Europa Press/Contacto/Leco Viana, Leco Viana
MADRID, 10 (EUROPA PRESS)
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse nesta quarta-feira que o país latino-americano "não aceitará ser tutelado por ninguém" e assegurou que responderá com "reciprocidade" à aplicação de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros anunciada no mesmo dia por seu homólogo norte-americano, Donald Trump.
"O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém (...). A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que norteiam nossa relação com o mundo", declarou em sua conta na rede social X.
Em um comunicado, o presidente brasileiro reiterou que o processo judicial contra seu antecessor, Jair Bolsonaro, e todos aqueles que planejaram o golpe - que seu homólogo norte-americano descreveu repetidamente como uma "caça às bruxas" e usou para justificar sua tarifa anunciada - é de "responsabilidade exclusiva do sistema de justiça brasileiro e, portanto, não está sujeito a qualquer tipo de interferência ou ameaça que ponha em risco a independência das instituições nacionais".
Em resposta, Lula também prometeu que "qualquer medida de aumento unilateral de tarifas será tratada no âmbito da Lei Brasileira de Reciprocidade Econômica", um projeto de lei aprovado pelo Congresso no início de abril que permite que o executivo aumente as tarifas sobre produtos importados de um país ou bloco econômico que "impactem negativamente sua competitividade internacional" ou "interfiram em suas escolhas legítimas e soberanas".
Nesse sentido, rejeitou o argumento de Trump sobre um suposto déficit comercial entre os dois países, garantindo que é "falso" e alegando que "as próprias estatísticas do governo dos EUA mostram um superávit de 410 bilhões de dólares (cerca de 350 bilhões de euros) no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos".
Ele também defendeu que "para operar em (seu) país, todas as empresas nacionais e estrangeiras estão sujeitas à legislação brasileira", depois que o americano motivou o novo imposto com base nas decisões do Supremo Tribunal Federal contra as plataformas de redes sociais dos EUA, um extremo que o inquilino da Casa Branca considerou como "ordens de censura secretas e ilegais".
"No Brasil, a liberdade de expressão não se confunde com agressão ou práticas violentas. O Brasil rejeita conteúdo de ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, discursos contra os direitos humanos e a liberdade democrática", acrescentou Lula.
Anteriormente, o presidente norte-americano também lembrou ao seu colega brasileiro que, caso ele decida aumentar suas tarifas em resposta, Washington aplicará um novo aumento: "Seja qual for o número que você escolher para aumentá-las, ele será adicionado aos 50% que cobramos", explicou, embora tenha reconhecido que essas medidas "podem ser modificadas para cima ou para baixo, dependendo da relação com o país".
Horas antes, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil havia convocado o encarregado de negócios da Embaixada dos EUA, Gabriel Escobar, para pedir explicações sobre as declarações feitas pela representação diplomática em Washington sobre uma "perseguição vergonhosa" ao ex-presidente de ultra-direita.
"Jair Bolsonaro e sua família têm sido fortes parceiros dos Estados Unidos. A perseguição política contra ele, sua família e seus apoiadores é vergonhosa e desrespeitosa com as tradições democráticas do Brasil. Fazemos eco à declaração do presidente Trump. Estamos monitorando de perto a situação", disse a embaixada dos EUA em uma declaração relatada pelo jornal brasileiro 'O Globo'.
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