Publicado 09/08/2026 02:32

Lula defende a soberania do Brasil diante de Trump e promete manter o quadro fiscal

SÃO PAULO, 2 de agosto de 2026  -- O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva discursa na convenção nacional do Partido dos Trabalhadores, atualmente no poder, em São Paulo, Brasil, em 2 de agosto de 2026. O Partido dos Trabalhadores, atualmente no
Europa Press/Contacto/Paulo Lopes

MADRID 9 ago. (EUROPA PRESS) -

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, apresentou o programa com o qual concorrerá às eleições deste ano, no qual destaca a defesa da soberania nacional como um dos principais eixos em relação aos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que se comprometeu a manter o atual quadro fiscal e propôs revisar o sistema de emendas parlamentares.

O documento, registrado juntamente com sua candidatura à reeleição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e divulgado pela Agência do Brasil, estabelece como prioridades o aumento do investimento público e privado, o crescimento econômico, a redução das desigualdades e o impulso a setores estratégicos como infraestrutura, indústria e inovação.

O programa, intitulado “Diretrizes para o Programa de Transformação do Brasil: um país soberano, democrático, sustentável e criativo”, é composto por treze capítulos e 84 páginas e inclui propostas sobre democracia, segurança, educação, saúde, segurança alimentar e política externa.

A defesa da soberania ocupa um lugar central no novo programa de Lula, em um contexto marcado pelas tensões entre o Brasil e o governo de Donald Trump, especialmente devido às tarifas impostas aos produtos brasileiros e às sanções contra autoridades do país.

O Partido dos Trabalhadores (PT) tem defendido que o cenário internacional é marcado pelo aumento das tensões geopolíticas e por “violações das regras de convivência internacional” que obrigam o Brasil a “reafirmar sua soberania e preservar sua capacidade de tomar decisões políticas e econômicas de forma independente, à luz de seus interesses, sem qualquer tipo de subordinação estratégica”.

“Nos oporemos firmemente a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros ou de reduzir nosso país a uma posição de dependência geopolítica. Rejeitamos a visão daqueles que aceitam, com servilismo, renunciar à soberania nacional em nome de alinhamentos automáticos e ideologias fracassadas”, afirma o documento.

No âmbito econômico, o programa defende a combinação da responsabilidade fiscal com a redução das taxas de juros, o controle da inflação, o aumento da produtividade e o estímulo aos investimentos.

“A taxa de juros é hoje o que a inflação foi no passado no Brasil: promove a concentração de renda e desorganiza nossa economia. Para impulsionar ainda mais os investimentos produtivos e o crescimento econômico de longo prazo, criaremos as condições para uma redução sustentada das taxas de juros, com inflação controlada e garantindo uma política fiscal responsável. Para isso, manteremos o novo marco fiscal, que controlou o crescimento dos gastos sem prejudicar as políticas sociais e permitiu uma redução significativa do déficit primário”, destaca a proposta a esse respeito.

Nessa linha, o documento explica que “o resultado fiscal será alcançado (...) por meio da recuperação do crescimento econômico, do controle do aumento dos gastos primários, do investimento na melhoria da eficiência e da qualidade dos gastos públicos, da promoção da justiça tributária e do combate aos privilégios e às distorções”.

A proposta de Lula incorpora, além disso, mudanças no sistema de emendas parlamentares, denunciando “uma grave distorção” na elaboração e gestão orçamentária. Segundo o PT, esses itens atingiram 50 bilhões de reais em 2026, cerca de um quarto dos gastos discricionários do Executivo.

As emendas obrigatórias e o chamado orçamento secreto, denunciou o partido, “alteraram as relações entre o Executivo e o Legislativo” e “sequestram o orçamento público”, além de dispersar os recursos e reduzir a eficiência em sua alocação.

Vale destacar que o programa prevê também uma redução do déficit primário de aproximadamente 2% do PIB para 0,4% em 2026, nível que considera próximo do equilíbrio fiscal.

Na mesma linha, o partido defende as medidas tributárias adotadas durante o mandato de Lula, entre elas o aumento da carga tributária sobre os contribuintes de renda mais alta e a ampliação das isenções do imposto de renda, que beneficiaram mais de 15 milhões de pessoas, segundo o PT.

O documento destaca, por fim, a reforma tributária sobre o consumo, que substituiu cinco impostos por dois — CBS e IBS — e introduziu medidas como a isenção de produtos da cesta básica e a restituição de impostos (“cashback”) para as famílias de menor renda.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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