Publicado 22/10/2026 00:20

Lula pede a anulação da candidatura de Bolsonaro por “abusos” nas redes sociais

18 de outubro de 2026, São Paulo, São Paulo, Brasil: São Paulo (SP), 18/10/2026 — Política/Debate/Band — Os candidatos à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegam à sede da TV Bandeirantes, em São Paulo, para participar
Leco Viana / Zuma Press / Europa Press

Bolsonaro faz o mesmo, denunciando que o governo utilizou dados oficiais para enviar mensagens sobre programas sociais durante o período eleitoral

MADRI, 22 out. (EUROPA PRESS) -

A campanha do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, para o segundo turno das eleições que serão realizadas neste domingo, solicitou nesta quarta-feira ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a anulação da candidatura do senador e candidato presidencial ultraconservador Flávio Bolsonaro, alegando suposto tratamento de favor em relação ao seu rival por parte da empresa de tecnologia Meta — que engloba Instagram, Facebook e WhatsApp — e da rede social X.

A equipe de Lula apresentou “uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) por abuso de poder econômico e uso indevido das redes sociais, com pedido de medida cautelar de urgência”, conforme consta no documento judicial ao qual a Europa Press teve acesso.

No final do documento, o texto inclui uma série de pedidos relativos às plataformas citadas, e, além disso, pede a anulação da candidatura e “a declaração de inelegibilidade” tanto de Flávio Bolsonaro quanto de seu “número dois”, Alfredo Gaspar de Mendonça, “pelo prazo de oito anos após a eleição de 2026”.

“Esta ação não trata do que um candidato disse. Trata-se de quem decide o que o eleitor vê. Os fatos já documentados revelam que a infraestrutura privada na qual hoje se realiza a propaganda eleitoral — os sistemas de recomendação, as ferramentas de inteligência artificial generativa e os mecanismos de revisão de anúncios das plataformas da Meta (Instagram, Facebook e WhatsApp) e do X— tem operado, de forma reiterada e convergente, em benefício da candidatura dos investigados e em franco prejuízo da candidatura adversária”, afirma a ação.

No texto, a equipe de campanha de Lula denuncia uma “fábrica de conteúdo sintético” e uma “distribuição desproporcional”, exemplificando ao destacar que “o perfil oficial do primeiro investigado (Flávio Bolsonaro), com 17,2% a menos de seguidores (que Lula), obteve, na primeira semana do segundo turno, 2,96 vezes mais interações por publicação do que o do candidato da Coalizão”.

Também protesta contra a “restrição” da conta publicitária do líder do Partido dos Trabalhadores na véspera do primeiro turno, bem como pelo fato de que “os sistemas de inteligência artificial de ambas as plataformas geram conteúdos com a legenda ‘Flávio 22’, mas rejeitam uma solicitação equivalente com ‘Lula 13’”, combinações de ambos os políticos com o código numérico de suas candidaturas. Denuncia ainda que “foram aprovados anúncios pagos a partir dos Estados Unidos que incluíam uma imagem gerada por computador do presidente norte-americano (Donald Trump) pedindo o voto para o primeiro investigado (Flávio)”.

“Esses elementos convergem para as duas infrações previstas no art. 22 da Lei Complementar nº 64/1990, aqui imputadas: o uso indevido das redes sociais — uma vez que as plataformas digitais são, atualmente, os meios de comunicação de maior alcance no país — e o abuso de poder econômico — uma vez que a candidatura se beneficia da mobilização de estruturas empresariais de produção e distribuição de conteúdo, de valor econômico significativo, à margem da prestação de contas e com recursos provenientes de fontes proibidas —”, destacou a equipe de Lula.

A apresentação dessa ação judicial ocorreu um dia depois de a Meta ter afirmado ter cumprido todas as instruções do Tribunal Superior Eleitoral para sanar as falhas alegadas pela campanha de Lula sobre uma suposta manipulação em suas publicações para favorecer Flávio Bolsonaro; no entanto, no mesmo dia, o Conselho Consultivo da Meta manifestou sua preocupação com as falhas “recorrentes” nos esforços da empresa para garantir a integridade eleitoral em suas plataformas, alertando que suas práticas de moderação estão sufocando o discurso político.

A DENÚNCIA DE BOLSONARO

A equipe de Lula agiu dessa forma depois que o Partido Liberal, liderado por Flávio Bolsonaro, denunciou a candidatura do presidente perante o TSE, solicitando também sua anulação por “abuso de poder”.

A campanha de Flávio apresentou uma ação na qual alega que o governo teria utilizado informações provenientes do portal digital oficial do Governo do Brasil (Gov.br), do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e da Receita Federal (equivalente à Agência Tributária espanhola) para direcionar mensagens personalizadas sobre programas sociais de auxílio às famílias, relacionadas aos preços dos hidrocarbonetos e da energia elétrica ou destinadas à compra de medicamentos.

“Nenhum candidato da oposição tem acesso a nenhum desses recursos. Além disso, o uso de dados pessoais coletados para a prestação de serviços públicos com fins de comunicação governamental durante um período eleitoral viola o princípio da limitação da finalidade que rege o tratamento de dados por parte das autoridades públicas”, afirma a petição.

O documento faz referência a um contrato entre o Ministério de Gestão e Inovação em Serviços Públicos e o Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO), assinado em 2021 e válido até dezembro deste ano, que prevê uma estimativa de 170 milhões de notificações mensais por meio de diversos canais digitais. O custo previsto seria de 20,4 milhões de reais (3,6 milhões de euros) em um período de doze meses.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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