Europa Press/Contacto/Lucio Tavora - Arquivo
MADRID 24 jan. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, mostrou sua indignação pela captura, no último dia 3 de janeiro, do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, pelas forças americanas e criticou Trump por estar atacando o multilateralismo com a criação de uma “nova ONU” da qual “somente ele é o dono”, em relação à Junta de Paz para Gaza.
“Passei a noite toda indignado com o que aconteceu na Venezuela. Não consigo acreditar. Maduro sabia que havia 15.000 soldados americanos no mar do Caribe, sabia que havia uma ameaça diária. Esses caras entraram na Venezuela, entraram no forte e levaram Maduro, e ninguém sabia que Maduro tinha ido embora. Como é possível que não se respeite a integridade territorial de um país?”, afirmou ele no Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em declarações coletadas pela Agência Brasil.
Lula endureceu o tom de suas críticas ao inquilino da Casa Branca e afirmou que o Brasil não tem preferência por relações com nenhum país, mas que o país latino-americano não voltará a “ser uma colônia onde alguém nos governa”.
Apesar de o presidente dos Estados Unidos ter convidado Lula para participar da Junta de Paz de Gaza, um órgão governamental do enclave palestino que o próprio Trump promoveu e liderará, o presidente brasileiro acusou o líder norte-americano de desmantelar a ONU em favor do unilateralismo.
“Está prevalecendo a lei do mais forte, está sendo desmantelada a Carta da ONU e, em vez de consertar a ONU, o que vimos exigindo desde que eu era presidente em 2003 (...), o que está acontecendo é que o presidente Trump está propondo criar uma nova ONU, na qual só ele será o dono da ONU”, afirmou Lula.
Da mesma forma, o presidente brasileiro defendeu o diálogo como forma de agir diante das constantes declarações de Trump, nas quais ele se gaba do poderio militar dos Estados Unidos. “Não quero travar uma guerra armada com os Estados Unidos, nem com a Rússia, nem com o Uruguai, nem com a Bolívia. Quero travar uma guerra com o poder da persuasão, com argumentos, com narrativas, demonstrando que a democracia é invencível; que não queremos nos impor aos outros, mas compartilhar o que temos de bom", afirmou.
As críticas contínuas de Lula a Trump também rompem com uma espécie de trégua que os dois líderes pareciam ter estabelecido desde o final do ano passado, após chegarem a uma série de acordos para suspender algumas das piores tarifas que o presidente dos Estados Unidos começou a impor a mais da metade do mundo.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático