O presidente brasileiro defende que “o povo venezuelano deve decidir seu próprio destino” e critica a Nicarágua de Ortega pela perseguição à oposição
MADRID, 22 set. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, lamentou nesta terça-feira, perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, a falta de liderança e credibilidade da organização para enfrentar um período marcado por inúmeros conflitos e crises internacionais, reafirmando mais uma vez seu compromisso com o multilateralismo.
“A ONU está falhando em uma de suas principais missões: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa, sua capacidade de proteger os mais vulneráveis nunca foi tão pequena”, afirmou ele na abertura da 81ª edição da Assembleia Geral.
Lula voltou a direcionar suas críticas ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e ao direito de veto de poucos. “Essa falha conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez”, avaliou o líder brasileiro.
“Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre seu papel”, denunciou Lula da Silva, que criticou o fato de que “milhares de milhões de dólares” estão sendo destinados a uma nova corrida armamentista, à medida que os conflitos regionais assumem “proporções globais”.
O presidente brasileiro apelou à “responsabilidade” dos líderes de cujas decisões depende, em grande medida, a ordem mundial e advertiu que “a guerra não é a continuação da política”, mas sim o “fracasso” desta.
Nesse sentido, Lula voltou a defender um mundo em que os interesses nacionais se conciliem com os do resto da humanidade e, referindo-se a si mesmo, enfatizou que isso não é “idealismo”, mas a convicção de um metalúrgico que lutou contra a ditadura e foi eleito democraticamente três vezes.
“Somos chamados a escolher entre multilateralismo ou unilateralismo, entre democracia ou extremismo, soberania ou subordinação. São escolhas que exigem coragem, vontade política e clareza”, afirmou.
Lula fez uma revisão de alguns dos principais conflitos que ainda persistem, como o “genocídio perpetrado pelo governo de (Benjamin) Netanyahu” contra civis palestinos e criticou veladamente os Estados Unidos pela “perseguição” ao Tribunal Penal Internacional (TPI) e seus juízes, pois isso favorece que os crimes que estão sendo cometidos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia fiquem impunes.
Além disso, defendeu uma solução negociada para a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que, após quase cinco anos, se tornou um “drama humanitário que continua ceifando vidas”. Todos sabemos que não haverá vencedores no campo de batalha. “A diplomacia é a única opção”, afirmou.
AMÉRICA LATINA
Da mesma forma, ele reivindicou a independência e a soberania de seu país diante da influência dos Estados Unidos na região. “O Brasil não é o quintal de ninguém”, enfatizou Lula da Silva, que defendeu uma relação entre iguais, com uma agenda comum que promova o desenvolvimento entre as nações.
“As diferenças ideológicas não precisam ser um obstáculo para uma maior integração entre vizinhos”, afirmou o líder brasileiro, que também destacou os perigos que a democracia enfrenta, entre eles a ingerência de potências estrangeiras ou a ‘chantagem’ tarifária.
Assim, Lula mencionou a necessidade de que o povo venezuelano possa escolher seu “próprio destino” em futuras eleições após a prisão do presidente Nicolás Maduro em janeiro passado e criticou a Nicarágua, sob o governo do casal Daniel Ortega e Rosario Murillo, pela perseguição à oposição.
Lula também destacou a luta contra o crime organizado, a desinformação, o uso indevido das novas tecnologias — entre elas a inteligência artificial —, bem como contra aqueles que negam as mudanças climáticas, cujos “efeitos afetarão principalmente os mais vulneráveis”.
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