Europa Press/Contacto/Daniel Torok/White House
MADRID 21 ago. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, manteve nesta sexta-feira uma longa conversa com seu homólogo norte-americano, Donald Trump, a quem garantiu que as novas tarifas dos Estados Unidos contra seu país carecem de qualquer fundamento e que o que realmente é necessário é estreitar a cooperação para “preservar seus fortes laços comerciais”.
Durante uma conversa de uma hora e vinte minutos, Lula rejeitou todas as alegações apresentadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos para impor sanções ao Brasil (desmatamento, corrupção ou prática de trabalho forçado), pois “são infundadas”.
As acusações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos resultaram na imposição, em meados de julho, de uma tarifa de 25% sobre “a maioria” das importações brasileiras, alegando como motivo dessa decisão as causas mencionadas, entre as quais o que Washington percebia, em termos gerais, como falta de “boa-fé” por parte do presidente do Brasil na hora de negociar.
Essas tarifas, para o presidente brasileiro, “afetam negativamente tanto o Brasil quanto os Estados Unidos”, pelo que é necessário fomentar a cooperação com o objetivo de “preservar laços comerciais sólidos”; ideia com a qual o presidente Trump concordou, segundo o relato do líder sul-americano.
Da mesma forma, Lula reiterou o interesse de seu país em estreitar a cooperação “na luta contra o crime organizado” antes de solicitar que as poderosas gangues criminosas do país, como o Primeiro Comando da Capital, não sejam declaradas “grupos terroristas”, como fez com outros cartéis, pois o Brasil “possui instrumentos para enfrentar essas organizações”, por exemplo, por meio de seu “estrangulamento financeiro”, sem a necessidade de uma classificação especial para designá-las.
Por fim, Lula e Trump trocaram impressões sobre as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, com opiniões coincidentes quanto à busca por “uma solução negociada”. Lula, por fim, e sobre a guerra no Irã, lamentou mais uma vez a “ineficácia do Conselho de Segurança da ONU” e, assim como sugeriu na época a seus homólogos russo e chinês, Xi Jinping e Putin, propôs uma reunião extraordinária para configurar um conselho mais inclusivo.
“Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”, ressaltou Lula.
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