Andre Ribeiro / Zuma Press / Europa Press
MADRID 26 out. (EUROPA PRESS) -
O presidente reeleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, comemorou sua vitória no segundo turno das eleições presidenciais com um discurso no qual reivindicou a vitória da democracia diante do “negacionismo” e delineou as prioridades de seu novo mandato: a regulamentação das plataformas digitais, a educação tecnológica, a proteção da saúde e um papel ativo do Governo federal na segurança pública.
Lula conquistou um novo mandato após vencer com 51,79% dos votos válidos (64,2 milhões) contra 48,21% (59,8 milhões) do candidato de extrema direita — e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — Flávio Bolsonaro. Com esse resultado, o líder progressista protagoniza um marco histórico, ao ser o primeiro candidato, desde o retorno da democracia no Brasil, a conseguir reverter uma desvantagem após ficar em segundo lugar no primeiro turno para, finalmente, conquistar a Presidência.
Em sua primeira aparição pública, acompanhado por seu vice-presidente, Geraldo Alckmin, Lula agradeceu a mobilização maciça da população, com menção especial aos jovens, às mulheres e aos idosos. Alckmin, encarregado de abrir o evento, expressou seu “profundo respeito” pelo presidente, afirmando que “pela segunda vez ele salvou a democracia brasileira”.
Durante seu discurso, Lula endureceu o tom contra a desinformação e o papel das grandes empresas de tecnologia, alertando que o país teve que enfrentar uma “intromissão de fora para dentro por meio de plataformas digitais”. Nesse sentido, ele defendeu firmemente a regulamentação dessas plataformas: “Não é possível que não tenhamos a convicção de que o crime no mundo digital deve ser tratado da mesma forma que o crime na vida real (...) Esta eleição foi uma derrota do negacionismo, foi uma derrota da mentira”, afirmou o presidente.
Além disso, o líder criticou duramente a postura de seus rivais políticos durante a campanha, confessando seu “desconforto” nos debates ao se deparar com o “representante genuíno do milicianismo”, a quem acusou de mentir repetidamente e de carecer de “uma pitada de humanismo”.
Quanto à gestão de seu futuro governo, Lula anunciou uma mudança na política de segurança pública, uma área tradicionalmente delegada aos governos estaduais. “Está comprovado que os estados não dão conta. Vamos intervir para devolver às mulheres, aos homens e aos trabalhadores a tranquilidade de que tanto precisam. Ao povo trabalhador, ofereceremos proteção; aos criminosos, a prisão”, afirmou.
O presidente eleito também prometeu fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), impedir sua privatização e universalizar os auxílios financeiros (“pé-de-meia”) para evitar o abandono escolar no ensino médio e superior.
No âmbito tecnológico, ele apostou no desenvolvimento de uma infraestrutura própria: “Não quero depender da inteligência artificial chinesa ou norte-americana, quero criar uma brasileira”. Além disso, ele destacou que exigirá que parte dos grandes centros de dados (data centers) movidos a energia renovável do país se dedique a informações nacionais.
Diante de um Congresso de maioria conservadora, Lula descartou governar por meio do confronto, lembrando que trabalhará com base na Constituição e estendendo a mão para o diálogo institucional. “Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos”, concluiu.
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