PRESIDENCIA DE BRASIL/RICARDO STUCKERT
MADRID, 5 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fez nesta quinta-feira um apelo direto ao seu homólogo francês, Emmanuel Macron, para que "abra seu coração" e deixe de lado suas reticências em relação ao acordo de livre comércio entre a União Europeia e os países do Mercosul, oferecendo-se inclusive para conversar com os agricultores franceses para sanar quaisquer dúvidas.
A Comissão Europeia e os membros fundadores do Mercosul - Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai - já anunciaram um acordo em dezembro do ano passado, após mais de duas décadas de negociações. O aval final requer um "sim" da UE-27 - a unanimidade não é necessária - mas ainda não chegou à mesa do Conselho porque o executivo da UE precisa apresentar os textos legais finais.
Vários estados-membros, com a França na liderança, entendem que é necessário "melhorar" o texto, como Macron reiterou durante uma aparição pública com Lula por ocasião de uma visita de Estado do presidente brasileiro. O presidente francês argumentou que, "estrategicamente", a França é a favor do livre comércio, mas acredita que a agricultura europeia estaria competindo em uma posição desigual com a agricultura sul-americana devido à diferença regulatória.
Nesse sentido, ele ressaltou que a abertura deve ser feita "de forma justa" e não deve representar "um risco" para o setor agrícola. Os países do Mercosul não estão no mesmo nível regulatório", acrescentou, aludindo a possíveis "desvantagens" em termos de proteção ambiental e propondo medidas como "cláusulas-espelho" para garantir que os mesmos padrões sejam impostos a ambos os lados.
No entanto, e aproveitando o fato de que o Brasil assumirá a presidência rotativa do bloco sul-americano a partir de sexta-feira, o presidente brasileiro quer relançar o processo e concluir os procedimentos de aprovação no segundo semestre do ano, conforme pediu diretamente a Macron diante das câmeras.
Lula sugeriu diretamente ao seu homólogo que ele deveria transmitir aos agricultores franceses que eles não têm nada a temer, que os setores dos dois lados do Atlântico são "complementares" e que o Brasil também favorece a proteção ambiental.
"Se for preciso, eu mesmo poderia conversar com os agricultores franceses para explicar-lhes o que eles ganham com esse acordo", chegou a dizer Lula, "convencido" de que, dessa forma, as atuais suspeitas serão resolvidas. O presidente também propôs uma troca de visitas setoriais para avançar nessa hipotética reaproximação.
O que os dois presidentes concordaram foi que as relações comerciais entre a França e o Brasil podem ser melhoradas. "Não é possível que os valores registrados em 2024, de 9 bilhões de dólares, sejam menores que os de 2012. Isso significa que no comércio nós demos um passo para trás e agora temos que dar dois passos para frente", disse Lula da Silva.
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