Paulo Lopes / Xinhua News / Europa Press
MADRI, 6 nov. (EUROPA PRESS) -
O recém-reeleito presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, comemorou sua vitória eleitoral em uma transmissão ao vivo ao lado do deputado André Janones, na qual definiu sua vitória como uma “lição para o mundo” e um marco de alcance internacional, coincidindo com os reveses políticos sofridos pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Durante a transmissão, o líder brasileiro afirmou estar “encantado” com o significado de um resultado que, em sua opinião, transcende as fronteiras do Brasil.
“Foi uma vitória não apenas para o Brasil, mas para o mundo; está inspirando todo o planeta. Na mesma semana em que venci, Netanyahu perdeu em Israel e meu amigo Trump parece estar perdendo nos Estados Unidos. Foi uma lição do povo brasileiro, que se despertou para dizer que o país não aceita ser o bode expiatório de ninguém”, enfatizou.
Nesse sentido, Lula ironizou a fuga para os Estados Unidos de seu rival político, o senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, repreendendo-o por ter recorrido ao solo americano em busca de refúgio e influência justamente quando Trump sofria uma severa derrota eleitoral nas eleições de meio de mandato, realizadas nesta terça-feira.
“VOCÊ TERÁ QUE VOLTAR AO BRASIL PARA ENFRENTAR OS PROCESSOS JUDICIAIS”
O presidente criticou as atitudes do bolsonarismo em relação a Washington e advertiu Flávio Bolsonaro de que ele terá que voltar ao Brasil para responder perante os tribunais. “Ele chegou aos Estados Unidos e Trump perdeu. Ele foi para lá em busca de proteção. Você vai ver a proteção que vai ter. Você terá que voltar ao Brasil para enfrentar os processos judiciais que tem pendentes”, afirmou, dirigindo-se diretamente ao próprio Bolsonaro.
Por outro lado, Lula destacou o papel fundamental das redes sociais na mobilização de seu eleitorado e anunciou que vai potencializar sua presença digital para se comunicar diretamente com a população. “Minha relação com a rede digital vai mudar. Vou utilizá-la mais para conversar com o povo e não vou mais permitir que a imprensa interprete o que eu digo; vou começar a falar diretamente”, afirmou.
No plano institucional e legislativo, o presidente anunciou que impulsionará, em breve, uma medida provisória para a criação do Ministério da Segurança Pública, com o objetivo de garantir “proteção ao trabalhador e prisão ao criminoso”. Além disso, ele confirmou que sua posse será realizada com uma “grande celebração” no dia 5 de janeiro, em Brasília, e que sua primeira viagem oficial será à Turquia para participar da cúpula climática COP31.
A declaração de Lula coincide com a posição expressa dos Estados Unidos por Flávio Bolsonaro, que justificou sua saída do Brasil alegando ser vítima de uma “perseguição” judicial por parte do Supremo Tribunal Federal. O líder da oposição questionou, sem apresentar provas, o resultado das eleições, classificando-o de “impossibilidade matemática”, ao mesmo tempo em que previu o colapso iminente do governo de Lula e propôs a realização de eleições antecipadas antes de 2030.
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