Europa Press/Contacto/Leco Viana, Leco Viana
MADRID 30 ago. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, adiantou nesta sexta-feira a implementação de um procedimento para avaliar possíveis respostas às tarifas de 50% impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, embora tenha indicado que não tem pressa para fazê-lo e que pretende primeiro dialogar com os Estados Unidos.
"Não estou com pressa de buscar reciprocidade contra os Estados Unidos. Tomei essa medida porque temos que avançar com o processo. Se procedermos conforme exigido por lei, isso levará um ano. Já entramos com uma reclamação na OMC. Temos casos pendentes contra os Estados Unidos, mas não estamos com pressa", disse ele em uma entrevista à Rádio Itatiaia.
Lula insistiu que, longe de buscar uma escalada no conflito comercial, o objetivo dessa decisão é abrir um espaço para a negociação entre as duas potências. Para tanto, o governo brasileiro realizará - em um prazo de 30 dias - uma análise dos possíveis impactos das novas tarifas dos EUA sobre vários produtos brasileiros e, posteriormente, uma avaliação das medidas que o governo poderia tomar em resposta.
No entanto, o presidente lamentou que - até o momento - não tenha conseguido estabelecer contato com a Casa Branca para discutir a questão tarifária, já que "outro dia" seu ministro da Economia, Fernando Haddad, "agendou um telefonema com o secretário do Tesouro (dos EUA) (Scott Bessent), mas (ele) não compareceu".
"Não quero uma guerra com os Estados Unidos; quero negociar. Quero que a verdade esteja na mesa", acrescentou durante a mesma entrevista, antes de esclarecer por meio de sua conta no X que "o Brasil está disposto e aberto a negociar com os Estados Unidos", mas não "de forma subordinada". "Somos iguais. E o Brasil é soberano", disse ele.
Essas declarações do presidente brasileiro ocorrem depois que o Brasil apresentou - no início deste mês - perante a Organização Mundial do Comércio (OMC) um pedido de consultas com os Estados Unidos em relação às tarifas indiscriminadas impostas por Trump e que, na opinião do gigante sul-americano, "violam flagrantemente" os compromissos assinados por Washington.
No entanto, Lula afirmou em várias ocasiões que qualquer retaliação contra os EUA - o segundo maior parceiro comercial do Brasil - será considerada somente depois que todas as alternativas diplomáticas forem esgotadas.
Nessa linha, no início de agosto, o governo brasileiro também declarou sua intenção de chegar a um acordo "nas próximas semanas" sobre a data e o local dessas supostas consultas e advertiu que, se os Estados Unidos não aceitassem, o Brasil se reservava o direito de solicitar a criação de um painel para resolver a disputa.
Anteriormente, Lula já havia deixado claro que, embora esteja "aberto ao diálogo", as autoridades brasileiras trabalharão, em primeiro lugar, para proteger a economia nacional e responder às novas tarifas, que foram atribuídas a razões políticas.
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