Europa Press/Contacto/Leco Viana, Leco Viana
MADRID 26 ago. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, esquivou-se nesta terça-feira da última polêmica com as autoridades israelenses - incluindo os insultos lançados contra ele pelo ministro da Defesa, Israel Katz - mas insistiu que continuará defendendo uma nova ordem mundial para evitar "genocídios" como o da Faixa de Gaza.
Lula observou que não passa um dia sem que haja algum tipo de novidade no "genocídio na Faixa de Gaza", onde "a cada dia mais pessoas morrem" ou "crianças famintas aparecem na mídia, totalmente esqueléticas".
"Eles são mortos como se estivessem em guerra, como se pertencessem ao Hamas", lamentou Lula, censurando a comunidade internacional por não fazer nada. "É por isso que há muito tempo estamos pedindo uma mudança de governança na ONU, para que genocídios como esse possam ser interrompidos", disse.
"É por isso que vamos continuar lutando para que o governo mundial seja repensado e fortalecido com a entrada de muitos outros membros", explicou, referindo-se à proposta do Brasil de ampliar o Conselho de Segurança da ONU e até mesmo reverter o direito de veto dos que fazem parte dele em caráter permanente.
Lula se expressou nesses termos durante uma reunião ministerial na qual também criticou seu colega norte-americano, Donald Trump, a quem criticou por "agir como se fosse o imperador do planeta Terra".
"Ele continua a ameaçar o mundo inteiro", disse ele sem mencionar o nome do presidente dos EUA, a quem lembrou que o Brasil "é um país soberano" com uma constituição e legislação às quais deve responder.
"É assim que tem que ser se quisermos construir e fortalecer o mundo democrático e multilateral que o Brasil pretende defender", observou, insistindo no princípio da igualdade antes de negociar qualquer coisa, em relação às ameaças tarifárias emitidas por Washington.
"Não estamos dispostos a ser tratados como subordinados", concluiu.
Nas últimas horas, Israel decidiu reduzir as relações diplomáticas com o Brasil, depois de não aceitar seu embaixador, Gali Dagan, o que, segundo o gigante sul-americano, responde à "humilhação" sofrida por seu próprio embaixador, Federico Meyer, no ano passado, por causa da opinião de Lula sobre o "genocídio" em Gaza.
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