citou o empresário brasileiro Ricardo Magro.

“Vamos começar por entregar o maior contrabandista de combustível do país (...) Ele mora em Miami. Eu dei a Trump o nome dele e uma foto da casa dele. Se querem combater o crime organizado, entreguem os nossos que estão nos Estados Unidos”, reclamou Lula, referindo-se a Magro, presidente do Grupo Refit, um conglomerado empresarial do setor de petróleo e seus derivados.

Lula também aproveitou para acusar a família Bolsonaro de “trair a pátria” ao ir aos Estados Unidos “pedir a intervenção” do país. “Se fossem pedir a intervenção para deter milicianos, ficariam presos lá”, ironizou.

O governo também divulgou hoje uma nota de repulsa na qual considera “deploráveis” as manobras da família Bolsonaro para tentar que governos estrangeiros adotem “medidas unilaterais” contra o país que, além de enfraquecer a luta contra o crime, colocam em risco a vida das pessoas.

“A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de ingerência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”, concluiu o governo.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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